DIVAGAÇÕES
Sergio Pantoja Mendes
Segundo a imprensa inglesa, o futebol brasileiro acabou... Uma afirmação dessas dá o que pensar, quando se usa como medida de avaliação, as últimas conquistas e os últimos jogos disputados pelo time canarinho.
Com Dunga, vencemos uma Copa América jogando mal em alguns jogos e jogando muito bem em alguns outros, principalmente contra a nossa maior rival, a Argentina. Apesar da instabilidade do time, a brilhante atuação contra a Argentina, levaram torcida e mídia a dar a Dunga e a Jorginho, o "status" de grandes comandantes e a alguns jogadores de nível apenas razoável, o "status" de craques; a vitória, mascarou as nossas deficiências e a mesmice dos nossos treineiros.
Nas eliminatórias para a Copa 2010 e na Copa das Confederações, que também vencemos, nossas apresentações foram sofríveis e fomos sufocados varias vezes, por alguns selecionados medíocres. As principais exceções, foram as partidas contra a Argentina, nas quais jogamos como o verdadeiro Brasil deve jogar. A restrição a essas vitórias no entanto, fica por conta do momento que vivia a nossa maior rival; um time que naqueles períodos, estava em transição e que, como nós, não convencia.
A Copa do Mundo 2010, serviu para colocar os pingos nos "is" e defenestrar de vez, Dunga, Jorginho e alguns pseudo jogadores, do cenário futebolístico nacional. Chega então, a vez de Mano Menezes. Com o aval da CBF e a promessa de renovação e de resgate do verdadeiro futebol brasileiro, ele assume a seleção e o que vemos então? Vemos um time jovem mas pragmático e sem novidades quanto ao esquema e quanto a tática. Além disso, Mano mantém, como figurinhas carimbadas, jogadores como Lucas Leiva, Andre Santos, Daniel Alves, Robinho, Ramires e Elano, que não podem ser considerados maus jogadores, mas que estão longe de ser solução para qualquer equipe; são jogadores para times já prontos e embalados...
Perdido na tentativa de mudar, Mano faz convocações estranhas (Fred foi a pior delas), mas não se afasta, em nenhum momento, da armação clássica, com pelo menos um homem exclusivamente de contenção (Lucas Leiva) e outros dois volantes com grande poder de combate, mas com pouca capacidade de criação; Ramires e Elano. Os resultados então, não aparecem e como a equipe não corresponde e não é convincente, a mídia começa agora, a clamar pela presença de Ronaldinho Gaúcho, no selecionado brasileiro; outro engano. Ronaldinho Gaúcho não é mais solução para nenhum time...
A questão, quanto a convocação de Ronaldinho Gaúcho, é que todos estão se baseando, no momento vivido pelo Flamengo; a torcida que não enxerga ou não quer ver e a mídia, fazendo de tudo para valorizar a marca Flamengo. Esquecem eles (ou não querem lembrar), que o melhor do Flamengo (apesar dos gols e de uma ou outra grande jogada do Ronaldinho), tem sido o meio formado por Thiago Neves, Renato Abreu e Wiliam, além do excelente conjunto que o clube da Gávea conseguiu. Luxemburgo encontrou, quase que por acaso, uma escalação que deu certo, a partir de jogadores que conseguiram se complementar, em um casamento técnico de altíssima eficiência. Contando com um ótimo goleiro (mesmo que sem caráter), dois bons laterais/alas, um zagueiro central que tem limitações mas que no geral supre as necessidades e um quarto zagueiro muito bom (Angelim), o time formou uma zaga de grande competência. Principalmente, quando na proteção a essa zaga, aparecem o repatriado Airton, que é muito eficiente na função defensiva e tem uma razoável habilidade para sair jogando e quando junto a ele, estão Renato Abreu (que evoluiu muitíssimo, jogando como segundo volante) e Wiliam, que é, em minha opinião, o melhor "ladrão" de bola do Brasil, desde Denilson (meio campista do Fluminense na década de 60). Wiliam além disso, também evoluiu muito e hoje é um jogador excelente no
combate e eficiente no sair jogando. Essa retaguarda portanto, dá a Ronaldinho, tranquilidade para jogar e como ele tem muita força física, bate bem na bola e tem um ótimo passe, fica fácil aparecer como o grande nome do time. A verdade no entanto, é que o futebol que Ronaldinho vem apresentando hoje no rubro-negro carioca, é o mesmo futebol que ele já vem mostrando a muito tempo, mas que é muito pouco, para quem tem o nome e o salário que ele tem e principalmente, é muito pouco para torná-lo um protagonista.
Tivesse o Flamengo em um mal momento (e os seus primeiros jogos provam isso), Ronaldinho já estaria com o pescoço na forca. Portanto, não me venham falar em Ronaldinho, como solução para o nosso selecionado. A solução para o nosso futebol, passa, na realidade, pela mudança de mentalidade dos nossos treineiros, que tem que convocar e botar pra jogar, os melhores jogadores de cada posição, além de rever os seus conceitos quanto a armação dos seus times; apenas isso...
Como é possível que o Mano chame o Ronaldinho na próxima convocação, aguardemos pois a sua presença e principalmente, o seu desempenho dentro de campo, não contra um dos "gabões" da vida, mas sim contra uma daquelas seleções de ponta, do futebol mundial...
Com a palavra, Mano Menezes; com a bola, Ronaldinho Gaúcho...
Que o Brasil é o país do jeitinho, da impunidade e da corrupção, ninguém pode negar.
Do jeitinho, quando todos os poderosos do país, conseguem "jeitinhos" legais de burlarem as leis, de se locupletarem com o bem público e de não serem acusados e julgados, por nenhuma das suas mazelas.
É o país da impunidade e da corrupção, quando os nossos dirigentes políticos e autoridades dos três poderes de governo, comprovadamente, tramam, fraudam, manipulam, negociam vantagens pessoais, praticam o casuísmo, o nepotismo e alguns outros "ismos", tais como o empreguismo, o ajudismo, o socorrismo e principalmente, o cinismo.
Nunca, desde a proclamação, tivemos notícias de tanta roubalheira, tanta maracutaia e tanto cinismo, quanto nos dois últimos governos petistas. Aguardemos pois, o governo Dilma...
Em um exercício rápido de memória, podemos citar alguns dos casos mais conhecidos de suspeita de corrupção e de favorecimento no poder público, tais como o enriquecimento súbito de Fabio Luis Lula da Silva (um dos filhos do ex-presidente Lula), que de monitor de zoológico, tornou-se mega-empresário; o caso do mensalão (pelo qual ninguém até hoje foi julgado e onde todos continuam na vida política); o caso do propinoduto; as mazelas das grandes obras (ferrovia norte/sul, PAC, Copa 2014, etc); enriquecimento súbito de ministro de estado (Antonio Palocci); a crise do senado (envolvendo Jose Sarney, presidente da casa e ex-presidente da República); a venda de sentenças pelo judiciário; o escândalo do Ministério dos Transportes; as negociatas para impedir a criação de CPI's; a criação pelo executivo e pelo legislativo, de leis esdrúxulas; etc.
Como se não bastasse tudo isso, temos que conviver também, com a hipocrisia da mídia e dos nossos dirigentes esportivos.
Os nadadores Cesar Cielo, Nicholas Santos, Henrique Barbosa e Vinicius Waked, foram pegos no exame anti-doping, após a disputa do Troféu Maria Lenk, em maio, no Rio de Janeiro, pelo uso da substância "furosemida". Cielo logo manifestou-se, apontando a culpa para a Farmácia de Manipulação Anna Terra (Sta Bárbara D'Oeste-SP), que fabricava para os quatro atletas, a cafeína usada por eles como suplemento e que teria, provavelmente numa falha do processo de fabricação, permitido a contaminação do produto.
O médico Eduardo De Rose, fundador da WADA ( Agência Mundial Antidoping), rapidamente veio a público para, com a sua voz de vovó Donalda, inocentar os nadadores e condenar a farmácia. Isto, baseado em um laudo do Laboratório LADETEC (UFRJ) que, segundo ele, comprovou a contaminação da substância. Pelo que se sabe porém, ninguém teve acesso a esse laudo e a farmácia, suposta culpada pela contaminação da cafeína, não foi chamada para se explicar, perante a corte internacional que julgou o caso.
Uma coisa que me incomoda e deixa evidente a hipocrisia das pessoas ligadas a esses fatos, é o caso da também nadadora Daynara de Paula. Em abril de 2010, após excelente atuação no Sul-Americano de Medellin (na Colombia), ela foi flagrada no exame anti-doping, pelo uso da substância "furosemida" (a mesma de Cielo e dos outros). Como eles, Daynara também alegou que a cafeína que usava, havia sido contaminada no processo de fabricação o que, segundo o noticiário, foi confirmado pela farmácia da qual a nadadora era cliente. No entanto, mesmo assim, Daynara, contra quem nunca havia sido levantada qualquer suspeita, foi punida com 6 meses de suspensão. Por quê?
Outra coisa a me incomodar, é a severidade, para mim excessiva, do tratamento dado a alguns atletas, em comparação a outros; como é o caso da punição dada ao nadador Vinicius Waked.
Em 23/12/2009, Vinicius ganhou a medalha de bronze, na final de uma das competições do Troféu Open em SP. Após a disputa, ele testou positivo para a substância "isometepteno". O atleta, em sua defesa, alegou ter ingerido, sem receita médica, o remédio "Neosaldina", em cuja composição está o "isometepteno". Mesmo assim, acusado de negligência, o nadador foi punido com 2 meses de suspensão, iniciando o ano de 2010, fora de qualquer competição oficial.
Após a suspensão, Vinicius voltou às competições e este ano, juntamente com Cielo, Nicholas e Henrique Barbosa, foi outra vez flagrado em um exame anti-doping. Aí então, entra o uso de dois pesos e duas medidas e a hipocrisia dos nossos dirigentes, incluindo a nossa vovó Donalda, o médico Eduardo De Rose. Enquanto Cielo, Nicholas e Henrique foram absolvidos, Vinicius foi considerado reincidente e suspenso por um ano. Mas como reincidente? Se os outros três atletas, ingeriram exatamente o mesmo suplemento que ele e foram inocentados, recebendo apenas uma advertência (para que tenham mais cuidado), por quê Vinicius foi condenado? Será que existe nesta história, alguma coisa a mais, que não foi divulgada? Será, Dr. De Rose, que Vinicius estava mancomunado com a farmácia, para prejudicar os outros três? Sim, porque condenar Vinicius, em minha opinião, significa culpá-lo pelo doping dos outros três... Mas... Fico em dúvida... Quer dizer... Talvez... Quem sabe?... Sei lá, não sei...
Um dos jornalistas do Lance, em uma coluna desse jornal, chama o ex-jogador Zinedine Zidane de gênio e, comparando com ele, rotula o menino Paulo Henrique Ganso, como um aprendiz de Zidane, a quem o jornalista considera como o maior ou como um dos maiores jogadores, que viu jogar (não lembro bem das suas palavras).
Não sei se as pessoas são ingênuas, mal intencionadas ou simplesmente, cegas pelo preconceito ou pela idéia pré-concebida, mas segundo o colunista, Paulo Henrique "pode" chegar ao mesmo patamar do "gênio" Zidane. Como esse jornalista é brasileiro e vive no Brasil, creio que, até por força do ofício, ele já tenha visto jogar o garoto do Santos. Além disso e também por força do ofício, ele tem a obrigação de conhecer toda a carreira de Zidane.
Este jogador, surgiu profissionalmente, jogando pelo Cannes (1988/1992) e daí saindo para o Bordeaux (1992/1996). No ano de 1996, transferiu-se para o Juventus da Itália, onde ficou até 2001 indo então para o Real Madrid. No clube espanhol, jogou até 2006 e na seleção francesa, jogou entre 1994 (1ª convocação) e 2006. Sempre foi considerado um jogador de bom nível, mas só foi fazer sucesso na temporada 1997/1998 e após a final da copa de 98, entre França e Brasil, quando teve um bom desempenho jogando contra a nossa seleção, ainda debilitada e ainda em choque, pelo problema que envolveu o atacante Ronaldo (Fenômeno), horas antes da partida decisiva. Contava Zidane nessa época, já com 26 anos de idade e antes dessa copa e principalmente, antes desse fatídico jogo, ninguém sabia quem era Zidane, a nível mundial. Como então chamar de gênio, um jogador que só começou a demonstrar um nível técnico mais alto, com essa idade e nesse período? Como compará-lo (chamá-lo de gênio é isso) a Garrincha, a Pele, a Maradona, a Reinaldo, a Platini, a Romário e a Ronaldo? Zidane, pelo estilo elegante mais do que pela técnica, pode no máximo e com um "que" de boa vontade, ser comparado a Didi e a Ademir da Guia. É heresia, compará-lo a Paulo Henrique Ganso. Este menino, é o maior talento nato surgido no futebol brasileiro, depois da era Romario/Ronaldo. Como já disse aqui antes, Ganso está acima de Neymar e de Messi, goste ou não, a crônica brasileira e goste ou não, Diego Maradona. Neymar e Messi são craques, mas em minha opinião, são inferiores ao Ganso; mesmo com todo o deslumbramento mal intencionado da mídia e mesmo com toda a aceitação sem reservas, da massa torcedora. Neymar e Messi, jogam futebol; Ganso, inventa futebol. Aos 19 anos já era craque e titular do time do Santos, portanto, como compará-lo a Zidane? Ao Zidane que durante a carreira, só jogou no nível dos craques, em uma temporada na Juventus e em uma temporada no Real Madrid...