17h. Após o mecânico finalmente terminar de arrumar nosso carro partimos rumo ao Estádio do Morumbi. Eu e minha mãe. Com a fé de ainda encontrar ingressos, do carro não voltar a quebrar e de uma vitória do Tricolor, claro, com classificação. Como sempre, muito trânsito em São Paulo. Depois de uma hora, chegamos. Sendo que o caminho leva menos da metade do tempo. Estacionamento mais caro que a entrada, 70 reais. Cambistas por todo lado. Na bilheteria não havia fila, mas só vendiam cadeira. Com mais de 41 mil ingressos já vendidos era a opção que nos restava. Depois de esperar mais de uma hora na fila do portão 3, revista rápida do policiamento e a entrada estava liberada. No setor térreo Visa. Sentamos bem à frente do símbolo do clube que fica no gramado. Abaixo de um dos placares. Visão central do campo. Organizadores da partida de colete laranja passavam avisando que naquele local os torcedores deveriam permanecer sentados. Percebi um casal procurando por seus assentos. Fui até eles e expliquei que poderiam sentar em qualquer cadeira, pois os torcedores não estavam obedecendo aos lugares marcados no ingresso. Percebi então que eram estrangeiros. Agradeceram "gracias". Voltei então para onde estava sentada. Minha mãe conversava com um rapaz que estava por perto. Ele contava que veio do Pará para fazer compras no centro da cidade e aproveitou para ir ao jogo. Era sua primeira vez no estádio. O que eu notei logo que o vi. Era visível sua impaciência e felicidade de estar no gigante do Morumbi. Estava muito frio. Antes do jogo começar mostrei a ele a loja do clube e aproveitei para comprar um chocolate quente no café da livraria Nobel. Enquanto tocava o hino nacional todos ficaram de pé. Chegavam alguns penetras. Mas logo todos foram convidados a procurar um assento. Pouco mais de 50 mil torcedores estavam presentes. Mas o estádio estava aparentemente completamente lotado. Lindo de ver. O jogo seria tenso. Além de ganhar o Tricolor precisava torcer por uma combinação de resultados. Muitos já davam o time como eliminado da Copa Libertadores. Mas não os torcedores do Clube da Fé. Primeiro tempo nervoso. Para o time e para a torcida. O primeiro grito de gol não foi pelo Tricolor. E sim pelo Arsenal. Pois com o resultado favorável do time, o Tricolor só precisava vencer para seguir vivo na competição. Quando saiu o segundo gol do time argentino um garoto que assistia a partida ao nosso lado explodiu de felicidade. O grito da torcida esquentava a fria noite no Morumbi. O craque Ronaldinho Gaúcho tentava se destacar, pelo Galo, mas era bem marcado. Uma parada cardíaca no coração dos tricolores aconteceu. Quando o juiz marcou pênalti para o time da casa. A torcida já comemorava antes mesmo do goleiro artilheiro atravessar o campo para a cobrança. O ídolo Rogério Ceni não desperdiçou. Abriu o placar para o delírio dos são paulinos. Festa em campo e na arquibancada. Time e torcida jogavam juntos. Os organizadores do estádio demoraram para conseguir fazer todos voltarem aos seus assentos. A cada lance próximo da área todos se levantavam automaticamente. Quando Ademilson fez 2 a 0 a torcida já não se aguentava de felicidade e cada jogada se transformava em olé. Ao final da partida Ceni foi até o símbolo bem em frente a nós e comemorou a classificação para as oitavas de final da competição. Alguns jogadores jogaram suas camisas e nosso amigo do Pará conseguiu pegar uma. Mais uma partida marcante para a história do Tricolor e dos tricolores.
