segunda-feira, 30 de agosto de 2010


Uma rodada nada carioca...


Depois de termos vividos algumas rodadas de grandes euforias, nós cariocas amargamos uma rodada terrível, digna de esquecimento. No Sul o Fogão foi derrotado pelo placar mínimo, Flu ainda líder empatou sua partida em casa tendo desperdiçado um penalti, cobrado pelo Washington, e o Fla segue sua via-crucis, o time não se empolgou nem com a troca do comando técnico e permitiu uma virada espetacular do time da casa ja nos acréscimos. O Vascão, grande promessa de vitória com pompa e galhardia, não saiu do empate, novamente em um jogo apático, onde foi dominado pelo visitante, depois de um belo petardo extra-área do Zé Roberto, permitiu o empate num abafa que terminou com o próprio Fernando fazendo o que os atacantes adversários não conseguiam. Semáforo amarelo nos clubes. Será que a pilha esta acabando? Não creio. Óbvio que ninguem quer perder partida alguma, mas acho que em todos os planejamentos alguns tropeços são aceitáveis, ninguem tem a ilusão de terminar um campeonato tão longo e desgastante como esse de forma invicta. As posições de Flu e Bota são relativamentes tranquilas, posto que não perderam muito em suas posições, ja que o Flu manteve sua liderança isolada e o Bota ainda esta perto do 'primeiro pelotão' , ja que o G4, hoje em dia pode-se ler como 'G6'. O Fla ainda tem um lampejo de esperança na contratação da nova comissão técnica, mas (rivalidades a parte), não vejo muita possibilidade de avanços mais acentuados na tabela, com o elenco que tem acho que vai frequentar mais é o miolo mesmo. Agora o Vascão é que esta complicado, mesmo com o elenco quase que renovado, o PC ainda não conseguiu encontrar a melhor tática para a equipe. A lateral esquerda é uma incógnita. Os dirigentes inflaram o elenco de meias e dispensou outros tantos. O departamento médico tambem é um caos, jogadores que se machucam demoram a retornar as atividades, deixando o técnico sem opções. Um alento para os vascaínos e o PC: o Vascão não terá rodada no meio da semana (o jogo com o Corinthians foi adiado por conta do centenário deles), então vai ter tempo de pensar e encontrar a solução, porque não poderá contar com Nilton (suspenso pelo 3º cartão amarelo) e, possivelmente, o Felipe, por contusão.


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quarta-feira, 18 de agosto de 2010


Pensamentos: Náufragos


Lembrei-me de uma história que ouvi há muito tempo em um desses especiais de reportagem sobre homens que passam suas vidas dedicadas ao mar, o relato a seguir veio de um comandante de um navio cargueiro de grande porte:
“Estávamos em navegando em alto-mar quando um dos vigias deu o grito de alerta:
- Destroços a frente!
Corremos todos para os postos, porque esse alerta significava naufrágio. Como os destroços eram pequenos e ficavam à deriva não eram captados pelo radar e nem pelo sonar, por isso a busca teria que ser feita a olho nu. Ficamos atentos porque, onde há naufrágio, há náufragos e o mar estava um pouco agitado naquele dia.
Já estávamos a mais de quarenta minutos nesse estado quando outro grito nos chamou atenção, duas pessoas estavam passando pela borda da embarcação, quase os atropelamos. A tripulação olhava pra mim esperando uma ordem. Eu sabia que nada poderíamos fazer por aquelas duas pessoas, porque para retornar teríamos que fazer algumas manobras com o navio, que não vem ao caso explicar agora. Sendo assim a ordem que ouviram foi para desacelerar e seguir em frente. A decisão foi acertada porque logo encontramos o restante da tripulação naufragada... salvamos cerca de vinte pessoas.
Nesse momento da reportagem o homem se cala e baixa o rosto, o repórter tira-lhe o microfone, uma lágrima furtiva o delata, ele chora. O repórter consola-o:
- Foste um herói. Salvaste vinte vidas.
- É, mas, na minha mente só me lembro daquelas duas pessoas.”

Na mente dele e na minha...

Gostaria de conversar sobre dois pontos dessa história:
1º É nesses momentos que penso naquela frase “Quanto mais conheço os homens, mais amo os animais”, ora quem inventou essa frase, lógico é que não levou em conta a humanidade, mas a animalidade do ser. Quem pode dizer que se realiza vivendo ao lado de animais e isolado de outros seres humanos? Edgar R. Burroughs, quando reinventou o Adão, não conseguiu fugir da falta que faz a convivência com outros seres da mesma raça (Tarzan, mesmo diante da perplexidade com a sociedade humana só conseguiu se completar ao lado de outro ser humano – Jane – dando origem a sua própria sociedade), Aristóteles há muito tempo já definia: “O homem é um ser social e político por natureza”; claro que existem pessoas que se sentem felizes com seus animais de estimação, mas essas mesmas pessoas não ousam sair dos grandes centros urbanos, ao contrário, tentam compensar suas frustrações com outros relacionamentos que julgam perfeitos pra elas, ou seja, alimentando seu próprio ego com outra criatura inferior e submissa. Sendo assim, quero fazer notar na história acima que somente o ser humano seria capaz de algo tão grandioso a ponto de se sacrificar por outra criatura, sendo ela semelhante ou não.

2º Nesse ponto eu me prendo a história e faço coro com o comandante. Por um momento eu era uma daquelas duas pessoas e senti sua angústia, seu desespero por ver uma chance de salvação passar bem diante dele e nada poder fazer, não poder segurar-se no navio, não poder se aproximar das outras pessoas, não poder ter ao alcance a mão de um salvador, por um momento eu fixei-me no olhar dos tripulantes e vi a sua dor ao deixar pra trás um semelhante e o medo da morte eminente... confesso que também chorei.
As vinte vidas salvas devem agradecer a esses dois, pois foi graças a eles que foram salvos.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Para os não-ateus: o anel


Essa história eu contava aos meus filhos, quando eram pequenos:
“Era uma vez um casal que moravam em um sítio que o marido tinha herdado, porém eram muito pobrezinhos e o sítio ia se acabando aos poucos, a mulher, muito religiosa, sempre orava a Deus pedindo a graça de tornar o seu marido um homem trabalhador, apesar de ele ser um bom homem, tinha o defeito de ser muito preguiçoso.
Um belo dia quando eles voltavam da cidade avistaram na estrada uma senhora idosa, vagando sozinha. O homem parou e ofereceu ajuda a pobre aceitou carona até o ponto em que ela queria ficar. Com muita boa vontade o homem deixou-a em segurança e ia se despedindo quando ela lhe chamou e disse:
- Reconheço que és um homem de bom coração, em paga pelo favor dou-lhe este anel. Mas note bem, este não é um anel qualquer, ele é mágico e concederá ao seu portador um desejo. Mas antes de pedir pense bem porque será um desejo só, depois ele se desfará!
O homem retornou à sua esposa, muito eufórico e disse a ela:
- Mulher a senhora que ajudamos nos deu esse anel e disse que ele é mágico e nos concederá um desejo.
- Nossa que maravilhoso, então vamos pedir dinheiro pra acertar nossas dívidas.
- Não, disse o homem, é só um desejo, se gastarmos esse desejo pedindo dinheiro ele se acabará e nós não teremos outra chance. Guardemos o anel pra quando tivermos um desejo impossível pra nós.
- Mas como faremos então?
- Ora, muito simples trabalharei no campo e conseguiremos o dinheiro necessário.
E assim fez o homem, arou o campo, cuidou e colheu e vendeu na feira e conseguiu todo o dinheiro que precisava.
- Então peçamos um trator, pra ajudar na lavoura, disse a mulher.
- Não, se eu trabalhar mais um pouco no campo conseguirei comprar o trator.
E novamente foi o homem para o campo... e conseguiram comprar o trator.
- Bom, peçamos uma linda casa...
- Não mulher, é só um desejo, com o trator conseguiremos fazer a casa que quisermos.
E assim foram indo os dois, tudo o que a mulher pensava em pedir pelo anel ele conquistava com seu trabalho. Vieram os filhos, o anel foi ficando, até que ambos faleceram sem gastar o pedido para o anel.
- E esse anel que o papai sempre levava?
- Gostava muito dele, que seja enterrado com ele.
Como os filhos desconheciam o anel, ele se foi.

Na verdade o anel realmente era mágico, porém não da forma que pensamos.
Como é gostoso e mais fácil viver com Fé.


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