
Por Kaio Esteves (@kaioesteves)
São tempos diferentes em um Brasil cheio de desigualdades sociais, concentração de riquesas e miséria. Nada ainda foi definitivamente extinto, mas a atual economia do país, em termos gerais, está totalmente evoluída perto do que se via há poucos anos. O brasileiro pode financiar seu apartamento, seu carro ou ter um investimento, sem o mesmo receio que tinha antes do Plano Real. Na época, antes da instauração do plano, a dívida simplesmente triplicava em menos de 10, 15 dias. A inflação era alta e somente os que já eram ricos podiam enriquecer ainda mais.
Esse parâmetro estendeu-se, naturalmente, para o esporte, mais precisamente o futebol. Os clubes conseguiram mais valor em suas marcas e investidores empolgados com o mercado aquecido, dispostos a investir e gozar de ver suas marcas estampadas na camisa do seu camisa 10 preferido comemorando um gol. Em 2011 um amontoado laranja tomou conta das camisas brasileiras com o Banco BMG. O banco mineiro patrocinou 31 agremiações do Brasil, dentre eles os principais da Série A daquele ano: América-MG, Atlético-MG, Cruzeiro, Coritiba, São Paulo, Sport Recife e Santos, fora outros como Palmeiras e Flamengo nas mangas da camisa. Este ano, a empresa decidiu sair do mercado futebolístico e não renovou com vários clubes da elite do futebol brasileiro.
A amostra de investimento e enriquecimento dos clubes também é clara pelas contratações. Seedorf, R10 (que agora é 49), Forlán, e muitos outros estão aí. Fora os patrocinadores dispostos a investir, os clubes ainda trouxeram nomes para pensar no marketing, no clube, no dinheiro. O projeto é interessante e funciona muito bem. Depois de Ronaldo Fenômeno, o Corinthians nunca mais foi o mesmo, mas onde o torcedor pode ganhar com isso?
Ingressos caros, camisas com preços abusivos e cada vez todo tipo de proximidade do torcedor com o clube, hoje, é pensada no dinheiro. Ninguém quer que o clube não cobre por seus produtos ou doe mercadorias, entendemos que ele vive disso. Mas, muitas vezes, o preço alto das coisas estimula na compra de uma camisa, um calção ou qualquer outro produto falsificado.
Culpamos os clubes, mas os patrocinadores de material esportivo também tem culpa por isso. Aliás, são os que mais têm. Usam preços acima da média por ter uma marca já criada como estereótipo de valor na cabeça do torcedor.
É concreto, é fato, e precisa ser repensado pelos clubes e todas as outras instituições esportivas, não só no futebol como em qualquer modalidade.