Essa semana alguns jornais repercutiram uma frase atribuída a Abel Braga, às vésperas do primeiro confronto, em casa, das quartas-de-final da Copa Libertadores, contra o Olimpia do Paraguai. Versejou o técnico: ¨nesse jogo, é melhor empatar de 0X0 que ganhar de 2X1¨.

Sim, Abel Braga, o técnico de um dos maiores e mais caros elencos do futebol brasileiro, com várias e variadas opções, vai para o jogo em casa, contra um time paraguaio, preferindo empatar que ganhar. Triste futebol brasileiro.

Sim, amigos, e ainda tem analista sem entender a 19ª colocação do nosso futebol no ranking da FIFA ( e em quinto na América do Sul) . Alegam a falta de critério na análise dos vovôs. Mas, certo ou errado, o peso é o mesmo para todos os países. E hoje estamos, aos olhos do mundo, fazendo papel de coadjuvante.

O futebol evolui, as táticas e opções de montagem dos times dentro do quadrado verde sofrem variações constantes, vemos equipes praticando um futebol bonito de se ver, as copas europeias mostram novas seleções e clubes surpreendendo com o padrão de jogo... E nós aqui no mesmo marasmo.

A quantas andam nossos ¨ professores ¨ ? O que temos visto de novidade no País do Futebol (?!?!).

O último Campeonato Brasileiro teve como campeão o Fluminense de Abel Braga, o homem que desvirtuou a matemática.

Novidade? Um esquema em que o contra-ataque era a arma principal, tendo como válvula de escape o jovem Welington Nem. O craque do time? O goleiro, Diego Cavalieri. A torcida do Flu passou a competição toda sofrendo tremendos sustos até o final.

Luxemburgo, o homem de CINCO conquistas de Brasileirão, teve seu momento principal em 2003, com o Cruzeiro, e como último título relevante o de 2004, com o Santos. Nos últimos anos não conseguiu transformar em sucesso seus conceitos acadêmicos proferidos em frases empoladas com a língua presa que lhe caracteriza. Parou no tempo.

Muricy, campeão da Libertadores em 2011 e da Recopa no ano passado, vem sendo duramente criticado pela torcida e especialistas. Seu estilo turrão e ignorante já não se sustenta com conquistas, o que tornava a falta-de-educação o charme de seu trabalho. Sem Neymar, teria conquistado a América recentemente? Dúvida. Alguma novidade tática? Sem dúvida: NÂO!

Felipão ganhou a Copa do Brasil ano passado e, ao mesmo tempo, rebaixou o Palmeiras. Um elenco limitado minou seu trabalho, é fato. Mas não é nessas horas que o técnico tem que sobressair? O alto custo desses medalhões deveria prever campanhas dignas com elencos menos qualificados.

Agora a Família Scolari vestirá verde-e-amarelo, e, com discurso ufanista, tentará mostrar algo de novo com uma comissão técnica com ideias do século passado.

Felipão...Muricy...Abel Braga... Luxemburgo...

Brasil, 19º no ranking da FIFA.

Precisa explicar?
Daqui a exatamente dez dias teremos o início do Campeonato Brasileiro. É o verdadeiro início, em nível nacional, da temporada de futebol no país do futebol.

Podemos considerar assim porque a Copa do Brasil ainda não colocou as equipes de elite frente a frente, e os campeonatos estaduais teimam em não se fazer respeitar pelo torcedor, afugentando-o cada vez mais do lugar onde ele adora estar: as arquibancadas dos estádios, hoje transformadas em cadeiras.

No domingo, 26, em Brasília, teremos um Santos X Flamengo, reabrindo o Estádio Mané Garrincha (desculpe, D. Fifa), diante de um público ávido pela visita dos times de fora do estado-distrito, biscoito fino servido a quem só tem como opção Sobradinho, Ceilândia, Gama e afins, com todo respeito ao futebol candango.

Uma carga de 69.200 ingressos será colocada à venda. Preços: entre R$ 160,00 e R$ 400,00. Isso mesmo, serão esses os preços disponíveis nas bilheterias do estádio.

O novo conceito de arena, na visão dos dirigentes que gerenciarão essas aparelhagens, impõe exorbitâncias como essas àqueles que, a partir de agora, pretendem acompanhar as campanhas de seus times nas cadeiras acolchoadas dos novos templos.

Os românticos do futebol, antigos frequentadores da geral do Maracanã, do tobogã do Pacaembu, da coreia do Beira-Rio, da precocemente detonada avalanche do Imortal do Olímpico, serão substituídos por senhores engravatados, que vibrarão com os gols de seus times através de sorrisos de canto de boca, entre canapés e bebidinhas nos camarotes.

A proteção das cadeiras de luxo auto-propulsoras das arquibancadas, dos sanitários com água quente movidos a controle remoto, das catracas digitais e a falta de alambrados entre o público e os atletas será feita através do processo de seleção natural do poder aquisitivo dos frequentadores.

Esse será o legado deixado pelos homens da FIFA e seu torneio caça-fortuna: transformar o futebol em esporte para poucos. Afastar de seu ambiente aqueles que o movem pela paixão, o torcedor que, ao longo do tempo, fez, com sua presença, a história dos gigantes do país.

Santos X Flamengo é o cartão de visitas dessa nova era. Despeçam-se, pois, dele, o nosso esporte maior. Ele já não nos pertence.

Infelizmente.
Você se sente tentado a assistir a um filme que é sucesso de bilheteria?

A experimentar um produto pelo fato de ele ser um campeão de vendas?

A comprar um carro por ele ser o mais vendido do ano?

A assistir a uma novela, gênero que não curte, só porque ela é muito comentada na mídia?

E o que esses fatos têm em comum?

O PÚBLICO.

Sim, todos atraíram as atenções por estar em evidência em função de arrastar grande público.

E quem é o responsável em atrair para esses produtos a atenção do público?

O MARKETING. Sim, o marketing.

Cabe a esse segmento fazer com que o produto se aproxime do público, seja visto, conhecido, consumido.

No futebol, produto valioso e tão mal explorado, o marketing deveria agir segundo esses preceitos. Mas não o faz, pois, aparentemente, o explora sem visar ao público.

Aumentando a frequência de público nos estádios, mais gente teria contato com a marca do patrocinador da camisa, com os estandes de venda de produtos do clube, gerando maior faturamento.

Mais público, mais vendas no entorno do estádio, maior faturamento do comerciante das cercanias, gerando potenciais frequentadores e/ou consumidores, pela facilidade de acesso ( vizinhos, certo?)

Mais público, maior motivação por parte dos ¨artistas¨, os jogadores ( quem quer se apresentar para uma plateia vazia ?), em consequência, mais qualidade no espetáculo.

Mais público, maior atenção do telespectador da poltrona, embevecido com a imagem do bailado das bandeiras e cânticos das torcidas, criando nele a vontade de participar pessoalmente daquela festa, viver o calor humano emanado daqueles apaixonados, aquele clima que só a pulsação da arquibancada oferece.

Mais público, mais CONSUMIDORES, matéria-prima que é a razão de ser do marketing, o alvo, o objetivo.

Baixar o preço dos ingressos seria a PRIMEIRA iniciativa para gerar mais público.

Isso é MARKETING. Se não for, então...

O QUE É MARKETING?
Baseado em comentário do amigo missori.