por Vanessa R (http://jornalesportivo.wordpress.com/)
Faltam 100 dias para o primeiro jogo da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. O sonho pelo Hexa está cada vez mais vivo!
E para termos chegado até aqui, alguns heróis tiveram que dar o primeiro passo de nossa seleção, 52 anos atrás
Vamos viajar no tempo e relembrar a comemoração do Brasil pela primeira conquista mundial
Pelé, Pepe, Garricha e Bellini, são apenas alguns dos protagonistas desta história
Nosso ponto de partida é o jogo final contra os donos da casa. Aproveitem este conteúdo exclusivo
Copa de 58: Bastidores da Festa – A emoção da primeira conquista
Data da postagem – Capítulo – Assunto
03/03 Capítulo 1: Pré Jogo / Decisão: Brasil x Suécia
17/03 Capítulo 2: Despedida dos Suecos
31/03 Capítulo 3: Campeões partem rumo ao Brasil
07/04 Capítulo 4: Paradas do vôo
21/04 Capítulo 5: Chegada dos heróis
Pré-Jogo
A imprensa sueca antes da partida publicou uma foto do chute de Gighia no Maracanã dizendo em letras grandes “os jogadores brasileiros estão sob o peso de um temor e três faces: medo da chuva, do vice-campeonato, medo de perder a cabeça.”
A 20 quilômetros de Estocolmo estavam concentrados no retiro Turisthotel os jogadores brasileiros. Foram preservados das pressões psicológicas dos jornais, uma das lições tiradas da derrota de 1950.
Durante a semana nada de discursos, autógrafos ou promessas. O hotel do Brasil ficava na cidade de Hindas, lá os jogadores treinavam, descansavam e não recebiam visitas. Mas receberam apoio por meio de telegramas.
O goleiro campeão do mundo, Roque Gaston Maspoli, mandou uma mensagem “de todo el Uruguai” confiantes na vitória do Brasil. Outro telegrama, vindo da Alemanha, campeã de 54, trazia a assinatura de dezenas de torcedores, com votos de triunfo.
Uma mensagem em especial só foi entregue após o jogo, era da mulher de Nilton Santos que pedia: “Traga uniforme de campeão completo, fiz uma promessa”. Fora este apoio os jogadores só tiveram momentos de emoções na saída à Estocolmo. Crianças cercaram o ônibus e chorando diziam adeus, após 28 dias no Turisthotel à seleção brasileira partiu, rumo ao último duelo.
A seleção brasileira chegou ao estádio Rasunda sob os gritos de 50 mil torcedores suecos que cantavam e vibravam à espera da decisão. Neste clima as duas seleções entraram no campo, em baixo de garoa.
O Brasil perdeu no sorteio e entrou vestindo azul, enquanto a Suécia estava de amarelo. Um jornalista perguntou ao técnico Feola como recebeu aquela situação e ele respondeu “Nós não viemos aqui para disputar camisa, viemos para jogar futebol.”
Decisão: Brasil x Suécia
O jogo começou nervoso, logo aos 4 minutos a defesa do Brasil parou, Ledholm driblou dois zagueiros e marcou o primeiro gol para os donos da casa. Didi buscou a bola no fundo da rede e levou lentamente até o meio de campo querendo dar tranqüilidade à equipe do Brasil.
Esse gol parece ter dado novo espírito à nossa seleção. Mal a bola voltou a jogo, Didi lançou Garrincha que entrou pela direita e chutou forte, mas não acertou a rede. Aos nove minutos, Garricha cruzou para Vavá que empatou a partida. Um minuto depois Pelé acertou a trave. Já nos 26 min, Zagallo salvou o Brasil de levar a virada, Gilmar foi encoberto e ele tirou a bola de cima da linha.
Não demorou para o Brasil virar. Em lance idêntico ao do primeiro gol: Garrincha pela direita passou para Vavá pelo meio marcar mais uma vez. No segundo tempo o menino Pelé fez o gol mais bonito da Copa do Mundo! Didi lançou, o camisa 10 matou no peito, deu um chapéu em Gustavsson e bateu sem chances para Svensson defender. Golaço!
O Brasil dominou a partida, Zagallo dividiu com o zagueiro, ganhou e tocou na saída do goleiro marcando o quarto. Aos 35 min, Simonsson diminuiu para a Suécia. Mas os suecos não marcaram o último gol da partida.
Aos 46 minutos, Zagallo cruzou da esquerda, Pelé subiu e tocou de cabeça para o fundo da rede. O mais jovem jogador da copa ouviu ajoelhado as palmas que festejavam seu gol, Garrincha correu até ele e o abraçou. Fim de jogo.
O estádio foi ao delírio, os jogadores choravam e comemoravam. Vitorio Pozzo, heróico técnico da seleção italiana, campeã de 34 e 38 aproximou-se de Bellini que estava com a Taça, beijou-a e em lágrimas falou. “Minha velha amiga estás em mãos dignas. Foste conquistada por 11 campeões maravilhosos.”
FICHA TÉCNICA:
SUÉCIA 2 x 5 BRASIL
Data: 29/06/1958
Local: estádio Rasunda, em Estocolmo
Público: 49.737 pagantes
Juiz: Maurice Guigue (França)
Gols: Liedholm, aos 3 minutos do primeiro tempo; Vavá, aos 9 e aos 32 do primeiro tempo; Pelé, aos 10 do segundo tempo; Zagallo, aos 23 minutos do segundo tempo; Simonsson, aos 35 do segundo tempo; Pelé, aos 46 do segundo tempo
SUÉCIA: Karl Svensson, Orvar Bergmark, Bengt Gustavsson e Sven Axbom; Rejno Borjsesson e Sigvard Parling; Kurt Hamrim, Gunnar Gren, Agne Simonsson, Nils Liedholm e Lennart Skoglund. Técnico: George Raynor.
BRASIL: Gilmar, De Sordi (Djalma Santos), Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Técnico: Vicente Feola
Neymar tem sido um show à parte nos jogos do Santos e é evidente seu talento diferenciado. Ele tem forte personalidade e promete não abandonar seu jeito “ousado”, para a alegria dos torcedores e tristeza dos adversários. O craque parece mesmo “brincar” com a bola como uma criança, mas não tem medo de enfrentar o futebol de gente grande. No clássico contra o São Paulo deixou o goleiro Rogério Ceni no chão, após uma exagerada parada antes da cobrança de pênalti. Contra o Corinthians o jogador perdeu uma penalidade e ensinou a lição: isso não pode abater o jogador na partida. E ele não se abateu, neste jogo ainda deixou sua marca e participou de outro lance que gerou polêmica. O jogo estava parado quando o jogador do Peixe deu um chapéu em Chicão. O zagueiro do Corinthians ficou muito irritado e na coletiva chamou Neymar de “mimado e pipoqueiro”, a explicação do lance? “na hora deu vontade” simplificou o craque. Craque esse que como tantos outros sonha em participar da Copa do Mundo. Muito jovem para isso? O Rei do Futebol dá a resposta: “Se eu fosse o técnico da Seleção o levaria. Ele tem mostrado que pode estar entre os 23. Não é desculpa ele estar muito novo. Eu, aos 16 anos, já estava na Seleção.”
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