Muito embora o futebol moderno privilegie o preparo físico, visando dotar os jogadores de um aprimorado estado atlético que combine resistência, velocidade e força - filosofia que desagrada sobremaneira os adeptos do chamado futebol-arte - volta e meia somos brindados com lances de puro talento, frutos de habilidade e ousadia, que resgatam o caráter de espetáculo ao esporte.
Mas a galeria de lances verdadeiramente inesquecíveis não é assim tão recheada. Até pediria que os amigos acrescentassem outros para complementar os que me vêm à memória: citaria primeiramente aquela defesa com as mão às costas do goleiro Iguita, em pleno Estádio de Wembley. Na minha opinião, uma obra-prima punk (se isso existe no futebol), combinando irreverência e bom-humor e encarado quase como uma heresia.
Temos também aquelas "ameaças" de levada do Garrincha, aquele gol após dois chapéus do Alex (hoje no Fenerbach), aqueles "quase" gols do Pelé: o corta-luz sobre o goleiro do Uruguai e aquele chute do meio-de-campo.
Já foi feito um gol de tiro de meta em Cascavel, foi lindo aquele gol do Nilmar, as pedaladas do Robinho, o elástico de Rivelino, a bomba do Branco, o balança-bebê do Bebeto, aquele gol do Carlos Alberto Torres no crepúsculo (como diria o Fiori) da Copa de 70, as "orações" do Marcelinho, sem esquecer de alguns do Fenômeno, lances do Gaúcho, e tantos outros.
E agora, coroando esse final eletrizante de Brasileirão 2009, o Diego Souza acerta aquele canhonaço de primeira, do círculo central, e faz o golaço que poderia ser chamado de jornada nas estrelas. Tal como nos inusitados saques do Bernard, a bola faz toda aquela viagem e provoca longos segundos de profundo silêncio e suspense, e então, caindo dentro do gol à frente de um atabalhoado zagueiro, a torcida explode num barulho infernal.
Foi lindo! Esperamos que muitos outros aconteçam...
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