domingo, 17 de março de 2013


Santos 0 x 0 Corinthians


Por BRUNO BARBOSA, às 17h57

 

Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

  Neymar de um lado, Alexandre Pato do outro.  Além destes dois jogadores, Santos e Corinthians  tinham muito mais. A expectativa era de um  clássico agitado no Estádio do Morumbi, pelo  Campeonato Paulista. Não foi.

 

No Santos, a agilidade de Montillo, a experiência de Léo, a recuperação e rapidez de Arouca e as eficiências de Marcos Assunção e Cícero.


O Timão contava com o oportunismo de Guerreiro, a calma de Danilo, a movimentação de Renato Augusto e a segurança de Paulinho e Ralf.


Em pouco tempo de partida o Corinthians foi mostrando que o lado direito do Santos, esquerdo do Corinthians, era o caminho para chegar ao gol. Por ali caía Renato Augusto, que pintava e bordava contra a marcação do santista Galhardo, muito mal na partida.


O Neymar não era o Neymar. Era um jogador comum que, apertado por mais de um adversário na marcação, principalmente pelo zagueiro Gil, não criava nada de interessante. Se movimentava, queria jogo, mas o jogo não o queria. Sofreu algumas faltas, caiu duas vezes na área e levou amarelo em uma das quedas. Tentou forçar o pênalti.


Em uma análise geral, o Corinthians foi o time que teve mais chances claras de gol. Paulinho, no primeiro tempo, teve uma grande oportunidade após lance de Pato; já na entrada da pequena área, preferiu carregar a bola ao invés de arrematar de primeira.


Galhardo, que fora substituído no intervalo por Bruno Peres, tirou uma bola que seria empurrada para as redes pelo corintiano Guerreiro, dentro da pequena área.


No segundo tempo as melhores oportunidades de gols também foram do Corinthians. Renato Augusto, em uma delas, saiu na frente do goleiro Rafael e tentou encobri-lo, mas a bola não entrou.


Aos 34 minutos, em uma falta que só não foi perfeita porque a bola não entrou, Marcos Assunção exigiu excelente defesa de Cássio.


O número de passes errados do Santos era assustador. Muricy Ramalho, à beira do campo, dava broncas. Ambas as equipes também não exploraram os chutes de longa distância.


domingo, 3 de março de 2013


Em entrevista, Vampeta afirma: 'Não chegamos à final da Libertadores de 2000 por preciosismo'


Velho Vamp falou sobre a experiência de ser dirigente e admitiu não ter visto trabalho do ex-técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes

 


Foto: Bruno Barbosa


Extrovertido, gozador e sempre de bem com a vida. Foi desta maneira que o baiano Vampeta, campeão do Mundial de clube da FIFA com o Corinthians em 2000 e da Copa do Mundo com a Seleção Brasileira em 2002, ficou marcado durante os 22 anos em que atuou profissionalmente. Agora vice-presidente do Grêmio Osasco, o ex-volante não gosta de ser chamado de cartola, mas adora manter a irreverência na ponta da língua, como provou em entrevista exclusiva.


- Aquele gol contra a Argentina (em 2000, pelas Eliminatórias para a Copa de 2002) foi de peito de pé. Esse negócio de bico é história do mentiroso do Galvão Bueno - brincou.


Na infância, em Nazaré das Farinhas, Vampeta torcia pelo Bahia. Aos 14 anos, foi para Salvador jogar no Vitória, clube pelo qual foi revelado e se diz eternamente grato. Apesar de levar a Boa Terra no sangue, não esconde que no coração leva o Corinthians, clube pelo qual marcou 17 gols e virou ídolo.


- Cheguei ao Corinthians em 98. Com o tempo fui virando corintiano e fiz uma promessa que não jogaria no São Paulo, Palmeiras e Santos. Fui para o Japão (acompanhar o Mundial de clubes de 2012) e senti a sensação de ser torcedor. Ser corintiano é uma coisa diferente.


Dono de sete títulos pelo clube do Parque São Jorge, entre eles dois Brasileiros, em 98 e 99, uma Copa do Brasil e um Rio-São Paulo, ambos em 2002, o Velho Vamp brinca que se tivesse conquistado a Libertadores de 2000, da qual foi eliminado pelo Palmeiras na semifinal, não sobraria história para a nova geração contar.


- Nós não chegamos àquela final por preciosismo. Botamos vantagem e você não poderia vacilar com Marcos, César Sampaio, Alex e Evair. Tivemos a chance de fazer cinco, seis gols, mas aí o jogo foi para os pênaltis e houve aquela loteria.


Vampeta analisou a tragédia que ocorreu no jogo do Corinthians contra o San José (BOL), pela Libertadores, onde um torcedor boliviano de 14 anos morreu após ser atingido no olho direito por um sinalizador.


- Vejo como uma fatalidade. Creio que a pessoa que atirou o sinalizador não teve a intenção de acertar alguém do outro lado. São coisas que deixam a gente triste.


Na carreira, Vampeta teve três passagens por grandes clubes da Europa: PSV Eindhoven (HOL), onde conheceu Ronaldo Fenômeno, Inter de Milão (ITA) e Paris Saint-Germain (FRA). Pela Seleção Brasileira, além do título da Copa do Mundo de 2002, Vampeta consagrou-se campeão da Copa América de 1999.


Confira a entrevista com Vampeta:

Você solicitou o empréstimo de Zizao, do Corinthians, para jogar pelo Grêmio Osasco. O Afonso Armonia, coordenador da base do Timão, disse que você apenas brincou. O que houve, afinal?


Vampeta: O Zizao foi oferecido pelo Corinthians, pelo próprio Afonso. A gente tem um lateral-esquerdo no Grêmio Osasco e o Corinthians estava interessado, então o Afonso disse: "Você me libera o William e eu te libero o Zizao". Aí eu respondi: "Fechado". Mas se houve brincadeira foi da parte do Afonso, porque eu aceitei. Só que o empresário do Zizao disse que nem fudendo ele iria jogar no Grêmio Osasco.


Como está sendo a experiência de ser vice-presidente do Grêmio Osasco?


V: É mais uma colaboração. Eu não me preparei para ser cartola. Me chamaram para um projeto para tentar ajudar o município de Osasco a ter um time na primeira divisão e eu passo aquilo que eu aprendi durante 22 anos como atleta profissional de futebol. Mas não existe essa história de ser cartola, apenas me contrataram para tentar ajudar e já estou há três anos lá. Só passo aquilo que aprendi na bola.

Como que você avalia a preparação da Seleção Brasileira para a disputa da Copa das Confederações?

 

V: Vou ver melhor agora com Felipão, porque com o Mano Menezes eu não vi trabalho nenhum. Ele só fez merda e nós vimos aqui (no Brasil) quando a Seleção foi vaiada, pois não colocou Luis Fabiano. Então a Seleção tem de ganhar confiança de novo.


sábado, 2 de março de 2013


Faltei à aula de Zico


Por BRUNO BARBOSA, às 19h52

 


Foto: Reprodução/Site oficial do Flamengo

 

É, não consegui acordar a tempo. O atraso não ocorrera por questões de horas, minutos ou segundos; foi em anos, um atraso de 23 anos.

 

Não por minha culpa, mas sim porque o destino não deixou.

 

Quando finalmente cheguei à sala de aula, em 28 de agosto de 1990, o professor Zico, que chegara ao colégio do futebol em 1967 para lecionar, já tinha ensinado tudo e mais um pouco.

 

Perdi suas explicações, por exemplo, de como chutar com a perna direita, com a perna esquerda, dominar a bola no peito, na coxa, dar toque de calcanhar, de peito de pé. Tudo.

 

As aulas, irrecuperáveis, eram explicadas somente na prática. As teorias não eram com Zico.

 

A lousa utilizada por ele era o campo. Sempre gostava dela verdinha e sem desníveis, perfeita para que ele pudesse traçar suas jogadas geniais, como suas canetas nos adversários e os chapéus, sempre com seu giz branco, conhecido por ele como bola.

 

Em um destes traços na lousa, reparo que uma das últimas explicações do Mestre havia sido como cobrar faltas.

 

- Você perdeu a melhor parte - um colega me diz, rindo baixinho.

 

- É, eu sei - respondo, ainda com cabelo bagunçado e com cara de sono.

 

Mas, de fato, não sabia. Aliás, até hoje não sei. Só quem o viu jogar para saber qual era a sensação.

 

- Ele repetiu os gols várias vezes para nós entendermos como se faz. Disse que não importa o time contra o qual você esteja jogando, as faltas têm de ser sempre cobradas no ângulo - contou meu colega, já com semblante mais sério.

 

- Mas o que ele passou sobre os pênaltis? - sou eu questionando.

 

- Nos explicou que gênio também erra. Em seguida, bateu um pênalti contra a França, na Copa de 86, para provar. Ele disse que, na Seleção Brasileira daquele ano, lecionava com outros professores.

 

Mesmo assim, a vontade de tê-lo visto ensinar o povo a jogar futebol era grande, ainda mais depois que meu colega listou os mais importantes títulos conquistados pelo Galinho quando trabalhava no Flamengo.

 

- Vários. Campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes, quatro vezes campeão Brasileiro e vários estaduais.

 

Ali eu já não poderia fazer mais nada além de consolar.

 

Merecidamente, após todas as genialidades que ele fez pelo Flamengo e por aquilo que passou a representar para o clube, ganhou uma estátua na Gávea.

 

Parabéns, Zico!


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