Primeiro de julho de 2006. Nessa data, na cidade de Frankfurt, Alemanha, acabava a trajetória brasileira na Copa do Mundo. Com o fracasso, veio a avalanche de críticas. Aos jogadores, a Carlos Alberto Parreira, à CBF, até à imprensa. Enfim, no tribunal do povo, todos foram condenados. O clamor por mais "compromisso com o país" surgiu. Para vestir a amarelinha, o amor à camisa deveria estar à frente da qualidade, do talento. E Dunga foi o escolhido para comandar a "Revolução Canarinho".
No começo, flores. Um 3 a 0 na Argentina pra levantar a moral. Na Copa América, título, com outro chocolate nos hermanos. Ainda assim, já havia críticas. A Seleção não jogava de forma agradável. Nomes como Mineiro, Julio Baptista e Josué eram rechaçados. Em vão. No campo, via-se uma equipe abaixo do que se espera quando se fala de Brasil. Mas em matéria de orgulho de representar o país, nada a questionar.
Veio um momento turbulento nas Eliminatórias para a Copa-2010. "Adeus, Dunga" era o som que ecoava. O insucesso nas Olimpíadas agravou a situação. Mas o professor sobreviveu. Seguiu firme no propósito a que foi designado. "Bagunça, não! Não adianta o jogador ir bem no clube, tem que mostrar na Seleção. O jogador tem que querer representar a Seleção". Palavras que deveriam satisfazer a todos. Afinal, não foi o que pedimos? Não criticamos aqueles que "fizeram pouco caso" de estar vestindo o Manto sagrado verde-e-amarelo? Pois esses foram limados. O critério-primaz para convocar qualquer atleta, que está lá no primeiro parágrafo, estava sendo seguido. Então, por que tanto murmuro?
Ah, mas não precisava tirar todo mundo. Seleção não é Exército, também precisa ter talento pra jogar. O discurso pós-2006 já havia mudado. Tarde demais. Carlos Caetano Bledorn Verri cumpriu a programação. Como um robô. Nesse caso, um Frankenstein. Cada um de nós tem parte na formação desse grupo, que hoje está na África, e do seu comandante. O que vemos é produto das nossas vontades. Pedimos o fim da bagunça de Weggis. Feito. Rejeitamos os relapsos, os gordos. Feito. Agora, porque falta um pouco de brasilidade, de improviso, alguns dizem: "não vou torcer pro Brasil".
Contradição. Pediram e foram atendidos. E reclamam: não era bem assim. Vai entender.
*P.S.: também recebo comentários via twitter (@milepp_ricardo)
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