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sexta-feira, 16 de julho de 2010


NBA - Grão-Mestre (Pat Riley)


Qual título quer Pat Riley? Já foi campeão como jogador (1 vez), campeão como assistente técnico (1 vez), campeão como treinador (5 vezes); conquistou três troféus de Melhor Treinador do Ano por três times diferentes (Los Angeles Lakers, New York Knicks e Miami Heat) e até emprestou seu nome para um jogo de vídeo game.

O que ele quer?

Mais!

Caso não fosse envolvido com o mundo do basquete, Riley facilmente poderia ser um palestrante motivacional, desses que vão de empresa a congressos levantar a auto estima das pessoas. Esta característica começou a nascer na escola de ensino médio Linton HS em New York, onde ele observava seu treinador, nas preleções e após cada dia de exercícios, usar exemplos do cotidiano e aplicá-los no jogo de basquete. Uma das frases que Pat utiliza repetidamente é: “
Para se ter sucesso por um longo período, seja como treinador ou em qualquer posição de liderança, é necessário ser obsessivo em várias ocasiões.”

Com 65 anos de idade e uma vida no basquete sem igual, ele pegou esta frase e aplicou quando a possibilidade de fazer história na NBA, novamente, bateu na sua porta. Uma semana após a escolha de LeBron James para jogar em Miami junto com seus amigos Dwyane Wade e Chris Bosh, surgem histórias que este encontro vinha de um planejamento de anos atrás. Ian Thomsen, repórter da revista Sports Illustraded aborda esta questão na edição desta semana, assim como fez o jornalista Brian Windhorst do Plain-Dealer, jornal local de Cleveland, na edição do dia 10 de Julho. Contudo, por mais que tenha existido um pacto entre os três para jogarem juntos, era preciso haver um time e aí entra a ambição de Riley.

O primeiro clube a se movimentar se preparando para o mercado de 2010 foi NY. Passou a vender jogadores, assinar contratos de curta duração com as estrelas do time, abrir espaço na folha salarial... O mesmo foi feito com o Heat, assim que se percebeu a possibilidade de ter um espaço para trazer mais um grande jogador para se juntar com Wade. Logo quando o Miami entrou oficialmente na briga pelos
top agentes livres, Pat entrou em cena.

Sua participação foi fundamental para a contratação de Bosh e James. Ele, com sua conversa motivadora e vivência com campeões, atraiu duas super estrelas para seu time, atingindo a meta de uni-los e pagando a eles menos do que receberia em outras propostas. Numa época de contratos absurdos e
alter egos descontrolados, juntar um trio como este não é simples.


Porém não deverá ser complicado conseguir domá-los.

Riley é adepto do pensamento que diz: “
Talento não é suficiente para trazer vitórias. Nada acontece se não houver união e resolução”. Ele não iria ser tão agressivo em suas decisões ou ousar tanto se o trio não fosse este. Wade, Bosh e James são amigos pessoais de longa data (entraram na NBA no mesmo ano: 2003) e todos eles têm como norte ganhar a NBA, ser campeões.

Aqueles que vão completar o elenco serão cúmplices do mesmo ideal. Muitos terão que abdicar de um salário maior para receber o mínimo possível, pois as franquias da NBA trabalham com um teto salarial e o Heat está próximo de estourar o máximo que se pode alcançar. Entretanto é possível montar um time de qualidade, visto que há jogadores dispostos a receberem menos que em outros clubes para se juntarem aos Super Amigos.

O presidente Riley, aos poucos, vai suprindo as necessidades da equipe – que será comandada por Erik Spoelstra. O quinteto titular precisava de um pivô e o lituano Zydrunas Ilgauskas (ex-Cavaliers) chega para preencher a vaga. O provável time titular fica assim:

C: Zydrunas Ilgauskas
PF: Chris Bosh
SF: LeBron James
SG: Dwyane Wade
PG: Mario Chalmers

Lembrando que Chalmers é um dos mais promissores armadores da associação. Foi titular com o Heat em sua temporada de novato em todos os 82 jogos (2008-09). Ano passado foi titular em 22 dos 73 jogos que atuou, mas deve ser o principal armador do Heat no campeonato 2010-11 – foi o MVP do Final Four da NCAA em 2008, quando sua Universidade Kansas venceu Memphis Tigers, do Derrick Rose e Chris Douglas-Roberts.

Pensando nos reservas, Pat vem moldando uma boa composição para dispor ao seu treinador. Das três escolhas do Draft 2010, duas podem contribuir agora: o pivô Dexter Pittman (Texas) e o ala de força DeSean Butler (West Virginia). A franquia acertou com o ala Udonis Haslem, peça importante no garrafão e com o ala Mike Miller, que ficará responsável por converter arremessos de média e longa distância.

Para agregar habilidade junto com compromisso, Riley declara outra frase de efeito que o acompanha desde os tempos de escola: “
Viva para trabalhar, não trabalhe para viver.” A provocação surge quando é colocado na balança o dinheiro ou o triunfo, as riquezas matériais ou a menção permanente na história da NBA. Pat sabe do que fala, porque está no mundo do basquete por muito tempo e seu nome aparece na história em vários momentos.

Voltando para o passado distante, na escola ele duelou com Lew Alcindor em um torneio do estado de New York. Riley era estrela da Linton, enquanto seu adversário era o principal nome da Power Memorial Academy HS. Considerado o melhor jogador do
high school americano de todos os tempos, Alcindor depois mudou seu nome para Kareem Abdul-Jabbar e foi integrante do Los Angeles Lakers da década de 80, time comandado por Pat Riley durante 9 temporadas. Além de treinar Kareem, ele tinha como discípulos Magic Johnson, James Worthy... Neste tempo Pat transmitia tudo que aprendeu como jogador (foto abaixo), atuando ao lado de Wilt Chamberlain, Jerry West...


Ele entende muito bem como é estar rodeado de estrelas, de jogadores super talentosos. Obsessivo teimoso, não perdeu a oportunidade de se unir com um dos grandes atletas da NBA. Em 2004 Riley, então diretor de basquete do Heat, foi ousado e trouxe Shaquille O´Neal para Miami. Cedeu para os Lakers Lamar Odom e Caron Butler, mas dois anos depois ganhou o troféu Larry O´Brien mais uma vez.

A franquia Heat completa nesta temporada seu 22º ano na NBA; em 15 deles, Riley esteve presente seja como treinador, diretor, ou presidente. Colocou o time na elite da Conferência Leste, encarou uma temporada na qual a equipe venceu apenas 15 jogos (2007-08) e esteve fora dos playoffs somente em três campeonatos. Agora coloca o time como principal destaque da associação, time que muitos irão odiar com um fervoroso amor.

Se não vencer, o Heat do trio Wade-Bosh-James vai ganhar o rótulo de fracassado pelos invejosos, pelos críticos que vão torcer contra e que em qualquer deslize criarão um factóide para desvirtuar. Com os envolvidos diretamente com o elenco não será assim. Riley gosta de afirmar “
O sucesso não pode ser medido somente por altas posições alcançadas ou pela quantidade de dinheiro adquirido, e sim por como você se sente consigo”. Sábio que o melhor foi feito em busca da vitória, Pat Riley fica tranquilo, pois basta olhar para o mundo do basquete atualmente e ver quantas vezes o nome/logo Heat aparece.

 

 

(GL)
Escrito por João da Paz

 




© 1 Diaz / AP
© 2 Marc Serota / Getty Images
© 3 Wen Robertson / Getty Images

 


quarta-feira, 14 de julho de 2010


NFL - Eu + Eu Mesmo (Chad Ochocinco)


 


Ochocinco é várias coisas ao mesmo tempo, inclusive jogador da NFL – e dos bons. Foi duas vezes eleito para o melhor time da temporada (2005 e 2006) e participou em seis Pro Bowl (Jogo das Estrelas); especialistas dizem que as performances do jogador poderiam ser melhores se ao menos ele deixasse de lado suas autopromoções e coisas do tipo. Como a tendência é que isto não aconteça, pode se esperar mais entretenimento fora de campo; e quem sabe as boas atuações dentro das quatro linhas permaneçam as mesmas.

Dizer que Ochocinco é de personalidade única é desnecessário. Basta ler o seu sobrenome e fazer a óbvia pergunta: Porque Ochocinco? Em 2006 ele oficialmente deixou de ser Chad Johnson para ser chamado de Chad Ochocinco, fazendo referência (em espanhol) ao número da sua camisa: 85. Esta pode ser considerada uma ótima ação de marketing pessoal, algo que Chad faz muito bem.

Ele já admitiu que se sente solitário ás vezes e estas atitudes de chamar a atenção serve para se distrair. O grande aliado de pessoas com estas características chama-se internet e Ochocinco é um dos atletas profissionais que sabe usar melhor esta ferramenta fantástica que tem o potencial de aproximar cada vez mais os fãs dos astros esportivos.

O microblog Twitter é frequentemente usado, deixando os seus seguidores atualizado sobre tudo que acontece no mundo paralelo chamado “Ochocinco”. O legal de tudo isto é que ele convida pessoas que nunca viu na vida para ir à cinemas, shopping centers, restaurantes... Chad posta uma mensagem do tipo “As 50 primeiras pessoas que se encontrarem comigo em tal lugar vão jantar por minha conta”. Aí encontra seus admiradores, jantam e tiram fotos para postar no Twitpic (abaixo) mostrando que o evento de fato ocorreu – ele faz isto constantemente.


Na semana anterior ao jogo contra os Packers em Green Bay (temporada 2009-10), Chad comentou que, caso marcasse um
touchdown, iria realizar o Lambeau Leap, famosa comemoração que jogadores dos Packers fazem quando jogam em casa, indo de encontro aos torcedores que estão próximos a endzone. A questão toda é que Chad iria encarar os fanáticos fãs dos Packers. A solução foi simples: pagou três ingressos para torcedores dos Bengals e, quando marcou o TD, foi correndo em direção deles, fazendo o tradicional salto e cumprindo a promessa.

As inusitadas comemorações de TD fazem parte do currículo de Chad. Algumas são engraçadas, outras nem tanto. Para Roger Goodell, comissário da NFL, todas são de gosto duvidoso e o comandante da liga multa constantemente Ochocinco por exceder nas suas celebrações. Ele já usou um sombrero; um casaco com os dizeres
No Hall da Fama em 20??; usou o pilon (peça laranja que demarca as limitações da endzone) como taco de golfe... Se o torcedor acha engraçado, divertido e diferente, a NFL não pensa da mesma forma.

A postura da liga é até compreensiva, pois tenta evitar precedentes, impedindo que outros jogadores façam o mesmo (ou pior). Ochocinco sabe disso e já deixa reservado o dinheiro para quitar as possíveis multas que poderá a vir pagar em uma temporada, doando todo o valor que foi punido para instituições de caridade. A severidade da NFL contra Chad deve ser mantida, por mais que haja pessoas que achem um exagero. Um exemplo de que tudo pode se esperar aconteceu na temporada 2009-10.

Jogando contra o Baltimore Ravens (dia 08 de Novembro), Chad fez uma recepção para 15 jardas, entretanto os juízes da partida estavam vendo o replay do lance de vários ângulos para notar se um dos pés de Chad tocou a linha lateral (o que seria um passe incompleto). Enquanto os árbitros analisavam o vídeo, Chad se aproximou de um deles oferecendo uma nota de um dólar para lhe favorecer. Mesmo sendo em tom de brincadeira, tal atitude não se encaixa no alto padrão que a liga busca obter de todos que fazem parte dela.

Em outra ocasião, ninguém sabia o que aconteceria após ele marcar um
touchdown contra o San Diego Charges (dia 20 de Dezembro). O jogo aconteceu na semana que seu melhor amigo no time, o wide recevier Chris Henry, morreu em um acidente de carro. Ochocinco, marcado por Antonio Cromartie (um dos melhores cornebacks da NFL, hoje no New York Jets), recebeu um passe de Carson Palmer, cruzou a endzone e parou... A mente criativa e extrovertida não iria ser exposta naquele instante. Num gesto puro, ele ajoelhou e olhou pro céu. Num gesto puro, ele homenageou seu companheiro que tinha ido, mas que estava presente. Depois do jogo, Chad disse: “Hoje eu joguei com um par extra de mãos, um par extra de pernas e um coração a mais.”


Esta comemoração de TD não lhe rendeu uma multa. Somente mais admiradores.

O que chama atenção é que a personalidade firme e ousada de Ochocinco nunca trouxe problemas fora de campo. As multas que recebe da NFL são por atitudes feitas nos jogos. O que ele faz longe dos capacetes e protetores é uma extensão do seu
eu, o que não deixa de ser polêmico e engraçado.

Nesta
off-season 2010 ele decidiu aparecer mais, parte da estratégia do seu marketing pessoal. Participou do Dancin With the Stars (Dança dos Famosos) e chegou até a semifinal, fazendo par com a dançarina Cheryl Burke, que já foi campeã duas vezes do programa. Desde o último domingo (dia 11) Chad está com seu próprio reality show no canal VH1, que consiste em uma competição na qual ele irá escolher uma mulher para ser sua namorada (entre 85 inscritas). Na estréia, 17 garotas foram selecionadas entre as 85. Assim que o The Ultimate Catch começou, com as 85 correndo no campo de football em sua direção, ele já criou uma polêmica ao dizer: “Nunca tinha visto tantas meninas correrem em campo desde a última vez que enfrentei o Pittsburgh Steelers.”

Este mais novo reality show, pra variar, é totalmente perdível. Porém, Ochocinco permanece na mídia, criando histórias e sendo manchete na imprensa esportiva ou do entretenimento. Com a compreensão plena dos três principais pontos do marketing pessoal – Visão, Missão e Valores –, ele expõe seu nome ciente das oportunidades e ameaças consequentes (Entendimento de Mercado), sabendo das suas forças e fraquezas (Entendimento das Próprias Características). Chad administra muito bem sua imagem.

No seu mais recente livro “Ocho Cinco”, ele comenta sobre uma provável situação que mostra o quanto ele é visionário “
Não sei o que meu contrato diz sobre boxe. Mas eu não ligo, sabe por quê? Porque eu irei ganhar milhões em uma única luta. É sério. Posso arrecadar US$15, US$ 20 milhões facilmente num duelo contra o Floyd Mayweather, por exemplo.”

Não duvide, pois imagina se ele leva realmente a sério isto. O importante, porém, é esta percepção de super estrela que ele tem; o que de fato ele é.

Apesar de que Chad já mencionou que se a NFL entrar em greve ele vai jogar futebol profissional. Em muitas entrevistas ele deixa claro que seu esporte preferido é o
soccer. Ochocinco é fã do Ronaldinho, Messi e já demonstrou sua habilidade com a bola no pé na temporada passada. Contra o New England Patriots, o WR converteu um ponto extra na vitória dos Bengals por 7 a 6. Evidente que chutar uma bola oval parada é diferente de controlar uma bola redonda, mas pense o que, por exemplo, aconteceria com a MLS (liga de futebol dos EUA) se Chad fosse para lá... – Bruno, goleiro do Palmeiras, gosta de football e teve um encontro com Ochocinco em 2009, entregando para ele uma camisa do alviverde paulistano.

O 85 dos Bengals tem um poder atrativo enorme e faz questão de desenvolvê-lo, chamando atenção do maior número de pessoas possíveis. Enquanto muitos acham que ele só visa seus interesses, Chad caminha firmemente buscando... seus interesses. Ora, não poderia ser diferente, pois ele está aproveitando ao máximo o que a vida lhe proporciona. Se a inveja e/ou rancor impedem de respeitá-lo, basta entrar na longa fila dos que odeiam “Oitocinco”.

Ele não se preocupa. Vai estar presente quando os treinamentos do Cincinnati começarem no próximo dia 28, em forma e pronto para mais uma temporada. Neste meio tempo ninguém vai assistir o
The Ultimate Catch, mas o que importa? Ele está rodeado de 17 belas mulheres* com a “árdua” tarefa de escolher apenas uma.


Durma com um barulho desse!





(GL)
Escrito por João da Paz




© 1 VH1 Media
© 2 Arquivo Pessoal
© 3 Getty Images
*Fotos das participantes do The Ultimate Catch do canal VH1 – com a capa do livro “Ocho Cinco”, Como ele gosta de falar “
o sorriso é para os que gostam de mim, os dedos vão para os que me odeiam.”
 

 


quarta-feira, 7 de julho de 2010


NFL - Ingênuo, Porém Com Um Propósito (Pete Carroll)



Pete Carroll acredita.

Crê que pode ser vitorioso na NFL. Crê que seu método de treinar traz resultados positivos – dentro e fora de campo. Crê que ser autêntico faz toda a diferença.

Paul Allen, dono do Seattle Seahawks, acredita em Carroll. Por isso ele não será apenas o treinador do clube nas próximas três temporadas, mas também o Vice-Presidente da franquia. Espera-se, assim, que ele traga uma nova mentalidade para a equipe, um rejuvenescimento de idéias e conceitos.

Os cabelos brancos não representam uma velhice rabugenta. Carroll é um jovem de 58 anos e vive sonhando a cada hora marcada pelo relógio, ciente de que coisas boas sempre aconteceram no amanhã, embora seja necessário confiar no hoje. Após ser demitido do New England Patriots em 1999, o treinador viu com otimismo sua saída da NFL após 15 anos. Sentia que o destino lhe daria algo bom.

Ao final do ano 2000, Carroll acertou com a Universidade do Sul da Califórnia (USC) e completado nove anos de trabalho, uma dinastia foi criada – e vários talentos foram entregues à liga como Mark Sanchez (QB), Troy Polamalu (S), Carson Palmer (QB), Reggie Bush (RB), Brian Cushing (LB) entre outros.

O mesmo motivo que o tirou da NFL o fez ter êxito na NCAA.

Pete trabalha diferente do padrão. Dificilmente grita ou dá bronca. Quando vê alguma coisa errada nos treinos e/ou jogos prefere conversar com o jogador particularmente, explicando porque equívocos não podem ser cometidos e as consequências que erros causam. É uma espécie de motivador, um cara que contagia quem está ao seu redor e trata todos seus subordinados igualmente. Este é seu estilo.

Na NFL ele aprendeu os detalhes técnicos e táticos do esporte enquanto fazia parte da comissão técnica defensiva do Buffalo Bills (1984) e Minnesota Vikings (1985 até 1989). Foi coordenador da defesa do New York Jets de 1990 até 1993 e do San Francisco 49ers de 1995 até 1996. Mas quando assumiu o comando de um time, não deu certo.

Foi treinador dos Jets por uma única temporada: 1994. Com os Patriots foram três campeonatos (1997 até 1999). Seu aproveitamento como técnico é acima dos 50% (33v e 31d), conseguindo levar os Patriots para dois playoffs. Apesar disto, sua passagem pela NFL é considerada um fracasso.

Ele não gosta de ouvir que seu trabalho na liga foi um fracasso – como costumam rotular. Colocando termos justificáveis de lado, os anos como treinador na NFL foram marcados por um relacionamento com os jogadores profissionais não condizente. Quando se trata de adultos milionários, conversas de canto e frases de efeito tendem a não funcionar.


Com os Patriots, os atletas boicotaram instruções de Carroll. Quem testemunha isto é Tedy Bruschi, linebacker do time de 1996 até 2008 – hoje ele é comentarista da ESPN. Assim que Bill Belichick assumiu depois da demissão de Carroll, os mesmos jogadores que faziam corpo mole e desdenhavam ordens de Pete, passaram a ser profissionais dedicados com Bill.

Na entrevista coletiva de apresentação à mídia de Seattle, Carroll fez questão de se posicionar contra esta idéia de que jogadores da NFL têm que ser tratados com rispidez e autoritarismo. Ele afirma não ver diferença entre jogadores profissionais e universitários: “[os primeiros] 
são mais velhos e tem mais dinheiro. Só isso”.

Exatamente!

São mais maduros e mais experientes, ou seja: o relacionamento precisa ser outro. A margem de erro é extremamente limitada e não há muito espaço para discursos positivistas e papos na lateral de campo como se tivesse conversando com uma criança. Funcionou na NCAA, mas a probabilidade de funcionar no profissional é pequena.

Embora assim seja Carroll – pode chamá-lo de ingênuo. Ele acredita que sua metodologia é eficiente para criar times vencedores. Os Seahawks apostam nele e pediram que nada fosse mudado em relação ao seu estilo, querem a personalidade jovial demonstrada nos últimos nova anos em USC presente em Seattle. Isto é o que chamam de voto de confiança.

Por colocar Carroll como Vice-Presidente, Allen quer mudar a cara da franquia fora de campo. Em uma pesquisa extensiva feita pela ESPN, o clube ficou em 18º na categoria “Relação com os Torcedores”. Pete será encarregado de mudar este cenário e aproximar a equipe dos fãs. Um dos primeiros passos é reestruturar o elenco que nos últimos dois campeonatos venceu 9 jogos e perdeu 23. Desde que assumiu o cargo no dia 11 de Janeiro deste ano, Carroll conduziu 40 transações envolvendo 95 jogadores.

Além de vitórias, ser participativo na comunidade traz os torcedores para mais perto. Em Los Angeles, cidade onde fica o campus da USC, Carroll fazia um trabalho ativo e envolvente com os angelinos. Entre tantas ações, uma testifica acerca da ingenuidade intrínseca em Pete. A calada da madrugada vinha e ele saia às ruas para se encontrar com membros de gangues. O objetivo era conversar com os jovens inseridos no mundo do crime, mostrar-lhes que a grave violência urbana poderia ser cessada e que tudo depende somente deles. Utopia? Sim e não ao mesmo tempo, pois por mais que o pensamento comum indique que esta forma de encarar a violência seja infrutífera, a polícia de Los Angeles está aí para confirmar que a abordagem de Carroll trouxe resultados positivos.


A motivação move Pete para ir de encontro ao problema e resolvê-lo. A motivação move Pete em busca de um convívio mais harmonioso e sem atritos. O objetivo dele é fazer algo para melhorar o ambiente ao seu redor e, por consequência, tornando a si mesmo melhor, tornando o próximo melhor.

Essas idéias e pensamentos de Carroll são registradas em papéis e seu quarto livro está para ser lançado. “Win Forever: Live, Work and Play Like a Champion” (tr. Vença Sempre: Viva, Trabalhe e Jogue como um Campeão) chegará às livrarias dos EUA (inclusive nas virtuais) no próximo dia 13. Será mais uma peça sobre motivação esportiva aplicada no cotidiano de qualquer pessoa que se identifique.

Ele gosta muito de livros e seu preferido é “O Alquimista” do Paulo Coelho. Não poderia ser diferente, já que a personagem central do conto (Santiago) é um ingênuo son
hador, mas com um desejo insaciável de encontrar um tesouro e ele não desiste até achá-lo.

 

(GL) - Escrito por João da Paz



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