O Pacaembu estava lotado. A noite não era das mais quentes. Nem o gênios dos craques da atualidade, fez o que sempre faz. Não simplesmente por demérito do compasso das suas pernas, mas sim pela plenitude do bom futebol daquele que até agora foi o maior das Américas em 2012. Que me perdoe aquela estrela que me dizia que o Corinthians nunca venceria uma Libertadores.
Aquela mesma que eu zombei alguns dos meus amigos por indeterminado tempo. Nem o fim do mundo, que os maias já dizem que não chegará neste ano, apagará a luz de um time forte. Que sabe se defender. E melhor: marca atacando.
O céu não era mais iluminado, pois a noite já havia chegado. Pensei que os fogos não parariam lá em cima. E agora penso que quem deve estar explodindo em outros reinados é o doutor Sócrates. Sim, aquele mesmo que encomendou dos deuses um brasileiro na data derradeira de sua morte. Ainda que santista de menino, o ex-camisa 10 certamente está exclamando em seu novo rebanho com outro povo que cismou ir embora.
Um desses foi o meu avô materno. Espanhol de menino, alvinegro depois da criação. Era uma das raras pessoas que torcia para um rival, no caso o Palmeiras, para não ver o seu neto (eu) entristecido. Eu ainda não evolui o bastante para chegar neste ponto. E, três anos depois, ele continua me ensinando o verdadeiro valor do esporte. Mesmo sabendo, de lá de cima, que eu não quero aprender.
Mas reconheço: foi merecido. Talvez sejam as duas palavras que representem uma campanha toda, que começa desde o gol do grande goleiro Cássio. Insisto: desde os tempos de Grêmio, ainda ‘fraldado' para a bola.
Nas imagens da televisão, vi uma nação de preto e branco. Não ligando para os outros que torciam contra. Em lágrimas soltavam todos os prantos do centenário sem a América no distintivo. Cai bem a frase que o paulista nunca precisou da Libertadores para ser Corinthians.
Nesta quinta-feira muita gente vai dizer que o Neymar é pipoqueiro. Nos momentos decisivos ele não aparece. Ou que Ganso é comum na lagoa deste jogo todo. E na verdade não é nada disso.
A marcação dos finalistas foi implacável. Quase como a bola rolada no Pacaembu molhado de prantos, intocável. Não só de um, ou 30 e poucos mil. Neymar é melhor que qualquer outro brasileiro que já arriscou algumas peladas, que tomou uma ou outra cerveja, vez por outra. Na várzea ou no Maracanã.
Talvez tenha faltado à Borges e Kardec mais cara para bater.
O Corinthians foi Corinthians. Ponto e pronto.
Tite mereceu. Boa gente, humilde. Bom treinador, além de tudo.
E o timão nunca foi tão timão.
Agora nos estádios da história.
E fico feliz, sem demagogias. Pelo meu avô e por você, corinthiano, que, como eu, respeita o futebol e o que melhor jogou.
Parabéns, finalista!
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