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sexta-feira, 28 de agosto de 2009


NFL - Além De Um Conto De Fadas (Irmãs Williams e Dolphins)


 


Era uma vez...

Duas amigas, duas confidentes, duas irmãs. Ambas estiveram sempre juntas nos momentos mais especiais: seja nas dificuldades, seja nas alegrias, seja nos sonhos...

Venus Williams (a mais velha) e Serena Williams (a caçula) foram criadas para ser o que são hoje: estrelas. Nada impediu que elas chegassem a este patamar: nem as mudanças de casas, nem as dificuldades, nem o preconceito...

Nasceram em Michigan (norte dos EUA), passaram a infância na Califórnia (oeste) e foram para a Flórida (sul) quando adolescentes e estão lá até hoje. O período morando em Los Angeles, no perigoso bairro de Compton (berço do gangsta rap e das gangues Bloods, Crips e Mexicans), foi o momento que elas vislumbraram ser... astronautas!

Bem, este era o desejo da mais velha quando tinha 10 anos de idade; Serena não “viajou” tanto assim. Talvez Venus quisesse se aproximar mais dos astros, ou conhecer mais de perto a origem do seu nome...

Porém, um choque de realidade é preciso. Afinal, como que uma mulher, afro, vai se tornar uma astronauta? Mais fácil é entrar nos clubes da elite sendo jogadora de tênis!

Por que não?

Este pensamento passou pela cabeça do Sr. Richard Williams, pai das garotas. Ao assistir com sua sehnora uma reportagem que mostrava como eram bem sucedidas as jogadoras de tênis, ele logo fez uma proposta para sua esposa: “Vamos ter várias filhas e fazer delas jogadoras de tênis?!”. Dentro desta proposta ou não, o casal teve cinco meninas, mas só duas, a mais velha e a mais nova, mostraram um talento natural para o esporte.

O “fado madrinho”, o grande conhecedor das técnicas do tênis que viu nas meninas “um talento natural para o esporte” foi... Richard Williams! Apesar de nunca ter praticado tênis ou ter sido treinador de nada; aprendeu as nuances táticas assistindo fitas de partidas e lendo publicações sobre o nobre jogo...

Serena (esq.) e Venus (dir) em Compton.

Imagina... Duas meninas afros, “treinadas” pelo pai e vindo das quadras públicas da periferia de Los Angeles – aonde elas tinham que varrer o piso para tirar as cápsulas e projéteis de bala do chão antes de jogar... O talento, porém, sobressaiu estas adversidades e as meninas, na jornada rumo ao estrelato, foram morar em Palm Beach, Flórida, para aprimorar suas habilidades; quando Serena tinha nove anos e Venus onze.

Ao chegarem nos verdes clubes da ensolarada Flórida, as irmãs arrasaram ganhando todos os torneios que participaram e chamando a atenção de muita gente. Só que seu pai as tirou do circuito juvenil e passou, mais uma vez, a treiná-las sozinho. Isto aconteceu porque ele ouvia comentários de outros pais dizendo para suas filhas: “Como você perdeu para esta n****?!”. Richard achou melhor poupá-las deste constrangimento...

O instinto de pai deu certo. Mesmo não competindo entre as amadoras, as irmãs desenvolveram suas respectivas habilidades jogando uma contra outra. No primeiro ano de profissional, Venus jogou apenas quatro torneios da temporada, Serena jogou apenas dois, pois ainda existia o tal do conceito premeditado.

Quando Venus participou de um torneio pra valer, o US Open de 1997 com 17 anos, ela foi a primeira jogadora “não cabeça-de-chave” a chegar numa final de um torneio na era moderna; perdeu para Martina Higgins, então número 1. Nas semifinais, um episódio marcante aconteceu: ao trocar de quadra com a romena Irina Spirlea, ela trombou Venus num gesto considerado por muitos racista, expressando a idéia do “o que você está fazendo aqui?”

Fácil dizer. Juntas, elas têm 18 majors (Serena 11 e Venus 7) e venceram seis dos últimos onze. Os outros títulos deixa que Irina e a “elite” dos clubes de tênis registrem...

Outra coisa que estas pessoas podem fazer é contar quanto dinheiro elas ganharam nestas duas décadas de carreira. Para facilitar o trabalho: Venus, US$ 23 milhões, segunda colocada entre todas as jogadoras da história do tênis; Serena US$ 26 milhões, primeira colocada.

Esta quantia dar para realizar bastantes sonhos... Como o de ser estilista da Venus, que acordava de madrugada quando criança para desenhar modelos que almejava, um dia, produzir – hoje ela tem uma grife chamada EleVen.

Dar para também ser sócia de uma franquia esportiva.

Por que não?


Um super bilionário, Stepehn Ross, apresentou as irmãs como as mais novas sócias do Miami Dolphins, se tornando as primeiras mulheres afro-americanas a fazer parte de uma diretoria da NFL, espaço que nem homens afro-americanos conseguem entrar. Por morarem bem perto do clube (uma hora de carro) elas sempre foram torcedoras dos Dolphins e agora serão pessoas importantes dentro da organização

Ross, dono da franquia, delegou a elas a função de trabalho na comunidade. As irmãs serão responsáveis por divulgar a marca do clube nas periferias e agregar valor aos Dolphins, trazendo mais torcedores para o estádio e criando uma identificação mais forte dos fãs com o time.

Quem diria que aquelas irmãs chegariam a este ponto: parceiras de uma franquia na liga mais rica do mundo, caminhando tranquilamente entre os mais abastados...

Por que não?

Se elas chegaram ao topo do tênis, atropelando clubes burgueses e adversárias que a menosprezavam... Até aquela “viagenzinha” para a lua é possível...

Mas aí seria tudo perfeito demais para um conto de fadas, onde tudo pode acontecer...


(GL)


© 1 Getty Images Archive (1991)
© 2 Capa da SI – 15 de Setembro de 1997


quarta-feira, 26 de agosto de 2009


NFL - Retomada (Ronnie Brown e Cadillac Williams)



Ano 2005. Carnell “Cadillac” Williams (esq.) e Ronnie Brown (dir.), running backs (RB) da Auburn, eram os mais visados no draft criando altas expectativas para temporadas de sucesso na NFL.

Ano 2009. Agora é o tempo deles se firmarem na liga.

Brown foi escolhido pelo Miami Dolphins na segunda posição, Williams foi para o Tampa Bay Buccaneers na quinta escolha. Os dois conseguiram um feito raro: jogadores da mesma universidade e da mesma posição entre as cinco primeiras escolhas da primeira rodada. Isto aconteceu porque ambos tiveram campeonatos fantásticos em Auburn, principalmente o de 2004.

Desde 2001, Brown e Williams dividiam as responsabilidades no jogo corrido da equipe. Teve temporadas que Brown se destacou quando Williams estava machucado (2002) e teve temporadas que Williams foi o destaque quando Brown estava machucado (2003). Quando 2004 chegou, Ronnie, no quarto ano, e Cadillac, no terceiro, iriam optar entrar no draft a não ser que Tommy Tuberville, treinador da Auburn, contratasse um coordenador ofensivo que armasse jogadas para os dois. Ele fez isto trazendo Al Borges da UCLA.

Cada um teve participações qualitativas no ataque e, junto com o quarterback Jason Campbell (hoje no Washington Redskins), Auburn terminou a temporada invicta – 13v e 0d –, mas não jogou a final (USC versus Oklahoma) e sim o Sugar Bowl contra Virgina Tech, vencendo a partida por 16 a 13. É bom lembrar que Auburn começou o campeonato na 18ª posição no ranking do USA Today/ESPN e Tuberville quase foi demitido no início da temporada... Brown correu 913 jardas, marcando 8 TD´s e pegou 34 passes para 313 jardas; Cadillac correu 1165 jardas e marcou 12 TD´s.

Daí veio às tais altas expectativas.


Quem respondeu primeiro foi Cadillac (foto acima). Sobre o comando de Jon Gruden, que confiava muito no garoto e acreditava no seu potencial, Williams foi o novato ofensivo de 2005 pela votação popular no site da NFL e pela a Associatede Press (AP – votos dos jornalistas). Ele completou 1178 jardas com média de 4.1 jardas por corrida, conseguindo 6 TD´s. Cadillac escreveu seu nome na história da NFL ao ser o primeiro RB novato a atingir a marca de 100 jardas em três jogos seguidos – seus tênis usados em 2005 estão no Hall da Fama.

Entretanto, Williams não manteve a mesma produtividade nos anos seguintes. Em 2007, no quarto jogo da temporada, ele fraturou o tendão patelar do joelho direito e teve que fazer cirurgia. Ficou fora do restante do campeonato e só voltou em Novembro de 2008. Na sua sexta partida após o retorno, último jogo da temporada contra o Oakland Raiders, Cadillac torceu o joelho esquerdo, porém nada parecido com a outra lesão; “só” abriu questões sobre se os Bucs podem confiar nele o jogo corrido da equipe.

Para evitar dúvidas, o elenco possui outros dois bons RB´s: Derrick Ward e Earnest Graham, ambos garantidos no grupo de 2009. Williams, então, está na disputa pela terceira vaga; briga com Clifton Portis (participou do Pro-Bowl do ano passado como return) e Kareem Huggins (que fez dois regulares jogos de pré-temporada). Mostrando confiança em Williams e acreditando que ele ainda pode jogar em alto nível, Raheem Morris, treinador, vai colocá-lo no próximo jogo da pré-temporada contra o Miami Dolphins, em uma rotação com Ward e Graham. Caso dê certo, Cadillac estará no elenco.

Vai ser um jogo que marcará o reencontro dos RB´s. A diferença é que Ronnie (foto abaixo) está em uma melhor situação. Talvez não fosse pra tanto, mas, em entrevista ao Miami Herald, Brown disse que pertence à elite da NFL quando o assunto é RB...


O bom ano de 2008 criou esta confiança (um “pouco” exagerada, é verdade) graças às jogadas “wildcat” de Tony Sparano e equipe. Por mais que dividisse jogadas com Ricky Williams, Brown teve uma temporada sólida com 916 jardas – média de 4.3 por corrida – e 10 TD`s; recebeu 33 passes para 254 jardas. A tendência é que Sparano entregue mais bolas para Ricky, mas Brown estará em campo várias vezes para tentar enganar os adversários com a formação “wildcat”.

Essa foi a primeira temporada que Ronnie jogou todos os 16 jogos. Assim como Cadillac, ele teve seus problemas com lesões na NFL: quebrou a mão esquerda em 2006 e machucou o joelho em 2007 o tirando de toda a temporada que, provavelmente, seria a melhor de sua carreira.

A meta é ultrapassar a marca de 1000 jardas corridas, que ele só conseguiu em 2006 (1008). Brown tem competência para chegar a tal marca. Confiança, pelo visto, ele tem de sobra. Resta saber se ao final desta temporada seu nome será mencionado entre RB´s como Adrian Peterson, LaDainian Tomlinson, DeAngelo Williams...

Para Ronnie Brown, esta é “A” temporada de reafirmação. Para Carnell Williams, esta é “A” temporada de reafirmação. Ambos estarão buscando algo que poucos jogadores conseguiram: serem relevantes na NCAA e na NFL. A primeira etapa já foi alcançada, falta agora mostrar consistência e regularidade na liga para entrar no seleto grupo.

Caso precisem de inspiração, é só olhar o que foi feito de bom em suas carreiras, usando os bons números como exemplo e motivação para serem destaques mais uma vez.

(GL)



© 1 Jeffery A. Salter / SI
© 2 Hans Dery / AP
© 3 AP


segunda-feira, 24 de agosto de 2009


MLB - Pequeno Grande Baixinho (Dustin Pedroia)


 


Um metro e setenta e dois centímetros.

Esta é a altura de Dustin Pedroia, segunda base (2B) do Boston Red Sox. Tamanho que se tornou empecilho devido ás criticas em relação ao seu jogo. Tamanho que se tornou motivação para ele mostrar que pode estar na MLB.

Sempre quando Pedroia vai rebater, é engraçado vê que ocatcher adversário, de cócoras, fica quase na mesma altura que ele... É curioso vê-lo fazendo o swing com toda a força possível para rebater a bola o mais longe que pode. Porém, não é surpresa assistí-lo sendo eficiente no ataque em todas as partidas: ele tem talento.

Pedroia (sobrenome português) tem feitos raros alcançados em suas duas temporadas completas na liga: novato do ano em 2007 (Liga Americana) e Luva de Ouro (LA), Silver Slugger (LA) e MVP (LA) em 2008. Além do título da World Series em 2007.

Conseguir esta quantidade de prêmios em um período tão curto nos dois primeiros campeonatos disputados na MLB credencia Pedroia como um dos melhores jogadores da liga. Foi preciso alcançar todas estas conquistas para ganhar o respeito dos adversários e companheiros.

Este é o jogador que todos vocês estão falando, brincadeira, né?”. Esta foi a reação de Terry Francona, treinador dos Red Sox, quando viu Dustin, em 2006, quase cair depois de um swingem uma de suas primeiras partidas na equipe. O aproveitamento do 2B no bastão foi de apenas .191 em 31 jogos no ano. Entretanto, a comissão técnica do clube resolveu nomeá-lo como titular da posição para temporada 2007.

Só que a situação para Pedroia não melhorou logo de cara.

No primeiro mês de disputa ele teve um aproveitamento ofensivo de apenas .172. Passou a ser alvo de críticas da imprensa e dos torcedores, criando um desejo na diretoria de mandá-lo à liga de base (minor - AAA) para melhorar sua produtividade no ataque. Antes disto acontecer, Pedroia fez questão de se dedicar em aprimorar sua técnica com os Red Sox, sendo o novato do mês seguinte (Maio). Daí pra frente à história já está contada.

Um dos pontos fundamentais para ele ter se firmado com um grande jogador foi a melhora do seu swing, porque os outros fundamentos do jogo, principalmente os defensivos, Dustin sempre dominou. Quando ainda estava na universidade – Arizona State – ele foi nomeado por duas vezes como o melhor defensor do ano da NCAA; atributo que não o colocou como uma alta escolha no draft de 2006 – Boston o escolheu na 2ª rodada.

Afinal, o problema era o swing.


Basta vê-lo jogar e perceber: Pedroia vai com toda a força em busca da bola. O que hoje é uma virtude, antes era seu principal defeito. Diversos analistas e ex-jogadores diziam constantemente que ele era muito agressivo com os braços, mas não tinha equilíbrio nas pernas; por mais que ele não sofresse tantos strikeouts, ele não tinha uma rebatida de qualidade, sendo muitas vezes eliminado na bola rasteira. Quando Dustin corrigiu isso, tudo se encaixou perfeitamente.

A capacidade que ele tem em ver o melhor arremesso é destacável. Ele passou uma temporada escolar completa (High School), no ano de veterano, sem sofrer um strikeout sequer. Esta habilidade ele sempre teve consigo, só faltava ter um controle melhor de onde colocar a bola em campo, rebatendo com eficiência. Mesmo não tendo a força para converter home runs, ele é um dos melhores jogadores ofensivos da liga, pois tem a capacidade de rebater com qualidade de forma constante – até 23/08/09, ele tem 143 rebatidas em 478 oportunidades, com apenas 38 strikeouts.

Outro aspecto de excelência do jogo de Pedroia é a defesa. Sempre alvo de brincadeiras de seus companheiros pela sua altura, o 2B responde que quanto mais baixo a pessoa é, mais próxima ela fica do chão e mais ágil ela se torna. Esta agilidade é peculiar dele, que faz jogadas extraordinárias entre as bases e tem um dos melhores aproveitamentos defensivos da posição com apenas seis erros em 116 jogos neste ano.

Por ter estilo de jogo mais simples e mais tradicional, Predoia é considerado o modelo do atleta da era “pós-esteróides”. Para mostrar um bom exemplo para as crianças (e adultos também) a Sony CE colocou o 2B na capa do jogo “MLB 09 The Show”, algo que Pedroia, e poucas pessoas, imaginariam que aconteceria um dia. Em um comercial promocional engraçadíssimo, Dustin diz:

Caro amigos da PlayStation, MLB 09 The Show acha que eu não posso rebater uma bola rápida arremessada dentro da zona de strike... Vocês vão consertar isto, certo?

Um dos diretores responde: “Bem Dustin, o jogo é um dos mais reais já feitos, então vamos manter como está... Isto se chama integridade.”

Depois aparece Pedroia polindo o prêmio de MVP do ano passado...

Personificando a personalidade do pequeno grande baixinho.

(GL)



© 1 Ruben W. Perez / The Providence Journal
© 2 Icon SMI




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