O Brasil está eliminado da Copa América. O destino reservou para esses jovens jogadores um começo cruel. Um início de caminhada duro, mas longo. Tão pesado quanto a marcação paraguaia, quase que implacável. Na perna brasileira, que quase não caminhava. E a bola...coitada dela.
Um time recheado de craques. Sonho de qualquer comandante de guerra. Elenco enfeitado de bom futebol, deu lugar a outros enfeites: moicano, brincos e tatuagens. O cruzeiro da bandeira brasileira parecia ser o da antiga moeda. Só isso. O do céu, esqueceu-se. O futebol também ficou em Santos e respectivos clubes.
Nem os passes de Ganso puderam trazer um pingo de esperança. Toques que já pertenceram a Pelé, Zico e Rivaldo. Todos vestidos de 10. O menino Paulo Henrique tem muita qualidade. É craque. Será gênio. Garoto é elegante, tudo que faltou em cada pênalti displicente brasileiro.
Há de se dizer que o Paraguai é pior ainda. Que o jogo foi mal jogado, sem nenhum tipo de brilho. Foi a luz acessa no final do túnel, onde o Brasil jogou uma Copa América apagada. Sem o sal que o brasileiro tem na arte de chutar. Desta vez, foram eles que nos arremataram para as redes, como um gol do Brasil.
Mano Menezes tem suas qualidades. Apoio o seu trabalho. É um grande treinador, que já mostrou ser em Corinthians e Grêmio. Mas o perdão é a maior das qualidades. A amarelinha contava, em outras épocas, com o lateral Roberto Carlos. Hoje, é André Santos quem é o titular. Mudança considerável. Tragédia esmagadora. E o Marcelo, por picuinha, pode não vestir mais o manto brasileiro. Não é um craque, mas das depressões que a posição vive, é a menor.
Hernanes é outro que tem vaga nesta equipe com os olhos fechados. Fez falta. Maior até que a que o levou a ser expulso contra a França. Exclusão infantil, como o pé que subiu demais naquele jogo. Espero que a CBF não de um cartão vermelho ao Mano, na primeira derrota, assim como o treinador fez com Hernanes. Ainda tem tempo.
Há de se ressaltar o Lucas Leiva. Esse que esqueceu o futebol no Grêmio, aonde começou. Aonde tudo acabou. Depois vieram os tropeços no futebol inglês, que possui as suas características. Nada sutil. Nada elegante. Nada brasileiro.
O time é excelente. Os jogadores são ótimos e possuem extremo potencial. Porém, são jovens. Precisam aprender muito. Amadurecer com as boladas que a vida dá. Essas, que nem sempre são de cacife. Enfim, concordo com Caetano e peço que o tempo seja "o compositor de destinos". Que o futuro guarde o melhor para depois. E que a pátria amada sorria bastante na Copa de 2014. Mostre ao mundo o poder de um povo heroico, que faz deste esporte, sua única alegria nacional.
Caro Brasil Brasileiro,
Por Deus Ludopédia
Quando criei o futebol, nasci teu país. No sol que iluminou tua bola, fui mais os tupiniquins. Outros retrucarão: foi a Inglaterra quem originou o esporte mais original. Porém, respondo a todas as nações, que apenas ensinei a ti a sacudir as redes.
Outro dia dei-te uma nação repleta de apelidos. Foram Pelé, Vavá, Didi, Garrincha, Cafú, Zizinho e Canhoteiro. E, como se não bastasse, fiz nascer outros sem vulgos nomes: Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos e Djalma Santos.
O futebol mudou. Os talentos continuam nas tuas terras. Entre chibatadas e carinhos, fiz nascer Neymar, Ganso e Lucas Silva. Tu podes até reclamar de falta, pois ainda vai ver o que te espera. Na sala da tua casa. E, te digo, Brasil, não reclame do excesso. Lembra-te de 1950.
Barbosa tornou-se vilão desta amarela. Ontem, foi Júlio César quem falhou. Mas a bola rasteira não é o ponto fraco do atual melhor do mundo. Não será uma falha recente, ou outra diante dos holandeses, que irá tirar a credibilidade que lhe dei.
Caro Brasil Brasileiro, nem tudo é puxão de orelhas. Entretanto, se em outras épocas te regalei Roberto Carlos, na lateral esquerda, hoje reservo o André Santos. Porém, avisem o Mano que teimosia leva à desgraça. Possuem o Marcelo, que cai como uma luva nesse time.
Lá vai mais um palpite de quem não teria que opinar: Colocas-te o Ramires de carregador de piano, junto com Lucas Leiva, mas o primeiro carrega de mais a bola. O segundo é muito menos regular que Hernanes. Este, que chuta com os dois pés. Define como poucos. Alias, pouco arrematam com qualquer dos pés. Isso, em uma seleção, é pecável.
Perdoa-me se envolvo-me demasiado. Se quero demais essa camisa. Ou todas elas. Dizem que Deus é brasileiro, mas duvido que seja mais que eu. O imparcial, Deus Ludopédia.
Passa ano, vem ano, e a discussão se repete. O treinador da Seleção Brasileira, por melhor que seja, será carregado pela disposição de cada torcedor. Não há trabalho que seja unanime. Por mais genial que seja, sempre haverá a crítica, a sugestão e o amor. Coisas típicas da paixão do brasileiro por este negócio que se chama futebol.
Negócio que sempre extrapola os limites entre amar e gostar. Luta que tenta se equivaler a guerra, em amores e desamores. A morte, por vezes, torna atletas vegetáveis na imensidão que rege o amor pela redonda, que o diga Barbosa.
O que o Mano de todo brasileiro, ainda que não seja um completo amigo e companheiro, tem que fazer é batalhar por esta amarela. Se foi escolhido, pelo trabalho que fez em anos anteriores, mostra toda sua capacidade técnica e tática de entender o maior craque e o mais eficiente 'carregador de piano'.
O treinador da amarelinha, para ser considerado o 'chefe da nação', precisa aguentar certos deslizes. Que o diga o Velho Lobo. Zagallo sempre carregou consigo o número 13. No alto do seu coração. Já Mano Menezes carrega o glorioso 15, desde sempre para sempre, onde tudo começou. Foi no 15 de Campo Bom que o atual poderoso chefão iniciou seu glorioso trajeto.
Após isso, veio as cores enfeitadas do Grêmio. Foi em Porto Alegre que Menezes fez a alegria de todos os outros manos que vestem o manto azul. Venceu a batalha dos Aflitos e ingressou para a Série A, lugar que nunca deveria ter saído. Foi vice da Libertadores anos depois, perdendo apenas para o Boca, famoso 'papa tudo' da América do Sul.
Em seguida veio o desafio em um Corinthians recém rebaixado. O atual treinador da canarinho aceitou a oportunidade de retornar de onde acabara de sair. Não deu outra: o time do Parque São Jorge retornou para o principal torneio nacional.
Em 2009, com um time bem montado, chegou o Fenômeno. A cereja que o bolo não tinha e nem imaginava ter. Ninguém apostava no garoto de 1994, na vítima de 98, no artilheiro de 2002 e no vilão de 2006. Com quilos a mais e futebol sobrando, o craque do dedo indicador foi indicado por Mano. O Timão era campeão da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista.
Agora, esse tal de Mano Menezes assume a seleção brasileira. Tem todo o meu apoio. A batalha dos aflitos não está tão bem vencida, contra os chamados pequenos do mundo da bola. Testes são assim mesmo. O último dos moicanos foi o mesmo Ronaldo que fez sucesso no Corinthians de 2009. O novo moicano, literalmente, é Neymar, candidato certo a maior figura futebolística brasileira. A seleção está sendo renovada. Que os novos protagonistas da amarelinha vençam os aflitos e os 'desaflitos' que surgirem. Vai que é hexa, Brasil!