
A exatos 62 anos, o Brasil conheceu a mãe de todas as derrotas com a Seleção Brasileira de Futebol. Ao final de 90 minutos, viu uma sucessão de clichês caírem sobre as costas de um país: "A bola pune", "ninguém ganha jogo de véspera", "futebol se ganha em campo" e outros derivados passaram pela final da Copa do Mundo daquele ano.
Mesmo 62 anos, e cinco títulos mundiais depois, o fantasma do “Maracanazo” continua vivo na memória do futebol no Brasil. A Copa do Mundo pode chegar a cem edições, mais toda vez que se falar na maior decepção da história da competição (cuja próxima edição será novamente o Brasil), sempre se fará referência ao que aconteceu naquele fatídico dia 16 de julho de 1950, no maior do mundo.
O recém inaugurado, Maracanã, estava Completamente lotado - 174 mil pessoas, segundo dados oficiais da Fifa; 200 mil, segundo a imprensa da época.
A seleção canarinho dirigida por Flávio Costa havia vencido a Suécia por 7 a 1 e a Espanha por 6 a 1, já a Celeste havia empatado por 2 a 2 com os espanhóis e suado para vencer os suecos por 3 a 2, de virada, resultados que, além da vantagem do empate, davam ao Brasil um amplo favoritismo. Aquela não era exatamente uma decisão, e sim a última rodada de um quadrangular final.
Quando a bola rolou, no entanto, a história foi completamente diferente. O Brasil, jogando inteiramente de branco, dominou as ações, mais não conseguiu passar pelo bom goleiro Maspoli. O placar só foi aberto no segundo tempo, aos 2min, com um gol do ponta Friaça.
O título já era dado como ainda mais certo, assim como até bem antes da partida ter inicio, porém a multidão ensurdecedora que comemorava antecipadamente no Maracanã, primeiramente intimidou-se quando Schiaffino igualou o marcador para os vizinhos sul-americanos e em seguida calou-se, assim que Ghiggia virou o jogo para os Uruguaios, faltando apenas 11 minutos para soar o apito final.
Uma surpresa. Os uruguaios, jogando defensivamente, conseguiram frear a avalanche brasileira e aproveitar bem o contra-ataque, sagrando-se campeões do mundo e mostrando a gigante torcida que enchia o estádio que o único que morre de véspera é mesmo o peru.
Abatidos, os jogadores brasileiros não conseguiram reagir nos minutos restantes e viram o Uruguai ficar com o título. Barbosa teve de ouvir pelo resto de sua vida as críticas pelo erro no gol, e costumava dizer que sofreu a maior condenação que um brasileiro jamais cumpriu, já que o Código Penal impede que uma pessoa fique presa por mais de 30 anos - ele morreu em 1999, 49 anos depois do lance.
Como conseqüência daquela verdadeira tragédia, com nome (Maracanazo) e sobrenome (Ghiggia), que marcou profundamente o futebol brasileiro, o uniforme branco da seleção brasileira foi aposentado. A equipe só voltaria a jogar dois anos depois, estreando o uniforme amarelo que veste até hoje.
Todos davam como certa a conquista inédita, festa pronta e quando o juiz apitou, o choro foi quem virou o protagonista, mais não o choro de alegria, e sim o choro da dor da derrota. O silêncio era tão grande que se uma mosca estivesse voando por lá, ouviríamos seu zumbido, isso porque, apenas 3 três coisas nesse mundo foram capazes de calar o Maracanã: a voz de Frank Sinatra, a oração do Papa João Paulo II e o gol de Ghiggia.
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