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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
MURICY: INVENÇÕES LIMITADAS
Por razões completamente distintas, Mano Menezes e Muricy Ramalho enfrentam o mesmo problema: que time escalar? Mano está queimando as pestanas para escolher a formação ideal, pinçando em um elenco numeroso e de boa qualidade. O mesmo prazeiroso problema, aliás, que Ricardo Gomes encontra no São Paulo.
Muricy, por sua vez, arranca os cabelos a cada necessidade de efetuar substituição, pois a qualidade das peças de reposição é considerada inferior à dos titulares, e, por enquanto, não passa de especulação a vinda de reforços importantes.
Resta ao aflito técnico palmeirense, portanto, até improvisar em algumas circunstâncias e, acima de tudo, mostrar criatividade! Certamente se sairá bem, por ser experiente e vencedor no futebol, além do que, no quesito criar, as mentes tupiniquins batem um bolão!
Pelo menos no carnaval e no futebol, já que no terreno das invenções convencionais até nossas mais festejadas conquistas despertam controvérsias. Mesmo entre nós, brasileiros! Quem não se lembra de quando o Diogo Mainardi, destilando um venenozinho (embora com boa dose de razão), esculhambou com nosso legítimo verde-amarelo "orelhão"!? Denunciou que, em vez de diminuir o barulho da rua como fazem as cabines telefônicas do mundo inteiro, o orelhão, funcionando como uma grande orelha, tem a singularidade de captar os ruídos externos e amplificá-los!
Ironizou ainda outras pérolas da engenhosidade nacional, como a lambada eletrônica, a caipirosca engarrafada e, audácia maior, cometeu a quase heresia de dizer que a grande proeza de Santos Dumont foi conseguir inventar o avião três anos depois de o avião ter sido inventado pelos irmãos Wright!
Claro que não podemos comparar fatos dessa magnitude com pueris experiências futebolísticas.
Então, isto posto, vamos torcer para que as "invenções" do Muricy não transcendam os limites da normalidade e surtam os efeitos positivos esperados por todos os palmeirenses.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
CORINTHIANS DEMITE PREPARADOR FÍSICO E CONTRATA GERIATRA!
Pronto! Bastou o Corinthians fazer contratações importantes, repatriando jogadores famosos no mundo todo, monstros sagrados que há décadas (?) enobrecem o esporte bretão, e já começaram a pipocar as piadinhas infames, provavelmente engendradas por invejosas mentes de torcedores palmeirenses e são paulinos.
Só porque a média de idade da centenária esquadra mosqueteira, ou melhor, só porque a média de idade da esquadra mosqueteira, no ano do centenário, será próxima de meio século, esses desocupados e agourentos torcedores adversários já estão divulgando uma (certamente falsa) lista de exigências dos experientes atletas, laconicamente intitulada "PRODUCTOS PHARMACÊUTICOS", determinando a compra de fraldões geriátricos, unguentos para dores de lumbago, elixir paregórico, pílulas de vida do Dr. Ross, emulsão de scott, rum creosotado (aquele mesmo dos indefectíveis cartazes nos bondes (segundo pessoas da época): "Veja ilustre passageiro o belo tipo faceiro..."), Corega, bismuto, limonada purgativa, cataplasmas para reumatismos, poções diversas e emplastros.
Convenhamos que são artigos farmacológicos um tanto fora de moda (e das prateleiras), mas poderia ser pior se os anciãos - assim maldosamente chamados pelos pobres coitados e despeitados palestrinos - tivessem incluído na lista uma regular provisão de brilhantina glostora, sabonetes eucalol ou lifebuoy.
Mas deixa estar! Esses adversários de olho gordo metidos a besta não perdem por esperar! Os próprios novos (velhos) atletas corinthianos já declararam, numa linguagem tão usual no meio futebolístico: "Na porfia é que a porca torce o rabo! A cobra vai fumar!".
E a Fiel massa alvi-negra já ensaia novos gritos de querra: "Ex, ex, ex - À toda, prá cima deles!". Mas, por via das dúvidas, já prepararam um outro, com certeza mais adequado e prudente, o trivial "Onge, onge, onge - Devagar se vai ao longe!"...
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O GOL "JORNADA": INESQUECÍVEL
Muito embora o futebol moderno privilegie o preparo físico, visando dotar os jogadores de um aprimorado estado atlético que combine resistência, velocidade e força - filosofia que desagrada sobremaneira os adeptos do chamado futebol-arte - volta e meia somos brindados com lances de puro talento, frutos de habilidade e ousadia, que resgatam o caráter de espetáculo ao esporte.
Mas a galeria de lances verdadeiramente inesquecíveis não é assim tão recheada. Até pediria que os amigos acrescentassem outros para complementar os que me vêm à memória: citaria primeiramente aquela defesa com as mão às costas do goleiro Iguita, em pleno Estádio de Wembley. Na minha opinião, uma obra-prima punk (se isso existe no futebol), combinando irreverência e bom-humor e encarado quase como uma heresia.
Temos também aquelas "ameaças" de levada do Garrincha, aquele gol após dois chapéus do Alex (hoje no Fenerbach), aqueles "quase" gols do Pelé: o corta-luz sobre o goleiro do Uruguai e aquele chute do meio-de-campo.
Já foi feito um gol de tiro de meta em Cascavel, foi lindo aquele gol do Nilmar, as pedaladas do Robinho, o elástico de Rivelino, a bomba do Branco, o balança-bebê do Bebeto, aquele gol do Carlos Alberto Torres no crepúsculo (como diria o Fiori) da Copa de 70, as "orações" do Marcelinho, sem esquecer de alguns do Fenômeno, lances do Gaúcho, e tantos outros.
E agora, coroando esse final eletrizante de Brasileirão 2009, o Diego Souza acerta aquele canhonaço de primeira, do círculo central, e faz o golaço que poderia ser chamado de jornada nas estrelas. Tal como nos inusitados saques do Bernard, a bola faz toda aquela viagem e provoca longos segundos de profundo silêncio e suspense, e então, caindo dentro do gol à frente de um atabalhoado zagueiro, a torcida explode num barulho infernal.
Foi lindo! Esperamos que muitos outros aconteçam...