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segunda-feira, 28 de setembro de 2009


MLB - Playoff Mode [OFF] (Los Angeles Dodgers)



Já classificado para a pós-temporada e prestes a alcançar o título da divisão Oeste da Liga Nacional (LN) – que deve acontecer no início desta semana – o Los Angeles Dodgers tem (quase) tudo para se dar bem em Outubro menos o mais importante: arremessadores. Não que eles não sejam de qualidade, mas estão passando por uma má fase desde a parada para o Jogo das Estrelas.

Em meio a tantos fatores, o mais importante nos playoffs é uma rotação consistente. Por mais que a equipe tenha o melhor ERA da LN (3.41 até 27/09), há muitas questões a serem resolvidas seja no 
bullpen ou entre os titulares. Exemplo: o bullpen tem 43 defesas de resultados (36 dessas do closer Jonathan Broxton), porém tem 25 defesas de vitórias desperdiçadas (segundo pior da LN).

Esta preocupação aumenta um pouco ao perceber que os arremessadores titulares não têm características para jogar até a sétima, oitava entrada. Como eles saem um pouco antes, o trabalho do 
bullpen cresce em responsabilidade. A aquisição de George Sherrill melhorou sensivelmente a capacidade do bullpen em segurar as vitórias quando entram em campo.

A diretoria dos Dodgers não parou por aí. Depois do fechamento da janela de transferências, o clube contratou Vicente Padilla (dispensado do Texas Rangers) e Jon Garland (ex-Arizona Diamondbacks) para reforçar a rotação de arremessadores que tinha perdido Hiroki Kuroda e Clayton Kershaw para o departamento médico. Neste meio tempo, a equipe sofreu com as más atuações do seu principal arremessador: Chad Billingsley (foto abaixo).


Até a metade da temporada, Chad era o melhor arremessador da LN com 9v e 3d e um ERA de 2.72. Desde então são 3v e 6d com os últimos dois jogos “sem decisão” – LAD perdeu ambos. Antes da pós-temporada chegar ele irá jogar contra o San Diego Padres amanhã (29/09) e terá o descanso ideal de cinco dias para ter condições de atuar na primeira partida dos playoffs. O que ninguém pode afirmar o certo, porque nem mesmo a comissão técnica da equipe não sabe como será a rotação de arremessadores.

A projeção apontava para Randy Wolf ser o titular no jogo um, mas ele vai encerrar a temporada na sexta (03/10) contra o Colorado Rockies e não teria o descanso normal para encarar a primeira partida dos playoffs. Se há incertezas acerca de quem será o primeiro titular, quanto mais em relação ao segundo, o terceiro...

A projeção é que Wolf e Billingsley fiquem com a primeira e a segunda partida – a responsabilidade da comissão técnica será em escolher a ordem do jogo de cada um. Kuroda e Kershaw já estão recuperados e vão disputar a terceira e quarta vaga; com a tendência do japonês estar no terceiro jogo. No início da temporada, Kershaw era a opção natural para o jogo dois, entretanto Joe Torre, treinador, não deve apostar tão alto no garoto de 21 anos contra os potentes adversários que os Dodgers poderão enfrentar.

É certo que Los Angeles não pegue o Colorado Rockies (caso o time se classifique na repescagem, pois, mesmo os Dodgers sendo primeiro da LN, não pode jogar contra uma equipe da mesma divisão). Resta então o Saint Louis Cardinals e o Philadelphia Phillies. Nesta semana final da temporada regular os Dodgers vão lutar para conseguir o melhor aproveitamento na LN e ter a vantagem do mando de campo em todos os playoffs da liga – 48v e 30d até 27/09 no Dodgers Stadium.


Colocando os Cardinals e Phillies dentro da perspectiva de um possível confronto, existe certo equilíbrio no ataque: PHI em 1º, LAD em 3º e STL em 7º na LN, categoria corridas marcadas. Os Dodgers têm uma estatística a seu favor que é o saldo de corridas (similar ao saldo de gols no futebol): +180, de longe, o melhor de toda a MLB. Agora, quando o assunto é arremessadores...

O favorecimento é claro tanto para Philadelphia quanto a Saint Louis. No caso dos Phillies, uma rotação com Cliff Lee, Cole Hamels, Joe Blanton e Pedro Martinez (sem contar J.A. Happ, provável novato da LN) é bastante sólida e difícil de igualar. Já a rotação do Cardinals tem um número impressionante contra Los Angeles nesta temporada – contando só Chris Carpenter, Adam Wainwright e Jole Piñeiro: combinados eles têm 38 entradas e apenas seis corridas contra os Dodgers com um ERA de 1.42.

Estes detalhes são fundamentais. A análise do beisebol se faz através de inúmeras estatísticas, porém quando se fala sobre playoffs duas coisas importam: quem são os dois principais arremessadores e quem é o 
closer. Mesmo com as suas cinco defesas desperdiçadas neste campeonato, Broxton é um closer confiável. O ponto de interrogação que marca os Dodgers está sobre os arremessadores titulares. Os tais nº1 e nº2 não estão definidos nem na mente de Joe Torre que, na sua 14ª pós-temporada seguida, deve saber como resolver esta dúvida e colocar o seu elenco pronto para mais uma campanha rumo ao título...

...em modo [ligado].


(GL) - Escrito por João da Paz



© 1 e 3 Getty Images
© 2 Lisa Blumenfeld / Getty Images

 


sábado, 26 de setembro de 2009


Artigo NFL, MLB - Diploma = Vitória?


 


Há alguma relação entre uma graduação universitária e eficiência no esporte?


É comum ver jovens largarem os estudos da faculdade, deixando a NCAA para trás e irem participar de ligas profissionais: NBA, NFL, MLB... Outros, porém ficam na sua 
alma mater* até o final do curso. Esses que saíram cedo voltam para terminar? Se conseguir o diploma, ele interfere na atuação em campo? Veremos...

Vamos abordar aqui a NFL e a MLB porque criam um antagonismo intrigante. Um esporte é considerado complexo (futebol americano), outro é considerado simples (beisebol). Esta afirmação “não-oficial” e muito comentada entre os praticantes e admiradores das modalidades é verdadeira? Os números mostram que sim.

Um estudo feito pelo Wall Street Journal envolvendo mais de 800 atletas e treinadores de todos os times da MLB encontrou apenas 26 pessoas graduadas. O jornal fez um rankeamento para saber qual time tem mais jogadores “crânios” e qual tem os “burros” e se isso influi nos resultados em campo.

Oakland Athletics e Arizona Diamondbacks (foto abixo)são os clubes com mais “crânios” na equipe – ambos estão atualmente em último lugar nas suas respectivas divisões. Já entre os times com mais “burros” estão Los Angeles Dodgers, Los Angeles Angels, Detroit Tigers – todos estes com grandes chances de irem aos playoffs.


draft da MLB, por onde entram os jogadores americanos, pode ser uma das razões por não ter tantos graduados jogando, pois muitos são escolhidos de ligas amadoras ou das High Schools (escolas de ensino médio) e os que vêm da universidade dificilmente voltam para terminar. Os times da MLB tem muitos asiáticos e latinos nos clubes e estes jogadores vem como agente livres e, em grande maioria, não possuem diploma.

Através da imprensa, os jogadores da MLB criticam comentaristas e especialistas que tentam complicar o jogo, criando terminologias e teses complexas para mostrar que entendem do “riscado” e que é preciso muito estudo para ser eficiente em campo. Os jogadores argumentam que não é bem assim. Em entrevista para a ESPN, um atleta bastante conhecido e vitorioso falou anonimamente sobre a questão dizendo: “Quando estamos com o bastão para rebater, nosso pensamento é jogar a bola o mais longe possível e o mais forte que puder. Nada mais além que isto.”

Apelidado de o “homem mais inteligente do beisebol”, o arremessador Craig Breslow do Oakland Athletics, formado em Bioquímica e Biofísica Molecular (!) na Universidade de Yale (uma das mais conceituadas do EUA) confessa que quando pensa de mais, seus arremessos saem um pouco de direção. Por isso ele tenta manter a mecânica do braço na mais possível simplicidade. Lance Berkman (Economia – Rice), Mark DeRosa (Economia – Universidade da Pensilvânia) e Brad Asmus (Artes – Dartmouth) são alguns dos diplomados da MLB que completaram seus cursos universitários.


A posição do beisebol mais importante para usar o “crânio” é a de diretor (GM); são os casos de maior destaque, mas poderia ter um contingente maior. Jon Daniels, foto acima, o mais jovem GM da liga (Texas Rangers – Cornell), Mark Shapiro (Cleveland Indians – Princeton) Ken Williams (Chicago White Sox – Stanford) e Theo Epstein (Boston Red Sox – Yale) são os expoentes entre os dirigentes graduados.

Ao fazer uma comparação com a NFL, a diferença é exorbitante e estrondosa. Mais de 98% dos treinadores tem curso universitário e mais 95% dos coordenadores tem um diploma. Muitos jogadores saem da NCAA já veteranos e dos que vão antes, no mínimo tem três anos de curso. Estes são encorajados a terminar a faculdade através do programa “Continuing Education” promovido pelo sindicato dos atletas, que facilita tudo para o jogador terminar o curso e receber o diploma aonde quer que ele esteja 
jogando – por volta de 15 ganham a graduação anualmente. Conheça alguns dos que participaram deste programa nos últimos dois anos: Dallas Clark (Tennessee Titans – Pedagogia, Iowa); Chase Blackburn (New York Giants – Matemática Integrada, Akron); Jason Witten (foto ao lado, Dallas Cowboys – Administração Esportiva, Tennessee); Kevin Payne (Chicago Bears – Estudos Gerais, Louisana Moore); Kassim Osgood (San Diego Charges – Sociologia, Universidade Estadual de San Diego).

Na semana de jogo, todos os jogadores com a comissão técnica estudam exaustivamente a partida anterior e o adversário do confronto seguinte. Todos os mínimos detalhes são observados, sempre pensando no erro zero na próxima atuação. As jogadas só serão executadas com eficiência se todos estiverem cientes da sua função e treinado o movimento específico.

Não é por acaso que os dois times da NFL com mais jogadores diplomados são os bem sucedidos New England Patriots e o Indianapolis Colts.

Muito estudo precisa ser feito para derrotar o oponente na NFL, sabendo que ele também estar se dedicando ao máximo nos vídeos e scouts. Já na MLB o negócio é arremessar com mais “veneno” a bola e rebater mais forte que o outro. No 
football o diploma pode ser considerado igual a vitórias em campo, o mesmo não se pode afirmar do beisebol.


*expressão usada para referir-se a universidade

(GL) - Escrito por João da Paz




© 1 Tulane Media
© 2 Ben Margot / AP
© 3 AP Photo

 


sexta-feira, 25 de setembro de 2009


Artigo NFL - Operação Michael Vick


 

Tony Dungy, Joel Segal, Billy Martin e Andy Reid - da esq. para dir. em sentido anti-horário


Dia 24 de Agosto de 2007. Data que Roger Goodell, comissário da NFL, suspende indefinidamente o então jogador mais bem pago de toda a história da liga, sem direito a receber nenhum centavo. Esta foi mais uma punição para Michael Vick entre tantas outras. Três dias depois, Vick confessa o crime de organizar rinhas de pit-bull, antes da corte federal americana ou do estado onde mora (Virginia) lhe dar uma condenação.

Prestes a retornar à NFL em um jogo oficial, Vick ainda tem obrigações com a justiça. Ele já cumpriu os 23 meses na prisão (dois deles em casa) e agora estar em liberdade condicional por três anos, tanto a nível federal quanto estadual; qualquer erro, qualquer falha o levará de volta à prisão. Ele está ciente deste fato e precisa permanecer comportado para permanecer livre.

Goodell também alertou que ele precisa permanecer comportado para jogar na NFL.

Antes do comissário autorizar o retorno do jogador para os campos da liga em 27 de Julho deste ano, Goodell escreveu uma carta para Vick dizendo, entre outras coisas, que “
... sua margem de erro é muito limitada...” Para que Michael pudesse voltar a jogar e recebesse outra oportunidade de Goodell, muita coisa nos bastidores aconteceram.

Joel Segal, empresário do jogador, foi o primeiro que se dispôs a ajudar Vick. Segal não o abandonou, pelo contrário, ia visitá-lo constantemente na prisão localizada na cidade de Leavenworth, estado do Kansas (EUA). Sempre que encontrava Vick, no pátio da prisão igual a um visitante comum, Segal dizia “
... mantenha-se em forma, olhe para frente...” Motivação necessária para Michael manter-se ocupado no presente durante todos os meses confinado, pensando que algo bom aconteceria no futuro e tentando esquecer o passado.

Mais do que visitas motivacionais, Segal trabalhava muito para minimizar as punições que Vick recebeu (justiça) e tentar melhorar sua imagem perante o povo (social). O empresário então precisou chamar um advogado e uma personalidade do esporte para ajudá-lo nestas tarefas.

A aposta foi alta no lado justiça da história. Billy Martin (foto abaixo) aceitou ingressar no “time”, ele que é um famoso advogado de defesa criminal com especialização em crimes do “colarinho branco”, mas que cuida também de casos envolvendo gente do esporte (o ex-jogador da NBA Jayson Williams, por exemplo). Quando Martin entrou no caso ele logo aconselhou Vick a assumir a culpa, encarar as responsabilidades de uma pessoa pública e se preparar para corrigir os erros. Até que a estratégia deu certo, pois a punição não foi tão severa quanto poderia ser, apesar da condicional ser bastante rígida.


Com a situação perante a lei resolvida, a questão passava a ser como controlar a fúria da população (fãs da NFL ou não) que mostrou um repúdio notório às ações praticadas por Vick. Segal chamou pro seu “time” uma mulher (Judy Smith) que trabalha especificamente em ajudar pessoas a administrar estas crises com o povo. Contudo, ela não era suficiente para diminuir toda raiva ensandecida das pessoas. Uma coincidência ajudou Segal, Martin e Judy a achar o “alguém” certo.

Nestas situações que a vida proporciona, Martin se lembrou de uma colega sua do tempo de infância que hoje é casada com um grande homem da NFL. A mulher chama-se Lauren Dungy, esposa de Tony Dungy, ex-técnico (Indianapolis Colts e Tampa Bay Buccaneers) e hoje comentarista. Encontraram a peça que faltava.

Entre Dungy e Vick só uma coisa havia em comum: a prisão. Não que Tony já tenha sido preso, mas ele sempre teve um ministério cristão no qual ele visita constantemente presídios e cadeias em todo o EUA, dando a população carcerária uma palavra de conforto e ajuda – houve um período que Tony quase abandonou a NFL para se dedicar somente a esse trabalho. As características de Tony se encaixavam perfeitamente naquilo que Vick precisava: um conselheiro. Segal chamou Dungy para se juntar ao “time” e ele prontamente aceitou.

Assim que Dungy entrou na história tudo mudou. Ao ver uma pessoa do caráter irrepreensível de Dungy junto com Vick, a população e a imprensa passou a ter outra percepção do caso pensando da seguinte maneira: “Se alguém com uma credibilidade tão forte como Dungy é a favor de Vick, lutando para que seja dada outra chance, vale considerar a hipótese de conceder outra oportunidade”.

O envolvimento de Dungy teve uma repercussão direta entre os diretores, presidentes e técnicos da NFL exatamente pelo citado acima. Vários dirigentes ligavam para Tony nem para saber como contratá-lo, pois Dungy não é o empresário, mas para saber como Vick estava, se ele realmente mudou, se tava arrependido...

As especulações eram diversas acerca dos times que Vick poderia jogar. Justamente o Philadelphia Eagles, time que acertou com o jogador, era um dos clubes menos citados sobre uma possível negociação. Foi uma brincadeira de escritório que levou Vick para Filadélfia.

Estava reunida a alta cúpula da franquia para um bate-papo informal: executivos, diretores, presidente... quando alguém soltou: “E se agente contratar o Michael Vick?” Respostas despretensiosas surgiram (e piadas de mau gosto também), porém Joe Banner, presidente do clube, considerou e resolveu ligar para Andy Reid sobre a possibilidade. Achou uma opinião positiva de uma pessoa que luta por segundas chances.


Num sábado á noite, Banner (foto acima) liga para Segal e fala sobre Vick pela primeira vez. Foi uma conversa inicial que resultou em vários acertos. Estava encaminhada a ida de Michael para os Eagles.

Mas, afinal de contas, o que Reid falou com seu presidente que o fez contratar Vick? Dias depois todos ficaram sabendo.

Reid é um conservador elevado à décima, mas ele deixou as emoções florir na coletiva de apresentação de Michael Vick. O treinador compartilhou o drama que ele passou em 2007, justamente o mesmo ano que Vick foi preso, ao presenciar dois filhos seus (Garret e Britt) serem presos no mesmo dia, em incidentes diferentes, por graves acusações envolvendo drogas e armas. Ambos ainda estão presos, entretanto logo eles ganharão novamente a liberdade e irão enfrentar a dificuldade de conseguir a segunda chance.

Por a história do Michael e dos meus filhos terem acontecido no mesmo tempo, eu acompanhei de perto o que Vick estava passando e sei muito bem o que é estar na situação que ele se encontrava. Por isso, eu sei quais são as mudanças que precisam ser feitas.” Afirma Reid se colocando a disposição de ir além da função de treinador e se propondo a ajudar no que for necessário.

Neste Domingo quando entrar em campo no jogo dos Eagles contra o Kansas City Chiefs, Michael Vick irá agradecer a Deus por mais um jogo que irá acontecer e deve se lembrar de agradecer também por todas as pessoas que trabalharam e se dedicaram para que esse dia chegasse. Agora a bola está em suas mãos para concretizar o que ele diz frequentemente: Fazer com que as ações falem mais do que as palavras.


(GL) - Escrito por João da Paz




© 1 Arte Gráfica por Kevin Dearth (Michael Vick)
© 2 Steve Helber / AP

 



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