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segunda-feira, 29 de junho de 2009


MLB - Adversárias Invisíveis (Fobia Social)


 


Beisebol é um esporte simples: quem defende arremessa a bola com o maior efeito possível e quem ataca rebate o mais longe que puder. A grande maioria dos jogadores da MLB raciocina desta forma; dizem que se alguém entrar em campo ?pensando demais? não conseguirá render em alto nível. Quanto mais simples, mais básico, melhor.

Por que então três jogadores, somente nesta temporada (Dontrelle Willis ? AT, Detroit Tigers; Khalil Greene 'foto acima' ? 3B, Saint Louis Cardinals e Joey Votto ? 1B Cincinnatti Reds) entraram no Departamento Médico (DM) por ?questões de estresse??

Se um jogador machuca o braço, por exemplo, o tratamento é fácil: ele faz uma ressonância magnética, a lesão é diagnosticada e entra em processo de recuperação. Agora, e se o problema for psicológico, o que fazer?

Ansiedade, depressão, temor; estes são alguns sintomas da chamada: fobia social, algo que Zack Greinke, arremessador dos Royals, teve que lidar em sua carreira (leia ?Agora, Vai??). Muitas pessoas não entendem que tal estado emocional é uma doença grave e que é mais séria do que se imagina.

?Eu pensei que ia morrer? disse Joey Votto (foto ao lado) em entrevista coletiva na semana passada ao voltar do DM. ?Liguei para a emergência às quatro horas da manhã. Foi o momento mais aterrorizante que passei em toda minha vida? - o jogador de 25 anos dos Reds relata o que aconteceu com ele no começo deste mês.

O pai de Votto morreu em Agosto de 2008. Por ser o irmão mais velho, ele sente a responsabilidade de ser o ?homem? da casa. Conseguiu lidar com isto por um tempo, mas a depressão o atacou de vez na pré-temporada deste ano. A situação ficou mais grave quando no início do campeonato ele teve que sair de três jogos por estresse; antes de ir para o DM, Votto rebateu 35% com 33 RBIs em 38 jogos.

Depois de permanecer 21 dias no DM, Votto já fez 6 jogos: aproveitamento no bastão de 33% com 4 RBIs.

Esta atitude de Votto é extremamente louvável; aparecer para o público e dizer que passou por problemas sérios de depressão e que precisou de ajuda para melhorar. Reconhecer que a fobia social é uma doença é o primeiro passo para a recuperação, negar o caso pode ser pior.

Exatamente o que aconteceu com Dontrelle Willis. (foto à esq.)

?Não é depressão, é outra coisa diferente. Os médicos viram algo no meu sangue que eles não gostaram. Eu não sou louco, apesar de meus companheiros acharem que sim...?. Disse Willis depois de ser colocado pelos Tigers no DM no dia 29 de Março e ficar dois meses inativo.

Não é a toa que Willis foi duas vezes para o DM por os mesmos sintomas ? a outra foi dia 18 de Junho. Ou, por ?coisas que os doutores observaram no meu sangue e não gostaram?. Se não reconhece o problema, como tratá-lo?

Na sua segunda ida ao DM, quando repórteres perguntaram a ele se seu problema era mecânico ou mental, Willis respondeu: ?Eu sinto que é mecânico. Percebo que o movimento do meu braço está um pouco fora do comum.?

Quando, no mesmo dia, os repórteres perguntaram ao médico do Detroit, Kevin Rand, se o problema era mecânico ou mental, ele respondeu: ?Fisicamente, Willis está bem. Há períodos nos jogos que ele arremessa bem, mas falta a consistência ideal.?

Willis jogou 7 partidas neste ano: 1v e 4d com um ERA de 7.49.

Deixar que os companheiros de time saibam da sua doença, não é mostrar a eles seu atestado de ?loucura? (viu Willis?) e sim é um modo de terapia que ajuda na recuperação. ?Quando você tem um problema interno você que expor, colocar pra fora? disse Albert Pujols ao USA Today, ele que é parte importante do tratamento de Khalil Greene.

Os Cardinals colocaram Greene (foto ao lado) no DM dia 29 de Junho e lá ele ficou por 19 dias. Greene também tem problemas de depressão a tempos, mas, segundo o jogador, ?...só tive sintomas mais forte nesta temporada...?. Ele passou por inúmeros médicos e toma diversos medicamentos, contudo a meta principal depende dele, responsável por tirar os pensamentos ruins e substituí-los por pensamentos positivos.

A franquia o ajuda bastante, dando todo o apoio para sua recuperação total. Apesar de ser SS de origem, Tony La Russa, treinador dos Cardinals, o colocou na 3B para aliviá-lo da pressão e da responsabilidade que é jogar entre a segunda e terceira base. Todos os colegas de time, liderados por Pujols, o ajudam na medida do possível.

O testemunho de Votto e Greene pode colaborar para que outros atletas venham a falar que sofrem de fobia social, de depressão, de ansiedade... Eles são exemplos de que é preciso reconhecer a doença, que este é o primeiro passo para ser curado. Servem como modelos de coragem por mostrar que tem falhas como qualquer outro ser humano e que é preciso ter cuidado com estas adversárias invisíveis que nunca devem ser subestimadas.



© 1 Christian Petersen / Getty Images

 


sexta-feira, 26 de junho de 2009


NBA - Afinal, Nem Tudo É Perfeito (Tyreke Evans)



Não adianta, por mais que uma história se pareça impecável, é possível achar algo que tire o 100%: seja um erro aqui, outro ali... Há histórias que precisam de certa imperfeição, se não perde a graça, foge da realidade.

A carreira de Tyreke Evans foi preparada para quebrar este estatuo. Desde criança, seu caminho já era direcionado a ser um jogador de basquete de alto nível (leia-se: NBA) e pessoas próximas a ele fizeram um acordo de unir forças e trabalhar a favor de Evans, na busca por um lugar entre os grandes.

Os irmãos mais velhos de Tyreke (Doc, Reggie e Pooh) formaram uma equipe que iria gerenciar a carreira do prodígio atleta. Na verdade, “mais do que prodígio”; esta decisão aconteceu quando Tyreke tinha apenas quatro anos de idade.

Quantas crianças desta mesma idade se ver por aí chutando uma bola de futebol? E quantas vezes se ouvem: “Este menino tem talento, tem futuro.”? Muitas. Agora, quantas destas crianças recebem um acompanhamento e incentivo para desenvolver esta habilidade? Poucas.

Tyreke era uma destas crianças habilidosas, sempre com uma bola de basquete arremessando na parede, em cestas de lixo... O que os irmãos dele fizeram foi ver o futuro e apoiá-lo, caso o basquete profissional fosse a resposta de Evans para a pergunta: “O que você quer ser quando crescer?”

O cuidado dos irmãos não era visando o dinheiro, todos são empregados (Nota: pode tirar este pensamento da mente). A razão principal por toda esta atenção era pra evitar o assédio excessivo que há em garotos de qualidade no basquete americano, assédio bem parecido com o que vemos no futebol brasileiro.

Cada vez mais, os empresários estão buscando meninos de 12, 13 anos para assinarem contratos, mandando-os para a Europa e prendendo o atleta em suas mãos. Nos EUA, garotos da 5ª série já são rankeados, vistos como promessa; Tyreke recebeu a primeira carta de recomendação de uma faculdade aos 12 anos. Porém, Evans não caiu na tentação de aceitar “presentes” das universidades, ouvindo sempre os conselhos de seus irmãos.

O auxílio não vinha só para questões empresarias. Os irmãos treinavam arremessos e fundamentos com Evans diariamente. Além disso, o aconselhavam para que ele ficasse longe de problemas. “Eu agradeço a Deus por eles. Muitos garotos não têm irmãos como estes. Alguns garotos são rodeados de treinadores e agenciadores que só sugam...” diise Tyreke ao Washington Post sobre sua “equipe”, no torneio da NCAA deste ano.

Antes de jogar uma partida pela NCAA, Tyreke estava nas capas da SLAM Punks (foto ao lado), Dime...; aparecia em comercias de TV; documentários... Tudo muito bom, certo? Sim, mas algo de errado aconteceria, afinal, nem tudo é perfeito.

Noite de 27 de Novembro de 2007. Tyreke estava dando uma volta no seu SUV com um primo (Jamar) em Chester Township, cidade da Pensilvânia. Depois de um tempo, Jamar pediu que Tyreke parasse. Jamar, do banco de passageiro do carro de Tyreke, disparou vários tiros contra Marcus Reason, um adolescente ligado a gangues; Marcus faleceu após o tiroteio e nesta última terça (23/06), Jamar foi condenado à 20 anos de prisão por assassinato.

E Tyreke? Cúmplice?

O júri entendeu que Tyreke é inocente, pois em nenhum momento ele ficou ciente do que seu primo ia fazer. Jamar disse à corte que Tyreke não teve nada a ver com o assassinato.

Na época, Tyreke estava prestes a escolher uma universidade e teve receio que este episódio manchasse todo o trabalho que foi feito com ele pelos seus irmãos. Apesar de tudo, os principais programas de basquete continuaram sondando Evans que, entre a universidade do Texas e de Memphis, escolheu Memphis.

A missão de Evans era complicada, substituir Derrek Rose e tentar repetir o feito de 2008 quando os Tigers chegaram na decisão do Final Four. O começo foi difícil para ele, mas uma mudança de John Calipari (então treinador de Memphis e que hoje está em Kentucky) fez a diferença no jogo de Evans.

Com ida de Rose para a NBA, Memphis estava sem um armador. Depois de muitas tentativas, Calipari resolveu colocar seu armador-arremessador (SG), Tyreke Evans para ser o quarterback da equipe. Em 28 jogos que Evans jogou de armador, Memphis venceu 27! Perdeu um jogo só contra Missouri, no Sweet 16 (oitavas de final) do torneio da NCAA deste ano; na ocasião, Evans foi o cestinha da partida com 33 pontos.

Quando o Sacramento Kings se preparava para fazer sua escolha no Draft 2009, Ricky Rubio estava disponível e todos pensavam que o clube ficaria com o espanhol. Para surpresa de muitos, os Kings escolheram Tyreke para comandar as armações ofensivas da equipe junto com Kevin Martin.

Há divergência de opiniões sobre a decisão do Sacramento: uns acham que fizeram a escolha certa com Evans, outros viam Rubio como uma melhor opção pelo estilo de jogo da equipe. Paul Westphal, treinador da equipe, deve achar um espaço para Tyreke na equipe - Evans disputa com Sergio Rodriguez e Beno Udrih a titularidade.

Para trás ficaram os casos e história de um talentosíssimo jogador, que esteve no topo das notícias durante toda sua carreira por feitos dentro e fora de quadra. O futuro é uma carreira de sucesso na NBA, porém o presente não é tão agradável assim: jogar no Sacramento Kings, pior equipe da associação na temporada passada.

Convenhamos. Afinal, nem tudo é perfeito...



©1 Mike Brown
©2 SLAM
©3 NBAE


quarta-feira, 24 de junho de 2009


NBA - As Apostas (Draft 2009)


Há uma certeza e diversas dúvidas no Draft 2009 da NBA.

Existe a certeza que Blake Griffin será uma super-estrela.

Em relação às dúvidas... existem várias.

Será que Ricky Rubio conseguirá mostrar seu estilo em alto nível na associação? Hasheem Thabeet vai ser um sucesso ou um fracasso? O que o Minnesota Timberwolves irá fazer com suas quatro escolhas na primeira rodada? O que vai acontecer com...

Bem, estas (e outras) perguntas só terão suas respostas no dia do draft – 25/06 – ou quando a próxima temporada começar.

O “Grandes Ligas” não irá se aventurar em tentar prever o que acontecerá na noite do draft. Assim como foi feito com a NFL (As Apostas – NFL Draft 2009), “Grandes Ligas” colocará a disposição de seus leitores um perfil de seis jogadores que têm potencial de serem importantes nomes no futuro da associação, baseado em analise pessoal, visão dos “olheiros” da NBA e qualidade individual de cada jogador.

Confira nossas apostas:

Jrue* Holiday
(Pronuncia: Dru)



Natural de: Chatsworth, Califórnia
Idade: 19
Posição: PG / SG (1 ou 2)
Universidade: UCLA Bruins (Novato)
Curso: “Não Declarado”
Curiosidade: Toya Holiday, mãe de Jrue, é a responsável por gerenciar a carreira do jogador desde os tempos de escola.

Holiday já poderia estar na NBA se não fosse a regra de que apenas jogadores acima de 19 anos tem acesso a liga. A temporada em UCLA não foi boa para ele, com médias de 8,8 PPJ e 3,7 APJ. O que coloca Jrue em alta neste draft são suas atuações na escola de ensino médio (ele foi eleito o melhor jogador do High School em 2008 – Prêmio Gatorade) e seus treinamentos pré-draft. Seu jogo de defesa é o que vem mais agradando aos times, já que marcar é uma das coisas que Jrue mais gosta de fazer em quadra e é difícil achar um armador com este tipo de qualidade.





Earl Clark



Natural de: Plainfield, Nova Jérsei
Idade: 21
Posição: SF (3)
Universidade: Louisville Cardinals (Junior)
Curso: Comunicação
Curiosidade: Na infância, Clark jogava basquete imaginando ser Allen Iverson… Clark teve um absurdo aproveitamento de 62% de seus arremessos no torneio da NCAA deste ano.

Sua postura é de um puro ala. Qualquer parte do jogo de Clark que for avaliada (controle de bola, arremesso, infiltração, movimentação sem a bola...) chega-se a conclusão de que ele é o jogador modelo da posição, pronto para a NBA. Durante os três anos em Louisville, sob o comando de Rick Pitino, Clark mostrou a todos como se arremessa uma bola com estilo e eficiência; terminou sua carreira universitária com 47% de aproveitamento. Apesar de se dar bem contra marcação por zona fazendo boas infiltrações, precisa melhorar seu drible contra uma marcação individual.





Stephen Curry



Natural de: Akron, Ohio
Idade: 21
Posição: PG (1)
Universidade: Davidson Wildcats (Junior)
Curso: Sociologia
Curiosidade: Ele é filho de Dell Curry, que atuou na NBA por 16 anos (recebeu o prêmio de “Sexto Homem” em 1994 com o Charlotte Hornets). Sonya Curry,mãe de Stephen, foi uma jogadora de vôlei bem sucedida da Virgina Tech, mesma universidade que Dell estudou, onde ambos se conheceram. Stephen, quando criança, apareceu em um famoso comercial do Burger King com seu pai.

Improvável, este é o rótulo de Stephen Curry. Um jogador de raciocínio rápido que tem um ótimo arremesso de longa e média distância, mas tem também boa visão de quadra para entrar no garrafão quando a marcação se aproxima. Porém, se a marcação chega forte, Curry se mostra pouco eficiente para sair dela. O improvável aparece também na sua projeção no draft: alguns o colocam entre a quarta e quinta escolha, enquanto outros o colocam abaixo da décima quinta escolha.





Brandon Jennings



Natural de: Los Angeles, California
Idade: 19
Posição: PG (1)
Time Europeu: Lottomatica Roma (Itália)
Curiosidade: Foi o primeiro jogador que “escolheu” jogar na Europa ao invés de ir para a NCAA.

Percebe que o “escolheu” está entre aspas. Porque não foi bem uma opção de Jennings ir para a Europa... foi a única! Ao sair da poderosa Oak Hill Academy HS, famosa por revelar grandes jogadores de basquete (ex. Josh Smith, Carmelo Anthony, Rajon Rondo, Kevin Durant...), Jennings estava acertado em ir para a universidade do Arizona. Contudo, ele não conseguiu passar na prova para entrar na faculdade, mesmo após várias tentativas. Desta forma, ele “escolheu” ir para a Europa. Lá ele não teve uma boa temporada, por isso que seu caso se assemelha com o de Jrue Holiday: é cotado para ser uma escolha alta graças aos anos na escola (High School).





Ricky Rubio



Natural de: Barcelona, Espanha
Idade: 18
Posição: PG (1)
Time Europeu: DKV Joventut (Espanha)
Curiosidade: Joga profissionalmente desde os 14 anos, mas seus pais só o autorizam a falar com a imprensa após completar a maioridade.

Há dois pontos de vista em relação ao jogo do espanhol: o americano e o europeu. No ponto de vista americano, Rubio é um cara que jogou bem contra Jason Kidd e Chris Paul nas Olimpíadas de Pequim e tem um nome que poderia ser de um personagem da Disney... No ponto de vista europeu, Rubio é um atleta de excelente habilidade com a bola, que tem uma boa visão de jogo e faz seus companheiros jogarem melhor. Ambas as visões se encontram em um ponto: ele (ainda) não é um bom arremessador. Contudo, há tempo para ele desenvolver seu jogo e, se conseguir, será uma estrela na associação sem dúvida nenhuma.





Blake Griffin



Natural de: Oklahoma City, Oklahoma
Idade: 20
Posição: PF (4)
Universidade: Oklahoma Sooners (Segundanista)
Curso: Ciência Preventiva (área da Medicina)
Curiosidade: Ele, junto com Sam Bradford (quarterback de Oklahoma), conseguiu um feito histórico na temporada passada: venceram no mesmo ano o prêmio de melhor jogador da NCAA. É apenas a segunda vez que uma mesma universidade tem dois jogadores nestas condições – a outra foi UCLA em 1968 com Gary Beban (football) e Kareem Abdul-Jabbar (basquete).

Griffin é a certeza. Tem potencial para ser um dos mais dominantes jogadores da associação. Quando perguntado sobre seu estilo de jogo, Griffin afirma que gosta de contato, de jogo físico. Entretanto, ele não vê problema em fazer o jogo de transição, assim como jogar longe da cesta e converter arremessos de média distância... Griffin é o pacote completo, inclusive para ser um jogador de franquia; resta saber se o Los Angeles Clippers vai saber como usá-lo...



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