7 comentários

quarta-feira, 9 de junho de 2010


Nosso professor, nosso Frankenstein


Primeiro de julho de 2006. Nessa data, na cidade de Frankfurt, Alemanha, acabava a trajetória brasileira na Copa do Mundo. Com o fracasso, veio a avalanche de críticas. Aos jogadores, a Carlos Alberto Parreira, à CBF, até à imprensa. Enfim, no tribunal do povo, todos foram condenados. O clamor por mais "compromisso com o país" surgiu. Para vestir a amarelinha, o amor à camisa deveria estar à frente da qualidade, do talento. E Dunga foi o escolhido para comandar a "Revolução Canarinho".


No começo, flores. Um 3 a 0 na Argentina pra levantar a moral. Na Copa América, título, com outro chocolate nos hermanos. Ainda assim, já havia críticas. A Seleção não jogava de forma agradável. Nomes como Mineiro, Julio Baptista e Josué eram rechaçados. Em vão. No campo, via-se uma equipe abaixo do que se espera quando se fala de Brasil. Mas em matéria de orgulho de representar o país, nada a questionar.


Veio um momento turbulento nas Eliminatórias para a Copa-2010. "Adeus, Dunga" era o som que ecoava. O insucesso nas Olimpíadas agravou a situação. Mas o professor sobreviveu. Seguiu firme no propósito a que foi designado. "Bagunça, não! Não adianta o jogador ir bem no clube, tem que mostrar na Seleção. O jogador tem que querer representar a Seleção". Palavras que deveriam satisfazer a todos. Afinal, não foi o que pedimos? Não criticamos aqueles que "fizeram pouco caso" de estar vestindo o Manto sagrado verde-e-amarelo? Pois esses foram limados. O critério-primaz para convocar qualquer atleta, que está lá no primeiro parágrafo, estava sendo seguido. Então, por que tanto murmuro?


Ah, mas não precisava tirar todo mundo. Seleção não é Exército, também precisa ter talento pra jogar. O discurso pós-2006 já havia mudado. Tarde demais. Carlos Caetano Bledorn Verri cumpriu a programação. Como um robô. Nesse caso, um Frankenstein. Cada um de nós tem parte na formação desse grupo, que hoje está na África, e do seu comandante. O que vemos é produto das nossas vontades. Pedimos o fim da bagunça de Weggis. Feito. Rejeitamos os relapsos, os gordos. Feito. Agora, porque falta um pouco de brasilidade, de improviso, alguns dizem: "não vou torcer pro Brasil".


Contradição. Pediram e foram atendidos. E reclamam: não era bem assim. Vai entender.

 

*P.S.: também recebo comentários via twitter (@milepp_ricardo)

Compartilhe este artigo:

 

Crie já uma conta no ACTIVO 2.0.
REGISTRE-SE no ACTIVO 2.0 ou efetue o seu LOGIN caso já esteja cadastrado para comentar com seu perfil

COMENTÁRIOS

Fala Ricardo! Um senão, em relação ao teu comentário. Quando voce diz "cada um de nós", deveria dizer "a maioria de nós" ou "grande parte de nós". Ao dizer "cada um de nós", voce imputa a todos, a responsabilidade por essa seleção fajuta. Não é bem assim.Muitos de nós aqui, pedimos por mudanças, mas pedimos também, que a arte do futebol brasileiro fosse respeitada; o que ele (Dunga), com a permissão da CBF, nunca fez... Eu sou um dos que vou torcer contra e dos que vai lamentar muito, se o Brasil trouxer o título. Eficiência, comprometimento, beleza e arte, podem sim caminhar juntas; estão aí os times do Barcelona, do Santos e da seleção espanhola, para provar isso... Grande abraço.
0
 
 


Meu amigo, parabéns pela lucidez do seu post! Já disseram que é mais difícil ser técnico da seleção brasileira do que ser presidente da república, mas tirando o exagero sei que somos milhões de técnicos no Brasil e que cada um de nós tem seus 23 selecionáveis e seus esquemas táticos. Só que o Dunga escolheu esses que estão aí, gostemos ou não são esses que podem nos dar o Hexa... ou não. Mas uma coisa tenho que admitir: ele foi muito coerente. Este time me lembra muito o de 94, com a diferença que Romário estava voando baixo e Bebeto foi seu fiel escudeiro. Enfim, resta-nos torcer pelos que estão lá e acreditar que é possível. SAN!
0
 
 


Ricardo, o problema é que Dunga não é um robô...Abraço!
0
 
 


ESTOU MAIS QUE SATISFEITO COM A NOSSA SELEÇÃO,ESPERO NO FINAL DA COPA LER EM TODOS OS JORNAIS AS FRASES,"VOCÊS VÃO TER QUE ME ATURAR E QUE NÃO ME VENHAM BABAR O OVO",KKKKKKKKKKKKKKKKK.PARABÉNS MESTRE DUNGA,SENDO CAMPEÃO OU NÃO, VOU SEMPRE APOIAR ESTE TRABALHO SÉRIO E ONESTO QUE VEM FAZENDO A ALGUM TEMPO Á FRENTE DA NOSSA SELEÇÃO.
0
 
 


Ricardão. O Brasil tem talentos suficientes para jogar até sem técnico. Não curto o Dunga, mas no fim, sempre nos rendemos à seleção canarinho. Abç;
0
 
 


Minha seleção não seria esta, mas dentro do perfil traçado pelo Dunga, ele foi coerente em sua convocação. Poderemos dizer tudo dele, menos que foi incoerente e que não cumpriu o que disse. Acredito sim no hexa e vou torcer por ele. Pode colocar 100 técnicos convocando uma seleção brasileira e acredito que poucas serão iguais. Que esta seleção não retrata o futebol brasileiro, todos sabemos. Mas que o futebol brasileiro hoje tb não é mais aquele dos sonhos em termos de criatividade e técnica, todos tb sabemos. A vitória virá e Dunga não será tão endeusado como outros técnicos, não por seu profissionalismo´que é exemplar, mas tão somente pelo mau humor e pela falta de tato ao lidar com pessoas. Sds Alvinegras !!!
0
 
 


Tô contigo, Ricardo! Mas convenhamos que muito desa opinão contrária do povo deve-se ao próprio Dunga e a sua preventiva antipatia, pra não dizer complexo de perseguição! Técnicamente, nossa seleção não é a ideal, mas dentro da "filosofia Dunga" é isso que temos e resta-nos torcer a partir de 15 de junho!
0
 
 


Twitta aí!

Blogs Parceiros

Twittando...

Meu perfil


Arquivo

Feeds RSS


TERMOS DE USO | POLÍTICA DE PRIVACIDADE | SOBRE O LANCE ACTIVO 2.0 BETA | DENUNCIE| FALE COM A EQUIPE