A boa técnica brasileira foi vendida para a mania de formar atletas, gigantes da velocidade e, sobretudo, craques mentirosos. Não que eu seja um saudosista, que seria falso, aos meus 21 anos de idade. Não vi muitos craques jogarem. Apenas os acompanhei pelos vídeos de ontem, no bagaço do preto e branco.
Mesmo assim, me lembro bem do fumante Zidane. O maior gênio, na minha concepção, da elegância da bola do passado. Daqueles campeões do mundo que não tentaram ser Bolt. Coloco nesta linha muita mais, vide Romário, Ronaldo, Xavi, Iniesta e Messi. Estes que, ao mesmo tempo atletas, sobressaiam pelo algo a mais.
Aquela pitada de tinta nova na ferradura gasta. Aquela borda recheada no mundo de trilhões de corredores.
O meia Lucas, do São Paulo, foi vendido ao PSG por 108 milhões de reais.
Lucas, que até outro dia era mentira de um maior que ele, Marcelinho Carioca, apenas pela aparência física.
Lucas, que hoje é mais um reserva da seleção olímpica do Brasil.
Lucas, que é só o terceiro melhor jogador do time paulista atualmente.
Lucas que se acha o último do pacote.
Lucas:
Maior transação da história do futebol nacional.
E a Europa em crise financeira. A Grécia se debatendo para se manter nas contas atrofiadas pelo dinheiro. Espanha, polo do futebol mundial, na boca do desgaste. França, não no mesmo precipício, mas em um buraco bem fundo.
O futebol também está em crise de fome técnica. Só que esta não depende de bolsa de valores. Impérios políticos. Dinheiro público.
Não.
Até porque, se fosse assim, só Barcelona seria digno de ser intitulado como um time do jogo.
Santo poço da bola, que afundou até o Brasil.
As loucuras, mesmo assim, continuam sendo extrapoladas. Ao ponto de Lucas (que poderia ser José, Manuel...) valer quase o que Ronaldo custou ao Real Madrid em 2002. Naquele tempo, o Fenômeno foi vendido por 112,6 milhões de reais.
Ronaldo, campeão do mundo com a amarelinha.
Ronaldo, várias vezes o melhor do planeta.
Ronaldo, o maior artilheiro em Copas do Mundo em todos os tempos.
A diferença de enormidade é incomparável.
E da loucura do tempo também.
Que seja santo o Deus que salve a insanidade dos dirigentes franceses.
O tricolor, por outro lado, agradece.
Como dizem os gaúchos:
‘tri feliz'.
Por ainda ter Rogério Ceni e Luís Fabiano.
Os dois, dos três, que de fato podem decidir alguma coisa.
Obs:
Quanto vale um Neymar ou um Messi?
Dinheiro na mão é vendaval...
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