A excelente fase da NBA, com emocionantes partidas nestas finais de conferência, está expondo ao público dois estilos de jogar basquete apresentado pelas equipes que estão no final four: o estilo mais individualista (Los Angeles Lakers e Cleveland Cavaliers) e o estilo mais coletivo (Denver Nuggets e Orlando Magic). Fica com o torcedor a escolha do que mais lhe agrada.
Antes do inicio das finais de conferência, muitos apostavam em uma decisão “individualista” pelo título da NBA entre Lakers e Cavs, interessados no duelo Kobe Bryant versus LeBron James. Um encontro deste tipo agradaria a associação ($) e seria mais atraente para o fã de esporte em geral.
Contudo, não é pequena a possibilidade de haver uma final do “jogo coletivo” entre Nuggets e Magic. O amante do basquete assistiria um duelo deste sem nenhum problema, porém não seria tão atrativa assim para o grande público. Mesmo não sendo um encontro entre San Antonio Spurs e Detroit Pistons da decisão de 2005 (uma com um dos piores índices de audiência da história) e por mais que Denver e Orlando tenham jogadores interessantes de se assistir, ambos não tem LBJ ou Bryant...
Outro cenário possível é ocorrer mais jogos ente a Individualidade e o jogo coletivo na final da NBA. Neste caso, quem levará a melhor? Veja o que cada time tem feito até o momento nestas finais de conferência:
Individualidade
Cleveland Cavaliers
Imagina se o Mike Brown (treinador dos Cavs) armasse uma jogada ofensiva em que a bola NÃO passasse pelas mãos de LeBron... Bom, esta é apenas uma imaginação mesmo. Não parece que o camisa 23 do Cleveland em todo o ataque arma a jogada, faz o “corta-luz”, arremessa (e se caso acertar o aro) vai e pega o rebote e converte a cesta com um “tapinha”? E fazendo tudo isso sozinho? No jogo 5, os primeiros 29 pontos do Cleveland no quarto período passaram por LBJ; seja em assistências ou pontos. Dos cinco jogos desta série contra o Orlando, LBJ marcou mais de quarenta em três deles; foi derrotado em todos. No jogo 2, quando anotou 35 pontos, os Cavs venceram graças a um arremesso dele nos segundos finais da partida. No jogo 5 ele anotou um triplo duplo (37-14-12)
O garrafão ofensivo do Cleveland está sendo pouco produtivo. Os arremessos de média distância de Delonte West não apareceram. Mo Williams é que vem procurando fazer algo para ajudar LBJ e foi eficiente somente no jogo 5, convertendo seis arremessos de três. O armador da equipe foi o segundo cestinha em todas as cinco partidas, anotando mais que 20 pontos em apenas uma delas (17, 19, 15, 18 e 24 respectivamente).
Los Angeles Lakers
Kobe Bryant marcou mais de 40 pontos em duas partidas (duas vitórias) e marcou menos de 40 em três partidas (duas derrotas e uma vitória). Além de creditar ao camisa 24 dos Lakers os resultados positivos no jogo 1 e 3, deve se valorizar as duas roubadas de bola de Trevor Ariza no finalzinho dos jogos, se não...
Pau Gasol até está fazendo sua parte, mesmo com sua média de pontos menor na série contra o Denver em comparação com estes playoffs (18 nos playoffs, 17 contra Denver). Enquanto isso, dois jogadores chaves para o esquema de Phil Jackson simplesmente “desapareceram”. Lamar Odom chegou ao inicio das finas do Oeste sendo o segundo cestinha da equipe nesta pós- temporada (média 18,5 PPJ), contudo não marcou mais do que 10 pontos em nenhuma das quatro primeiras partidas e sua média nestes jogos foi de apenas 7,5 PPJ! Jogando mais do que 30 minutos por jogo...
Se o “caso Odom” causa espanto, e o “caso Derek Fisher”? O jogador que tem 170 partidas de pós-temporada não está mostrando nada de sua vasta experiência. Do jogo 2 ao jogo 4, Fisher anotou (somando os três jogos!) 12 pontos, 6 assistências e 2 cestas de três entre 11 arremessos...
Tanto Odom e Fisher responderam em quadra as péssimas atuações nestas finais do Oeste, no jogo 5. Lamar Odom marcou 19 pontos em pegou 14 rebotes e Derek Fisher anotou 12 pontos, ajudando Kobe. que terminou a partida com 22 pontos.
Jogo Coletivo
Orlando Magic
Esqueça Dwight Howard (mesmo ele jogando acima da média e convertendo 29 lances livres de 41 tentados nestas finais do Leste). Só para fazer um pequeno exercício. Seja Rashard Lewis, ou Hedo Turkoglu, ou Rafer Alston, ou Mickael Pietrus, algum destes quatro irá anotar pontos e contribuir de fato para sua equipe. No jogo 1 foi Lewis, no jogo: Turkoglu, no jogo 3: Pietrus, no jogo 4: Alston e no jogo 5: Turkoglu.
Coloque de volta Howard e acrescenta sempre 20 pontos e uns 15 rebotes por jogo... Com seus “coadjuvantes” jogando o fino do basquete, o resultado é uma equipe (elenco) difícil de ser batida nesta fase que está.
Denver Nuggets
Com exceção do trio do Boston Celtics, os Nuggets são a única equipe da NBA que tem três jogadores (Chauncey Billups, Carmelo Anthony e JR Smith) que podem anotar mais de 20 pontos por jogo. Contando ainda com as contribuições de Nenê, Kenyon Martin, Linas Kleiza, Chris Anderesen...
Esta ajuda, porém não apareceu no jogo 5 (vitória dos Lakers em Los Angeles). No quarto período, apenas ´Melo e Kleiza marcaram pontos para os Nuggets, com Billups anotando só 12 e JR Smith 7.
É um dos times mais físicos de toda associação (e também um dos mais tatuados...). Joga com agressividade nos dois lados da quadra, o que fortalece mais o conjunto do time. Chegou na posição de momento, um dos possíveis finalistas da NBA, graças a disposição e garra demonstrada por todos do elenco. Na “enciclopédia da NBA”, na definição sobre jogo coletivo, está uma foto do Denver Nuggets.

Os números que o brasileiro Nenê, pivô do Denver Nuggets, conseguiu nesta temporada da NBA, somado com as impressionantes performances jogo a jogo, o credenciaram a levar o prêmio de Jogador com Maior Evolução deste campeonato. Não ganhou (Danny Granger, ala do Indiana Pacers foi o vencedor), recebeu poucos votos, mas mesmo assim ele não foi deixado para trás.
Seus companheiros, a comissão técnica dos Nuggets, jornalistas, torcedores, enfim, todos elogiaram a ótima temporada que Nenê fez, levando em consideração o que ele passou fora das quadras no ano passado recebendo o diagnóstico de câncer nos testículos. Passar pela doença foi uma vitória, conseguir os melhores números nos sete anos de carreira na associação, foi outra.
Nenê sempre foi esperançoso, talvez inspirado nos personagens do seu filme predileto: “Deixados para trás”; que tem como tema principal a espera por uma segunda chance. O momento que passava o brasileiro era muito bom para ser perdido assim, do nada... Quem chegou tão longe não desistiria tão fácil.
Vila São José, periferia de São Carlos (cidade do interior do estado de São Paulo). De lá surgiu para o mundo do basquete Maybner Hilário – que oficialmente virou Nenê em 2003. Conquistou o título brasileiro pelo Clube de Regatas Vasco da Gama em 2001 e se inscreveu para o draft da NBA no ano seguinte. Bastou uma temporada de treinamentos nos EUA (Chicago) para ele ser escolhido na primeira rodada (7ª posição) no draft de 2002 pelo New York Knicks; que o trocou com o Denver por Antonio McDyess.
O que ele mais queria conseguiu: estar no melhor basquete do mundo. Mas, e as outras coisas? Quer dizer, família, amigos, Brasil... “Foram muitos choros de baixo do chuveiro” diz Nenê sobre seu período de adaptação “Tinha 19 anos, estava morando em outro país sozinho... era difícil, mas eu precisava me concentrar no jogo”.
Fez isto muito bem. Na primeira temporada de NBA, Nenê foi eleito para o primeiro time de novatos, considerado o melhor pivô entre os jogadores no primeiro ano.
Logo no inicio da sua carreira na NBA, diversos acertos precisavam ser feitos dentro do seu estilo de jogo, algo bastante natural. Ao passar dos anos, Nenê foi mostrando sua evolução dentro de quadra, se firmando como um jogador de NBA. Mudanças que o ajudaram. Porém algo não mudou nele desde sua chegada na associação: A Atitude.
Para entender mais sobre isto, veja uma declaração dele sobre enfrentar Shaquille O´Neal, Tim Duncan, Kevin Garnett... “Eu sou profissional, eles também são profissionais. Eles vão querer ganhar de mim e eu vou querer ganhar deles. Então, dentro de quadra, pra mim eles é ‘um João’...”. Diferente né? Ao invés de dizer “Nossa! Sou fã destes caras” ou “É um sonho jogar contra eles” ele quis dizer “Vou entrar lá e fazer meu jogo, não importam qual seja o sobrenome deles”.
Esta atitude ele carrega durante toda sua carreira. Atitude de não “abaixar a cabeça” e encarar de frente as situações, sempre, claro, com respeito. Se isto o ajudou nas quadras, foi extremamente importante fora dela.
11 de Janeiro de 2008. Esta foi a data que o Denver Nuggets comunicou que Nenê deixaria o time por tempo indeterminado devido a problemas de saúde. Quatro dias depois um tumor nos testículos foi removido. Cirurgia foi a decisão correta, independente do que aconteceria depois. Para Nenê, tudo ocorreria bem. Para “O Esperançoso” tudo ocorreu bem.
Pode voltar às quadras e fazer o que mais gosta: jogar basquete. Graças ao seu esforço e habilidade, jogar um basquete de altíssimo nível. O brasileiro foi fundamental para a belíssima campanha na temporada regular do Denver Nuggets e está sendo fundamental nestes playoffs; foi o cestinha no jogo 1 nas semifinais do Oeste contra o Dallas (25 Pontos) e no jogo 2 da mesma série com 24 pontos.A história “hollywodiana” de Nenê foi o argumento principal para que o atleta recebesse o prêmio de Jogador com Maior Evolução. Não aconteceu. Não tem problema algum. O prêmio maior é ele estar na NBA. Mais do que isto, jogando como titular numa das melhores equipes da associação. Mais ainda, se recuperar do jeito que ele conseguiu e transformar uma potencial tragédia em um verdadeiro sonho...
Em seu site oficial, assim que ficou sabendo do câncer, Nenê colocou um versículo bíblico (Hebreus 10.36) que diz “Você precisa perseverar de modo que, quando tiver feito a vontade de DEUS, receba o que ELE prometeu”.
A fé de uma criança do Nenê o ajudou, e “O Esperançoso” venceu recebendo a vitória. De fato...
... ele não foi deixado para trás.

Essa desculpa que muitos homens já usaram uma vez na vida (Não é Verdade?) fará sentido para os fãs de beisebol e esporte em geral neste mês de junho. A revista Playboy americana traz na edição uma entrevista com o principal empresário esportivo dos EUA: Scott Boras. Mesmo tendo como campo de atuação apenas a MLB, Boras recebe grande destaque pelos jogadores que administra e pelos contratos que consegue para eles; claro que ele saí ganhando “um troco” também...
Confira os principais assuntos discutidos na entrevista.
Sobre ganância “Quando olho para os torcedores, vejo um grande fanatismo; um fanatismo pelos seus times. Porém, os atletas têm escolhas. Eles não querem chegar aos 50 anos de idade dizendo ‘Porque eu recusei aquele contrato de U$ 70 milhões? Eu poderia ter feito mais para minha comunidade, minha igreja, minha família. A vida de um jogador é curta, e seu empresário está ali pra ajudar. No final das contas, o que os fãs pensam não é levado em consideração. Não estou aqui para ganhar concurso de popularidade”
Parece o futebol... Este trabalho de buscar um melhor contrato para os jogadores têm um peculiaridade na MLB em comparação com a NBA e NFL, por exemplo. Das principais ligas esportivas americanas, a MLB é a que menos tem jogadores com formação universitária; ou seja, atletas que vivem (literalmente) do beisebol. Por isso há contratos astronômicos na liga, mesmo envolvendo jogadores de baixo nível técnico. Parece o futebol...
Sobre doping e Hall da Fama “Veja, o Hall da Fama é para aqueles jogadores importantes na sua respectiva época. Cada uma delas se difere desde equipamentos / regras, para avanços cirúrgicos, acordos trabalhista, farmacologia, leis federais e estaduais; tudo afetando na performance individual do atleta. O jogo está mudando constantemente. O Hall da Fama deve escolher jogadores de forma mais generosa. Apenas assim eles iram reconhecer a excelência de cada época”.
Ponto de vista interessante. Contudo o beisebol tem outra característica diferente de outras ligas: é o esporte mais tradicional, averso a mudanças drásticas. Partindo deste principio, será muito difícil acontecer algo deste tipo, principalmente se tratando de Hall da Fama. Sendo assim, grandes nomes como Roger Clemens, Alex Rodriguez, Manny Ramires, entre outros ficaram de fora.
Sobre as “Marias Bastão” “Este é um grande problema, porque temos garotos que saem da escola já ganhando milhões. Tenho uma cartilha que entrego para os jogadores que diz: ‘Se uma mulher tiver um filho seu, irá te custar U$ 2 milhões durante 18 anos para criá-lo’. Falamos também sobre a importância de fazer sexo seguro. Digo a eles para seguir um ritual: Se você conhcer uma garota no campo, pergunte a ela se sabe algo sobre os jogadores do ano passado, retrasado... Uma mulher que fica muito no campo ano após ano está procurando algo... Falo para os jogadores mais jovens: ‘Um relacionamento com uma garota errada pode destruir sua carreira”.
Scott Boras falou tudo! Pra quem não sabia, agora sabe que as “Marias Chuteiras” têm primas circulando na MLB.
Sobre mudanças na World Series “Eu a faria mais moderna, colocando uma melhor de nove partidas, com os dois primeiros jogos em cidades neutras. Anunciaria o MVP o prêmio Cy Young em “gala” entre os playoffs e a World Series. Mudaria o All-Star Game e o Home Run Derby para a mesma semana também. A “gala” e o Home Run Dreby seriam antes do jogo 1, no Sábado com o jogo 2 no domingo. Depois a série iria para as cidades dos times que disputam a final. Desta forma, lugares como Pittsburgh, Texas, Seattle, entre outros, teriam a oportunidade de receber a World Series, vendendo uma quantidade enorme de ingressos. A “Semana da World Series” seria um grande evento para todos e um passo a frente para o esporte chegar a outro nível”.
Interessantes idéias, mas de complicada execução. Entretanto as pessoas envolvidas com a liga entendem que mudanças precisam ser feitas no momento mais importante da liga: a World Series. Torná-la mais atraente e fazer com que fãs de outros esportes assistam aos jogos sem precisar ficar acordado até de madrugada... Principalmente porque as partidas são realizadas no auge da temporada da NFL (final de Outubro – começo de Novembro) e ganhar da NFL em “chamar a atenção” é complicado.
Para encerrar.
Sobre seu relacionamento com os torcedores “Pois é... As pessoas chegam em mim e dizem ‘Você está destruindo o jogo!’ Para todos eu respondo ‘Fico feliz que você é um fã do beisebol’. Tudo isso acontece porque eles se preocupam com o jogo. Eles o amam tanto quanto eu. A diferença é que minha apreciação pelos jogadores é muito mais alta do que a dos torcedores. Eu sei o quanto que jogar é difícil. Eu nunca exigi nada além de profissionalismo. Nem o meu emprego se compara com os dos meus jogadores. Não há nada melhor do que acorda e dizer: ‘Hoje eu vou jogar beisebol na MLB’”.