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segunda-feira, 21 de junho de 2010


MLB - Influência A (Mark Teixeira)


O beisebol é um esporte de estatísticas minucioasas e traz consigo fama, dinheiro e responsabilidades. Esta última característica é importantíssima, principalmente para aqueles que usam o prestígio como ferramenta para ajudar o próximo e entendem o compromisso que possuem. Mark Teixeira utiliza muito bem seus status como jogador do New York Yankees para ser uma referência além dos uniformes e ajudar os que mais necessitam.

Antes de começar a temporada 2010, Teixeira fechou uma parceria com a organização Harlem RBI, que cede bolsas de estudos a crianças carentes, tudo isto feito através do beisebol. O jogo é só um pretexto para atrair meninos e introduzi-los dentro da sociedade abrindo o leque de oportunidades para quem é desfavorecido pelas desventuras da vida. O 1B dos Yankees fará parte da mesa diretora do Harlem RBI. Ele doou 100 mil dólares que será incluído no programa de bolsas de estudo da organização.

O foco dele será nas crianças do bairro Harlem da cidade de New York – fica pertinho do Yankee Stadium. Porém seu prestígio será utilizado para contribuir na arrecadação de verbas que serão destinadas a outros programas das mais diferentes periferias de cidades americanas. O objetivo é impactar a comunidade e o beisebol é a porta que abre novos horizontes a garotos rodeados pela falta de tudo. Se o esporte não levar à algum lugar, o estudo servirá como segunda opção.

Teixeira é uma amostra clara da importância da escola. Ao sair do ensino médio, teve uma oportunidade com o Boston Red Sox, mas rejeitada por ele – mesmo sendo gerenciado pelo empresário Scott Boras, sempre interessado nos cifrões da MLB. Mark optou ir à universidade e escolheu uma das mais exigentes na área acadêmica: Georgia Tech. Ele fez esta sábia escolha e tem uma profissão que pode ser exercida quando se aposentar do beisebol.

Ciente da importância de um curso universitário, Teixeira fez uma doação de 500 mil dólares à Georgia Tech com o objetivo de ceder mais bolsas de estudos. Seu trabalho tem um alcance grande e toca profundamente àqueles que são os alvos diretos de suas contribuições. Ele já recebeu duas homenagens distintas que lhe comoveram muito, partindo de uma pessoa importante e de outra “menos importante”.

Faz parte de um ritual na MLB que o time campeão da World Series tenha a honra de visitar o presidente americano em exercício. Por terem sido os campeões no ano passado, os Yankees foram conhecer pessoalmente Barack Obama, que em seu discurso dentro do cerimonial, elogiou o trabalho de Teixeira, deixando registrado publicamente um agradecimento por contribuir no auxílio a crianças carentes. Foram palavras que emocionaram o atleta.


Entretanto, nada se compara ao gesto que a pessoa “menos importante” fez. Nas corriqueiras visitas feitas a hospitais, Teixeira conheceu um jovem vítima dum câncer raríssimo. O nome dele é Brian Ernst (foto acima), promissor arremessador de uma escola do estado da Georgia. Brian morreu aos 19 anos de idade, porém conseguiu realizar um desejo antes de partir: conhecer Teixeira pessoalmente. O 
yankee visitava Brian constantemente e quando estava bastante doente, sua família pedia que Teixeira fosse visitá-lo no hospital; pedido aceito com prontidão. O que mais chamou a atenção de Mark foi a disposição que Brian demonstrava, mesmo sabendo que seus dias de vidas seriam poucos. O falecimento do garoto ocorreu no dia 16 de Março deste ano e Teixeira passou a utilizar, nos jogos de pré-temporada, o nome Brian dentro do boné, escrito junto com o número 5 – utilizado por Brian na escola. Depois da abertura do campeonato 2010, Teixeira deu seu boné à família de Brian

Agindo assim, o jogador se torna mais admirado pelos fãs e respeitado nos bastidores do esporte. Um sinal claro disto é a atual votação para o Jogo das Estrelas 2010. Por ser uma eleição que conta com a participação dos torcedores, o critério técnico não é levado muito em consideração e a montagem dos times da Liga Americana e Liga Nacional passa a ser um concurso de popularidade. O que explica Teixeira estar na frente de Miguel Cabrera por uma das vagas como titular da primeira base da LA. Teixeira está tendo uma temporada ruim no ataque, um contraste com ótimos números registrados pelo jogador do Detroit Tigers – Cabrera é o terceiro colocado, Mark o segundo e Justin Morneau (Minnesota Twins) o primeiro.

Os repórteres questionam Teixeira constantemente sobre a baixa produtividade que ele vem apresentando neste começo de temporada – similar com o que aconteceu em 2009. Ontem, depois do último jogo da série contra o rival New York Mets, ele respondeu de forma categórica: “
Hoje [dom/20],rebati um grand slamOntem [sab/19] um home runRebati um home runtambém contra Roy Halladay [ter/15]... Próxima pergunta

São legítimos os argumentos sobre as fracas atuações de Teixeira neste inicio de campeonato. Em comparação com 2009, este ano está sendo pior. Contudo as coisas tendem a se reverter, da mesma forma que aconteceu em 2009. O importante é que Mark não credita ao acaso as suas baixas performances e trabalha diariamente para melhorar e seus números no ataque. Sua abordagem nos treinos está diferenciada, executando menos 
swings no aquecimento, o que vem lhe rendendo rebatidas mais rápidas nos jogos. Ser um jogador ambidestro no bastão contribui para as oscilações, já que é preciso fazer adaptações de acordo com a situação da partida e o arremessador que ele está enfrentando.

Os Yankees confiam na retomada do poder ofensivo de Teixeira, mantendo o jogador na posição 3 na linha de rebatedores apesar dos insucessos neste começo de temporada. Sua influência é sentida até na comissão técnica do clube que o mantém numa função importante no ataque mesmo com números indesejáveis até agora, na certeza que logo virá o jogo A de um dos seus principais jogadores – dentro e fora de campo.

 

(GL) - Escrito por João da Paz



© 1 Al Bello / Getty Images
© 2 Arquivo Pessoal

 


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sexta-feira, 18 de junho de 2010


NBA - Fatos e Argumentos (Kobe Bryant)


 


Kobe Bryant conseguiu mais um título da NBA. Após a vitória do Los Angeles Lakers contra o Boston Celtics no jogo 7 das Finas, foi concretizado outro fato que servirá de argumento para aqueles que defendem a excelência de Kobe, o colocando como um dos melhores (e maiores) jogadores que o basquete já presenciou.

Toda opinião é válida, seja ela a favor ou contra as conquistas, embora deva receber menos credibilidade o ponto de vista do fã dele (supervalorizando todos os números e realizações), assim como o ponto de vista do cara que o odeia (desvalorizando todos os números e realizações). Ao falar sobre Kobe em qualquer debate, nenhum destes tópicos citados abaixo merece desconsideração:

- 5 títulos
- 2 vezes MVP das Finais
- 1 vez MVP da temporada regular
- 2 vezes cestinha da temporada regular
- 8 vezes no primeiro time ideal da NBA
- 8 vezes no primeiro time ideal defensivo da NBA
- Medalha de Ouro nas Olimpíadas

Gostar ou não do estilo de jogo de Bryant é direito de qualquer um. Mas é interessante como poucos defendem uma visão negativa sobre ele de maneira sensata, optando por usar o descrédito e a falta de equilíbrio. Daí se ouve coisas absurdas e sem sentido. Ele não esconde que toma todos comentários de forma pessoal, transformando em ferramentas para mantê-lo motivado. 

Na coletiva de imprensa que procedeu ao jogo final da temporada 2009-10, pergutaram ao Kobe acerca do significado deste título. Ele respondeu: “
Tenho um anel de campeão a mais do que Shaq”. Durante o tri-campeonato dos Lakers no começo da década ´00 (2000, 2001 e 2002), Shaquille O´Neal foi a principal peça do clube e MVP nestas três Finais. Quando o pivô saiu e logo conquistou um título em Miami (2006), os especialistas que acompanham de perto toda movimentação da associação discutiam se Kobe seria capaz de ganhar um título sem Shaq.


Pois bem, os Lakers são os atuais tricampeões da Conferência Oeste e o clube venceu duas das últimas três Finais que participou, com Kobe recebendo o troféu de MVP em 2009 e 2010 (foto acima). No total, foram cinco títulos em onze temporadas, passando por uma reestruturação da franquia que ocorreu justamente na metade dos anos ´00, período que divide as conquistas do início e final da década.

Há uma insaciável sede de colocar alguém forçadamente num patamar de ídolo maior do esporte. Sem necessidade, já que excelência não se adquire facilmente; ela se desenvolve dentro daquele que entende o significado de grandeza. O topo é alcançado naturalmente, fruto de constantes vitórias, de sucesso contínuo. Comparar pessoas excelentes é cruel, pois esta se falando de indivíduos, gente com características únicas e próprias.

Entretanto é interessante quando tais comparações aparecem. Nota-se o quanto um é incomparável perante o outro e o quanto o que, em tese, perde o “duelo de trunfo” é ofuscado erroneamente mesmo tendo alcançado a excelência. Exemplo: esta final foi a 7ª no currículo de Kobe, Michael Jordan participou em seis: enquanto Bryant venceu 5 e perdeu 2, levando o troféu de MVP em duas oportunidades, Jordan venceu as seis Finas que disputou, levando o troféu de MVP em cada uma delas.

Percebe? Este simples dado mostra um pouco da representatividade do legado de Jordan. Mas e Kobe? Como fica nesta história? Quem prestou mais atenção nas duas derrotas dele em Finais e nos “míseros” dois MVP´s, é vítima de
comparacinite aguda.

Quantos jogadores venceram 5 títulos na NBA? Fora Bryant, outros 13. Acima deles, com seis títulos ou mais, estão outros 23 atletas. E quantos talentosos jogadores, da atualidade ou não, nem sequer conseguiram vencer um campeonato... É fácil se perder neste caminho de afirmar categoricamente quem é melhor; cada um tem seu espaço e fez por onde para atingi-lo. Pena que ao invés de se aplaudir o mérito excepcional conquistado, aparece as críticas sem fundamento sólido.

O lendário Magic Johnson, entre tantas outras atividades, é comentarista da rede americana ABC. Ao ser questionado se Kobe teria seu legado na história da franquia Lakers intacto mesmo com uma possível derrota para os Celtics, Johnson afirmou que o que ele fez já está na história e não tem como ser apagado, porém o fato de perder duas finais para Boston estaria marcado para sempre como fator negativo. Esta ponderação de Magic é totalmente válida, já que ele sabe muito bem o que é ganhar (e perder) para o Boston. Kobe entrou no jogo 7 com um pensamento certo em sua mente: precisava vencer os Celtics de qualquer jeito. Este desejo o prejudicou em boa parte do jogo, fazendo com que ele errasse muitos arremessos e se precipitasse em muitas posses de bola, acelerando mais o jogo do que deveria. Dos 23 pontos que ele marcou, 10 vieram no quarto período, mas oito deles foram convertidos em lances livres – seu aproveitamento de arremessos foi baixo, convertendo 6 de 24. Esta performance ofensiva abaixo da média foi compensada com muita energia e dedicação – Kobe foi o reboteiro da partida com 15 rebotes. Sua média de pontos nas Finais foi de 28.6, um pouco maior da média na temporada regular: 27.0. O prêmio de melhor jogador está em boas mãos.

A partir da temporada 2010-11, a franquia Lakers terá um tripé de jogadores históricos que será a representação do clube. A dupla Jerry West (décadas de 60 e 70) e Magic Johnson (décadas de 80 e 90) ganhou companhia. Derrotar os arqui-rivais Celtics serviu como carimbo final para promover o status de Kobe.


Os torcedores do clube vão lembrar com carinho desta temporada, especialmente da entrega que Bryant fez, jogando com dois dedos da mão machucados, um joelho dolorido e um tornozelo ruim. Agora de férias, ele irá analisar com cuidado todas estas contusões, pois, de acordo com suas próprias palavras, "
não dá mais para jogar deste jeito”. Sendo assim, cirurgias não serão descartadas. O certo é que não existe espaço para duvidar do potencial de Kobe mesmo com tantas lesões, com a idade chegando (vai completar 32 anos em Agosto) e com 14 temporadas de NBA nas costas. O que para muitos pode ser um sinal de derrota, para Bryant é motivação para responder aos que o criticam.

Enquanto recebe argumentos detalhados que, em muitos casos, lhe denigrem e o depreciam, Kobe responde com a bola na mão e com grandes atuações em quadra, fato que é imbatível. Ele sempre gosta de estar do lado vencedor e até nesta questão ele não perde para os críticos, visto que contra fatos não há argumentos.


(GL) - Escrito por João da Paz



© 1 John W. McDonough / SI
© 2 Ronald Martinez / Getty Images
 

 


sexta-feira, 11 de junho de 2010


Fascinante (Copa do Mundo)


Um evento capaz de reunir o mundo todo em apenas um país, a Copa do Mundo mostra o poder que há na união dos povos gerada por um simples objeto: a bola. Ela que é o fundamento primário de um simples esporte: futebol. Este que é o responsável por fazer que pessoas com trajetórias de vidas tão diferentes, de locais tão distintos se duelem numa disputa que tem como objetivo levar um troféu para a casa dado ao time vencedor, mas que agrega um valor imensurável do ponto de vista social... um fascínio que aproxima.

Em 1998, na França, dois países politicamente e culturalmente rivais se enfrentaram em campo. Antes de a partida começar, válida pelo grupo F da competição, jogadores das seleções dos EUA e do Irã trocaram flores entre si, posaram para fotos juntos e deixaram registrado um momento único. Na bola o Irã venceu (2 a 1) e este resultado pode ser mais significativo aos iranianos que os três pontos computados na tabela, porém nada mais foi do que um simples jogo... um fascínio 
irrelevante.

A tese de que no campo estão vinte e dois homens correndo atrás de uma bola é proferida pelos “não-admiradores” do futebol. Mesmo esta pessoa que não assiste e nem acompanha o esporte vai dar uma olhada. Nem que seja somente no jogo do Brasil, mas ela não irá resistir e dará uma espiada na tevê para ver quem está ganhando e se a Seleção está jogando bem. Não vai ter muitas alternativas, pois o seu chefe o dispensou do serviço para assistir a partida (ou um aparelho de televisão de 42 polegadas estará ligado no local de trabalho). Se for para a casa, encontrará parentes que não via a muito tempo e uma partida se torna motivo para reunião familiar... um fascínio que contagia.

Ao terminar o primeiro tempo, todos vão para a cozinha atrás de um lanchinho. Outros vão para janelas ou varandas e observam o movimento das ruas. Logo percebem que muitas delas estão enfeitadas de verde e amarelo, com o asfalto pintado com a bandeira do Brasil e desenhos da Copa. É um movimento involuntário, sem vínculo algum com nada a não ser com o orgulho de expressar o amor pela pátria. Tudo bem que isto só acontece de quatro em quatro anos, mas pelo menos o brasileiro acha um motivo para extravasar seu amor pelo país, amor este que fica enrustido e quando é liberto explode de emoção, vibração e entusiasmo... um fascínio empolgante.

Na volta para a etapa final, todos sentam em frente da mais moderna TV disponível no mercado que foi adquirida numa mega loja de eletrodoméstico como parte de uma promoção especial. Várias casas renovam o retângulo mágico em época de Copa, atraídos pelas ofertas tentadoras que lojas do ramo oferecem. E não são só elas que utilizam a Copa como ferramenta para aumentar o fluxo de caixa. Diversas empresas dos mais diferentes nichos usam e abusam do futebol e da marca “Brasil” para movimentar a economia. Como possuem muita sabedoria, os empresários põem em seus produtos detalhes em verde e amarelo e logo assim, num passe de mágica, tem seus produtos ligados à Copa... um fascínio que vende.

O jogo rola e se percebe um barulho forte: o som das vuvuzelas. No estádio dá para perceber que o torcedor sopra com vontade a poderosa corneta, capaz de criar uma sinfonia personalizada nunca antes ouvida – e será a marca desta Copa na África do Sul. Todos no estádio estarão com uma vuvuzela , até aquele garoto africano com a camisa canário do Ronaldinho, que pode nem torcer para o Brasil em detrimento do seu país de origem, mas deixa claro que o menino gosta é do futebol arte. O camisa 10 do álbum de figurinhas não estará defendendo as cores da Seleção e o garoto corneta do seu jeito: soprando a vuvuzela. O único momento que elas param de soar é na hora do hino nacional de cada nação... um fascínio que silencia.

Duas horas se passaram e a partida termina. Um time saiu vencedor, o outro perdeu ou aconteceu o ingrato empate. Não importa, foram minutos envolventes com toda a magia da Copa e quem sofreu neste percurso foi a camisa do Brasil de R$ 20 (ou a de R$ 180), surrada, mordida, esticada de todas as formas como se fosse um objeto feito para aliviar o estresse e o nervosismo. A qualidade do produto tem que ser boa, porque a expectativa é que dure por 7 jogos, suficientes para chegar à grande decisão no dia 11 de Julho. Pode ser conquistada mais uma estrela a ser colocada em cima do símbolo da Confederação Brasileira de Futebol, ou um vice amargo que causará tristeza e decepção. Enfim, o importante é que grandes lições podem ser aprendidas ao acompanhar um “mero” evento esportivo que possibilita o encontro de um país que ama o futebol (Brasil) contra um país que vive um austero regime político (Coréia do Norte), contra um país que traz em seu nome a principal riqueza de outrora (Costa do Marfim) e contra aquele que é o grande descobridor (Portugal)... um fascínio que ensina.

 

(GL) - Escrito por João da Paz




© 1 Getty Images

 



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