segunda-feira, 29 de março de 2010
O Que Parece Não É (Sinais na MLB)

Ryan Sandberg, treinador e lendário camisa 23 do Chicago Cubs (10 vezes no Jogo das Estrelas e 9 vezes Luva de Ouro), não está querendo dizer que alguém ganhou um brinde na cabeça, “Ryno” está transmitindo uma informação através de um gesto, um sinal que só seus comandados - das divisões de base dos Cubs -, decifram (é o que ele espera).
O beisebol é rodeado de sinais, uma maneira dos treinadores e jogadores se entenderem no campo, passando informações usando as mãos; na maioria das vezes. Diz a lenda que este tipo de comunicação surgiu no meio do século XIX, quando o jogador William “Dummy” Holy, surdo, recebia recados do treinador da terceira base (3B) via libras, para que ele soubesse o que o juiz marcou em determinada jogada. Muitos estudiosos do esporte acreditam que daí surgiu o uso de gestos pelos àrbitros para assinalar uma marcação.
Conforme o tempo passava, os treinadores achavam oportunidades para instruir seus atletas em campo. Um simples toque no boné ou um toque no queixo, por exemplo, já era suficiente e a ordem de roubar uma base ou correr após a rebatida era passada. Com o uso comum de alguns sinais, os treinadores usam a criatividade para enganar o adversário – que tentam adivinhar qual instrução foi dada.
O resultado disso é o que acontece hoje com o treinador da 3B, que faz gestos mais parecidos com coceiras, uma espécie de “tik nervoso”. É toque no peito, passar a mão no braço, na perna... e tudo com um entrosamento perfeito com os jogadores, que compreendem o que precisa ser feito após o espetáculo de movimentos.
É difícil para quem assiste entender qual foi o sinal específico mostrado pelos treinadores. Há uns toques que são tradicionais, mas eles mudam conforme as partidas. A cada início de uma rodada, o elenco se reúne e determinam quais serão os sinais específicos daquele confronto; inclusive os gestos podem mudar no curso do jogo. Se um jogador do clube é trocado, aí que tudo muda mesmo, pois há o receio deste cara dizer quais são os sinais do time que ele deixou.
Os técnicos treinam os sinais da maneira mais trivial: olhando para o espelho. Eles fazem isto para não serem tão óbvios e nem tão confusos. Tim Flannery, antigo treinador da 3B do San Diego Padres, fazia os sinais para seu filho de treze anos; se uma criança entende, o mesmo se espera de jogadores adultos profissionais.
Em todo momento do jogo é favorável o uso de sinais, mas três situações são mais comuns: Um corredor na 2B, sinais do catcher para o arremessador e sinais do treinador da 3B. Eis na sequência um guia básico para conhecer como funciona esta arte, que pode parecer coisa de maluco, contudo é muito útil e eficaz.
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Um Corredor na 2B

Nesta situação, o catcher precisa tomar cuidado com os sinais mandados para seu arremessador, porque quem está na segunda base pode ver e dá um toque para seu companheiro que está com o taco, facilitando a leitura da bola que será arremessada.
Para fugir dos sinais habituais e mais conhecidos, o catcher cria outros toques, usando não só os dedos, mas também a máscara, os ombros e as cochas; a combinação visa confundir o corredor. Então é determinado um toque como sendo o indicador, significando que o próximo sinal dado é o válido.
Exemplo: suponhamos que o indicador seja o ombro esquerdo e que o toque na máscara seja bola rápida. Aí o catcher inicia sua atuação: toque na coxa direita, cotovelo, máscara, coxa esquerda, ombro esquerdo, máscara e ombro direito. Bola rápida é a opção oferecida.
O que pode acontecer também, nesta determinada circustância, é o catcherusar só os dedos, mas fazendo movimentos rápidos. Ele combina com o arremessador que, por exemplo, o terceiro sinal que ele mostrar é o bom. Então o catcher começa a fazer vários sinais com os dedos, porém só o terceiro é válido.
Mesmo assim, o corredor pode ajudar seu colega de time dando uma dica sobre o posicionamento do catcher, se a bola será mais à direita ou à esquerda. Aí quem está na segunda base faz sutis movimentos: dá um passo a mais para direita ou esquerda, faz um gesto com a cabeça e/ou com o braço.
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Sinais do Catcher

O arremessador confia no catcher, lhe dando a liberdade de auxiliá-lo na escolha dos melhores tipos de bola a serem arremessadas contra um rebatedor específico. A ordem pode vir do próprio catcher ou ele recebe uma instrução vinda do banco. Neste caso, o treinador usa toques na cabeça para “dizer” qual arremesso que ele quer. Vale toque na aba do boné, na orelha, no nariz, no queixo... Funcionando da mesma forma tradicional: um toque é o indicador e o próximo sinal é o válido.
O catcher usa os dedos entre as coxas de uma forma utilizada universalmente:
Dedo indicador: bola rápida
“V” invertido: bola com curva
Três dedos: bola lenta
Quatro dedos: um tipo de efeito preferido do arremessador
Há também outros sinais que indicam o local onde a bola deve chegar no home plate:
Sinal com a cabeça: bola longe do rebatedor
Dedo mindinho: bola perto do arremessador
Bola baixa: toque da luva no chão
Bola alta: Movimento de pulso com a mão da luva
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Sinais do treinador da 3B

Estes são os mais legais. A impressão que se tem é que o sujeito está se limpando, coçando a orelha, o nariz... Mas tudo tem um propósito: passar informações para o rebatedor ou para os corredores; haja sinal e criatividade. São tantos toques e sinais que existem dois especiais: um que indica um erro na instrução e outro que não indica nada (deixando com o jogador a decisão sobre o que fazer).
Basicamente, as instruções são as seguintes: bunt, rebater e ir para a 1B (rebatedores) e roubar base e correr só depois que a bola passar do infield(corredores).
Por estar de pé, o treinador da 3B tem o corpo todo para usar e ele faz exatamente isto. Combina com os jogadores um indicador e quais serão os sinais. Imagine que o indicador seja toque na aba do boné e o bunt seja toque na cintura.
O treinador começa: toque no braço esquerdo, orelha, aba, cinto, peito, perna direita e braço esquerdo. Por mais que os outros toques signifiquem alguma ordem, neste caso a válida é o bunt, porque foi o sinal dado depois do toque na aba.
Bater palmas é usado como sinais por alguns treinadores. Eles também têm a função de informar o corredor, quando ele está avançando as bases, se é melhor parar na mais próxima (braços erguidos) ou continuar correndo (giro com o braço).
Ah! Lembrando que é também função dele ser o primeiro a cumprimentar o rebatedor que acabou de fazer um home run...
(GL) - Escrito por João da Paz
© 1 Bran Bailey
© 2 Howard Smith / US Presswire
sexta-feira, 26 de março de 2010
Marcas, Placas e Dinheiro Pacas
O estádio da foto não tem nome. Quer dizer, nome tem – Cowboys Stadium –, mas não por muito tempo. Há anos que os estádios e ginásios norte-americanos são patrocinados por empresas e esta forma de negócio se fará presente também na mais fantástica arena esportiva dos EUA. Não se sabe quando isto vai acontecer, mas em breve alguma marca estará na frente do nome Stadium e assim será chamado o local onde o Dallas Cowboys mandará seus jogos na NFL.
É intrigante ver um dos clubes mais ricos e populares do mundo tendo dificuldade em conseguir um patrocínio para seu magnífico novo estádio. A crise econômica, a inflação do mercado (mais sobre isto adiante) e o ego do Jerry Jones, dono da franquia, são fatores que atrapalham o fechamento do acordo. Afinal, não será qualquer empresa que ficará com os direitos de nomear o estádio por uns 20 anos.
Os Cowboys estão acostumados a jogarem num estádio “sem nome”. O Texas Stadium foi a sede por longas quatro décadas, mas a chance de ter o próprio estádio e ganhar um “dinheirinho” com isto não será desperdiçada. Junior, filho de Jerry e chefe de vendas & marketing da franquia, deu a seguinte declaração ao jornal Sports Business quando perguntado sobre se o Super Bowl XLV (dia 6 de Fevereiro de 2011) será realizado em Dallas sem um logo empresarial no estádio:
“Vamos realizar as ações no tempo ideal para todos, aí teremos um nome no nosso estádio. Quando isto irá acontecer? Não sei exatamente. Esta é uma negociação que estamos levando a sério, pois a empresa que nos patrocinará será de ponta. O nome do nosso estádio é parte da nossa marca tanto como a estrela e as cores prata e azul. Queremos corresponder às expectativas dos torcedores.”
Nos bastidores existe o boato de três empresas interessadas: AT&T (telecomunicações), Verizon (telecomunicações) e Exxon (petrolífera); espera-se um valor por volta de US$20 milhões anuais.
Problema similar passa os times de New York da NFL: Jets e Giants. O novo estádio, dividido entre eles, será inaugurado nesta temporada, entretanto não há uma firma atrelada. New Meadowlands Stadium é o nome provisório por estar no complexo esportivo Meadowlands (que é composto por outras duas arenas) e por ser o nome de pântanos que circulam a região situada na cidade de New Jersey, mas muito próximo de NY.
Neste caso também se esperava um acordo rápido, porque a empresa que fechar contrato estará patrocinando uma arena de dois grandes times de NY, ganhando uma visibilidade respeitável. A alemã Allianz (seguradora e financeira) se interessou e a proposta seria mais de US$20 milhões por 30 anos. Protestos dos moradores judeus de NY/NJ acabaram com a negociação, alegando que a empresa era aliada do governo nazista na segunda Guerra Mundial, não querendo, assim, relação com os europeus.
A quantia de US$20 milhões apareceu mais uma vez... Ela é responsável pela super valorização deste mercado, pois foi neste valor que os mais recentes contratos foram fechados: Citigroup (financeira) com o New York Mets – Citi Field, foto acima; e Barclays (banco/holding) com o New Jersey Nets – Barclays Center. Ambos acordos são de 20 anos cada, com as empresas pagando US$20 milhões de dólares/ano.
Franquias como Cowboys, Jets e Giants podem conseguir acordos neste patamar, ou até melhores.
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Colocar nome de empresas em estádios/arenas nos EUA foi algo que iniciou pra valer em 1973. Mas bem antes, em 1953, uma indústria deu um jeitinho de colocar seu nome num estádio.
Em Saint Louis, o que prevalece é a produção de cervejas, liderada pela antiga Anheuser-Busch. A idéia dos donos era chamar de “Budweiser Stadium” o campo dos Cardinals, time da MLB da cidade. A liga não aprovou, porém eles conseguiram fazer que o nome de um dos fundadores da fábrica, Adolphus Busch, fosse colocado na placa do estádio. A partir de então, o local passou a se chamar “Busch Stadium”.
Mesmo após a compra da Anheuser-Busch pela empresa belgo-brasilera InBev, o nome permaneceu. E não deve ser diferente, pois esta é uma das poucas lembranças da tradicional indústria que fazia parte do dia-a-dia dos habitantes de Saint Louis. A pessoa mais odiada na cidade é o brasileiro Carlos Brito, presidente da InBev. Ele excluiu tudo o que envolvia o nome Anheuser-Busch e incitou um ódio voraz dos moradores locais. O nome do estádio ele não conseguiu mudar (e dificilmente conseguirá). Tudo é possível, porém, e a longo prazo não se pode duvidar se um dia a InBev comprar os direitos do nome e o estádio passe a se chamar “Brahma Stadium” – ou algo parecido.
Não há tradição que segure, só exceções como os casos do Yankee Stadium (NY Yankees), Fenway Park (nome de bairro - Boston Red Sox), Lambeau Field (nome do fundador da franquia - Green Bay Packers), Madison Square Garden, foto acima, (nome de um quarteirão do bairro de Manhattan - NY Knicks) e Dodger Stadium (LA Dodgers). Se a maleta cheia de dinheiro for apresentada, ninguém vai tocar no assunto de manter a integridade. Foi o que ocorreu em 1973, quando a Rich Foods (alimentícia) concordou em pagar US$37.5 milhões por 25 anos ao Buffalo Bills. Muitos diretores do clube na época ficaram estarrecidos com a “venda” do estádio e Bob Rich Jr., então vice-presidente de vendas e agora presidente da firma, faz uma piada sobre esta situação dizendo: “Não é como se nós estivéssemos renomeando o Louvre" – tradicional museu de Paris, França (declaração dada ao Wall Street Journal).
O importante é fazer dinheiro e este negócio é uma via de mão dupla: ambas as partes saem ganhando. Evidente que nem tudo é perfeito e acordos antes promissores vão por água abaixo. O caso mais notório aconteceu com o Baltimore Ravens, que fechou um contrato, em 1999, com a PSINet (provedor de internet) no qual a empresa pagaria US$105 milhões em 20 anos – esta negociação aconteceu no período que chamam “o boom das empresas .com”. Tudo ia bem e os Ravens até ganharam um Super Bowl (2001), mas cinco meses depois da conquista, a empresa faliu. Situações semelhantes aconteceram com o Houston Astros (Enron – energia), com o Washington Wizards (MCI – telecomunicações) e com o Tennessee Titans (Adelphia – telecomunicações), não havendo sucesso nos acordos porque as empresas fecharam.
Na maioria dos casos, contudo, a situação é favorável para os dois lados. A Sun Life (seguradora e financeira), líder mundial em seu setor, não pensou duas vezes em associar sua marca ao estádio do Miami Dolphins dias antes do Super Bowl deste ano. Somente a exposição num dos maiores eventos esportivos do mundo pagou parte dos US$20 milhões por 5 anos de contrato.
Com base no fechamento de ontem (25/03) da Standard & Poors 500, que mede as ações das 500 maiores empresas na bolsa de New York, quatro das oito de maiores movimentações patrocinam estádios:
1ª Citigroup – Citi Field (New York Mets)
2ª Bank of America (banco) – Bank of America Stadium (Carolina Panthers)
4ª Ford (automobilística) – Ford Center (Memphis Grizzlies) / Ford Field (Detroit Lions)
8ª Qwest (telecomunicações) – Qwest Field (Seattle Seahawks)
Por curiosidade: a empresa, entre as 500, de menor movimentação e que patrocina um estádio foi a MT&T (telecomunicações) – estádio dos Ravens.
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Se perguntarem ao dono da American Airlines (aviação) sobre a lucratividade deste negócio de patrocinar estádios/arenas, ele responderá que está muito bem, obrigado. A empresa aérea é dona de duas arenas na NBA: AA Center (Dallas Mavericks) e AA Arena (Miami Heat). Por os ginásios serem multiuso, o nome da firma não só aparece quando se tem jogo da franquia principal da cidade, mas quando tem shows musicais, eventos religiosos, circo... Somando tudo isto, o lucro vem.
Exatamente por se encaixar nesta categoria multiuso, o nome Cowboys Stadium está fadado a desparecer. A arena já recebeu uma luta de boxe, corrida de MotoCross, rodeio, Jogo das Estrelas da NBA... Jerry Jones Jr. está certo: é preciso ter cautela para esperar a empresa certa que irá possui o nome do estupendo estádio. Quando a final desta temporada da NFL estiver no seu inicio, o crédito que aparecerá no televisor não terá o nome da franquia que lá joga, e sim de uma mega marca que irá colocar seu nome na placa da entrada principal do estádio. Não sem antes liberar um bom dinheiro, é claro.
(GL) - Escrito por João da Paz
© 1 Ronald Martinez / Getty Images
quarta-feira, 24 de março de 2010
NBA - Perpetuando o Repentino (Milwaukee Bucks)

Puro marasmo.
Assim era a previsão de como seria o campeonato 2009-10 do Milwaukee Bucks. Com a perda de jogadores importantes como Richard Jefferson, Charlie Villanueva e Ramon Sessions na pré-temporada, o diretor de basquete (GM) da franquia, John Hammond, montou um time para sobreviver e esporadicamente ser destaque com as atuações do novato Brandon Jennings – na foto acima com o treinador Scott Skiles.
São poucos os que dispensam alguma atenção para acompanhar o time e este contingente diminui com a contusão do Michael Redd em Janeiro deste ano. Sem o principal jogador, uma das estrelas da NBA, os Bucks estavam fadados ao ostracismo.
Entretanto, situações improváveis aconteceram desde então e o Milwaukee sofreu uma drástica transformação a partir da contratação do veterano armador Jerry Stackhouse. Com o experiente jogador de 14 temporadas (e formado na universidade North Carolina) a equipe perdeu só sete jogos em 29 partidas. Evidente que não são os seus míseros 7.9 PPJ que colocaram o time nesta posição, mas sim seu comando e liderança que criou uma atitude de vencedor em cada um dos membros do elenco.
O súbito sucesso fez com que os Bucks figurassem entre os melhores times da Conferência Leste (atualmente é o 5º colocado). Fez também com que o talento dos jogadores que lá estavam aparecessem, mostrando para os diretores que o time tinha totais condições de brigar por uma vaga nos playoffs e competir em igualdade com os adversários. Só faltava uma peça finalizadora que fecharia o ciclo.
Na surdina, Hammond fez uma troca com o Chicago Bulls na data limite para transações, mandando para a Cidade do Vento os alas Joe Alexander e Hakim Warrick por John Salmons (foto abaixo, camisa 15). O resultado foi acima do esperado e Salmons prontamente assumiu o papel de cestinha da equipe, sendo o complemento ideal para Jennings e para o pivô australiano Andrew Bogut.

Enquanto Jennings arma as jogadas e se posiciona para fazer seus letais arremessos e infiltrações, Bogut se movimenta no garrafão para abrir espaços e/ou pegar rebotes, enquanto Salmons se coloca no lado oposto pronto para definir e marcar pontos para sua equipe. É com base neste trio que os Bucks se sustentam e acreditam ser o suficiente para darem trabalho nos playoffs.
Tradicionalmente, vitórias na pós-temporada surgem após o cumprimento de algumas etapas. É preciso ser um bom time na defesa, ter resultados positivos contra equipes que potencialmente estarão por lá, ter um bom conjunto e não apenas depender de alguns jogadores, ter alguém capaz de assumir a responsabilidade quando a situação assim se desenhar...
Contando os jogos só deste mês de Março (no qual os Bucks têm 9v e1d), cinco vitórias foram contra times que farão parte dos playoffs: Cleveland, Boston, Utah, Denver e Atlanta. As duas mais recentes vitórias mostrou algumas características fundamentais citadas anteriormente.
Contra os Nuggets em Denver, a vitória veio mesmo com péssimas atuações de Jennings e Bogut – combinados eles tiveram irrisórios 11 pontos. Porém o elenco jogou pela dupla e por eles, derrotando fora de casa um dos melhores times da Conferência Oeste.
Contra o Atlanta Hawks, jogo da última segunda (22), os Bucks passaram por um teste formidável, pois estavam enfrentando em casa o provável adversário na primeira rodada dos playoffs. A partida estava sendo dominada pelo Atlanta quando começou o quarto período e brilhou a estrela de Salmons. Ele marcou 32 pontos no total, mas 16 deles vieram no período decisivo e os Bucks se recuperaram num jogo que estava perdido.
Ao mencionar Skiles, o rótulo defensivo logo surge e o Milwaukee não é diferente dos outros times que ele comandou na associação. Quem contribui bastante para o sucesso defensivo do time é Bogut, ocupando bem sue espaço no garrafão, intimidando qualquer ataque a cesta (tem em média 2.5 tocos por jogo, o segundo em toda a liga) e forçando os adversários arremessarem de média e longa distância – os Bucks é o 10º na NBA em porcentagem de arremessos dos adversários: 45%. Demorou 5 anos, mas só agora Bogut (foto abaixo, de camisa branca) faz por onde ter sido a escolha número 1 no draft de 2005.

O time de Skiles melhorou quando o treinador fez uma mudança nas posições em quadra, que foram sutis, mas lhe rendeu bons resultados. Ele colocou Luc Mbah a Moute como ala-pivô, Carlos Delfino como ala de ligação e Ersan Ilyasova na reserva (sexto homem). O time foi mais produtivo em quadra depois destes ajustes.
Nota-se que o improviso se tornou necessário nesta temporada dos Bucks. Sem querer querendo, a equipe joga tão bem que se torna intimidadora. Chauncey Billups, armador dos Nuggets, disse após a mais recente derrota, que Milwaukee é um dos clubes mais difíceis de se jogar contra em toda a NBA. Mike Brown, treinador do Cleveland Cavaliers, é mais detalhista sobre esta questão:
“Quando eu vejo os Bucks, percebo força, garra e determinação. Afinal, assim são os times do Scott Skiles: vão para cima de você durante os 48 minutos de jogo com muita agressividade. Não se pode abaixar a guarda para eles”.
Se o sistema de trabalho da franquia Bucks for o de cumprir metas, Hammond já bateu a sua faz tempo. Além da boa produtividade do time em quadra, a marca do clube está em toda a mídia, que relata e redesenha os traços da construção imprevista deste elenco. O êxito dos Bucks trouxe uma renovação para Milwaukee, que tinha tudo para passar despercebido nesta temporada.
Hoje eles são o time da moda, aqueles que são destaques e chamam a atenção de todos que acompanham a NBA. Entre os que mais podem surpreender nos playoffs, Milwaukee é um dos favoritos, uma mudança drástica no mau humor que marcava o clube no início do campeonato. A previsão para hoje e para os dias futuros é esta:
Puro agito.
(GL) - Escrito por João da Paz
© 1 Gary Dineem / Getty Images
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