terça-feira, 26 de março de 2013


A solução virou problema


Por Kaio Esteves

 

Qual era a solução vista pelos críticos da seleção brasileira quando a mesma foi eliminada pela Holanda na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul? "Precisa haver renovação", "após a eliminação, o elenco deve ser refeito", "precisamos de jovens para criar outra base para a Copa de 2014". Pois bem...

 

A CBF ouviu as críticas, demitiu Dunga e trouxe Mano Menezes, que chegou com uma filosofia de renovação e novos nomes para a seleção. A atitude, na época, era vista como a mais certa para o momento. E era mesmo. Jogadores jovens e promissores como Neymar, Ganso e um pouco depois Lucas vieram, mas nenhum conseguiu salientar a real esperança do torcedor na seleção canarinho para a Copa.

 

A mescla de jogadores e os experimentos constantes em amistosos contra seleções pequenas deixou Mano desgastado no cargo e a seleção sem nenhum esquema bem montado ou entrosamento entre os convocados. Mano caiu, e com isso Felipão, campeão mundial em 2002, reassumiu o cargo e tem continuado com a mesma filosofia, embora tenha fixado alguns jogadores em suas convocação.

 

Pois bem, o problema, após os jogos contra seleções maiores como Itália e Rússia mostraram que o feitiço se voltou contra o feiticeiro. A ideia de renovação e convocação de jogadores jovens para a seleção deixou um vácuo no quesito "experiência" e isso foi decisivo nos dois empates contra as seleções citadas. Fred, experiente atacante que tem passagens pela seleção há muito tempo - sem conseguir se fixar - foi um dos "salvadores" de um resultado negativo nos dois jogos.

 

O difícil, agora, é encontrar a solução para um problema eque insiste em se prolongar desde 2010. A seleção, hoje, não é favorita para a Copa de 2014 e acho difícil conseguir em um ano trazer um bom futebol convincente e atraente para se tornar uma potência novamente.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012


Empolgante, mas só no fim


 

Por Kaio Esteves (@kaioesteves)

 

O proletário brasileiro que sentou no sofá de casa para acompanhar a decisão do Superclássico das Américas entre Argentina e Brasil, na noite de ontem, não imaginaria que o duelo pudesse ter sido tão emocionante quanto foi se julgasse o confronto até o minuto 35 do segundo tempo. Antes disso, o jogo parecia mais apagado do que o jogo adiado por falta de luz na casa dos Hermanos.

 

A representatividade do título não valia nada, mas a rivalidade, sempre diferente, que cerca qualquer duelo entre brasileiros e argentinos foi o que fez com que meia América Latina acompanhasse a partida. Para apimentar ainda mais a partida, a Bambonera, estádio do Boca Juniors, foi escolhida como palco. A seleção argentina não mandava um jogo no estádio desde 2002 e as circunstâncias estruturais do famoso caldeirão permitiu que o confronto fosse ainda mais disputado.

 

O JOGO
Em campo, um jogo não muito empolgante, mas também não morto, ao menos na primeira etapa. As seleções, representadas por jogadores que atuam somente no continente, iniciaram a partida com um ritmo acelerado, mas sem muita objetividade.

 

O reflexo econômico dos dois países era possível de ser interpretado pelas escalações. Na seleção argentina, representando o país que enfrenta crise econômica que parece inacabável, quatro jogadores dos onze titulares atuam no Brasil: Guiñazú (Inter), Montillo (Cruzeiro), Martínez (Corinthians) e Hernán Barcos (Palmeiras). Algo pouco visto nos elencos brasileiros há alguns anos atrás.

 

Já o Brasil vinha com um elenco bem dividido entre as equipes que se destacaram em 2012. Entre os titulares, três jogadores santistas (Durval, Arouca e Neymar), três do Fluminense (Diego Cavalieri, Thiago Neves e Fred) e três do Corinthians (Fábio Santos, Ralf e Paulinho) formavam a base do time de Mano Menezes.

 

O jogo seguiu lento e só teve agitação depois do primeiro gol, marcado por Scocco em um pênalti visto só pelo juiz. A falta feita em Martínez aconteceu fora da área. Um minuto depois, Fred apareceu para igualar, mesmo errando o chute e deixando o jogo em tom dramático para os argentinos. Era quase 40 minutos do segundo tempo e, como o resultado, o Brasil levava o "título", já que venceu a primeira partida em Goiás por 2 a 1.

 

Apesar do choque, a seleção argentina não se abateu e, em uma jogava de contra-ataque de Montillo, Scocco recebeu a bola livre e decretou a vitória dos hermanos, levando o jogo para os penais diretos.

 

PENALIDADES
Nos pênaltis, nervosismo e agitação por parte das duas equipes. Mesmo não se tratando de um título importante, vencer a Argentina para Mano Menezes traria um alívio para que o treinador pudesse trabalhar a seleção até o começo do ano que vem. E aconteceu. Cavalieri defendeu a cobrança de Martínez e, em seguida, Montillo mandou a bola na lua. Carlinhos foi o único a desperdiçar um pênalti para o Brasil e Thiago Neves, Jean, Fred e Neymar balançaram as redes e garantiram o bicampeonato.


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quarta-feira, 17 de outubro de 2012


Kaká trouxe alma nova à seleção brasileira


 

Por Kaio Esteves

 

A convocação de Kaká para os dois amistosos realizados na última semana, contra Iraque e Japão, respectivamente, mostrou que o meia ainda tem potencial para brilhar com a amarelinha. Kaká marcou gols nas duas partidas em que o Brasil goleou os adversários, 6 a 0 no Iraque e 4 a 0 no Japão. Ele mesmo se disse impressionado com o entrosamento com Neymar e companhia e recebeu elogios da imprensa e de Mano Menezes.

 

A experiência do meia, que já disputou três Copas do Mundo, parece ter trazido alma nova ao elenco, até então perdido e sem uma identidade em campo. Será que Kaká é mesmo capaz de fazer isso? Apesar de todos os elogios e da euforia dos fãs do meia merengue, ainda é cedo para julgar seu desempenho na seleção, mas é inegável que o time melhorou com a sua presença no meio-campo.

 

Kaká ainda continua não sendo destaque no Real Madrid, apesar de ter sido mais aproveitado por José Mourinho nos últimos jogos da equipe espanhola. Mano Menezes sabe que a dificuldade em se consolidar como titular no Real Madrid pode ser prejudicial ao meia pelo ritmo de jogo, mas pelo desempenho mostrado nas duas partidas, deve ser convocado novamente. Kaká está de volta à seleção e esperamos que esse novo ciclo traga boas atuações do meia e de toda equipe Canarinho. Desaprender a jogar futebol ele não desaprendeu...


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