Pouco se viu um circo sem palhaços. Pouco se viu um hospital sem médicos. Pouco se viu futebol sem bola. Pouco se viu amizades sem amigos. Pouco se viu padaria sem pão. Amor sem amor.
Pouco se viu.
E, para rimar também: muito se viu, do melhor goleiro do Brasil.
Frase que se encaixa tanto em Marcos, como em Ceni. Defender um dos dois é mera questão de opinião. Injustiça, quiçá. Tanto de um lado, quanto de outro.
Ambos defendidos de 12 ou 01. Rivais/amigos. Contradição na história da vida. Pois, se há guerra, não existe amorosidade, ou respeito. Se o amor parte de um lado, o ódio não resplandece de outro.
De fato, poucos foram os casos que foram vistos. Quase ninguém foi tão ídolo.
Primeiro, em 2002, o santo do Palestra Itália tornou-se o rei de Yokohama. Deixando o melhor que Dida, Rogério, esquentando o banco no pentacampeonato. Provavelmente mais luminoso que Kahn, melhor jogador daquela Copa, segundo a desmembrada FIFA.
Em 2006 foi a vez de Ceni figurar a lista de Parreira, deixando o palmeirense no Brasil. Muitos aplaudiram. Outros criticaram. Mas cabe perfeitamente a reflexão, até porque o ídolo do Morumbi venceu uma Taça Libertadores da América, em 2005.
Peguei apenas duas lembranças, já que são mais de 1500 delas.
Ninguém é tão alviverde imponente, esperando que a luta o aguarde; ninguém é tão do clube bem amado, que, entre os grandes, é o primeiro.
Pouco se viu, é verdade.
Lesões. Desabafos. Lideranças. Amores fiéis. Estátuas. Bustos. Camisas personalizadas. Admirações. Gritos. Berros. Choros. Risos.
E, claro, milagres.
Gols.
Pouco se viu, amigo. Pouco será visto, meu caro.
Quanto ao clássico deste domingo, nunca esperei que Denis fosse Ceni e nem Bruno, ou Deola, se transformaria em Marcos.
Não chamem arqueiros para duelar em faltas. Ou pênaltis.
Não.
Não esperei uma entrevista sincera após o jogo.
Não esperem verdades no futebol.
Enfim, não exijam tanto dos deuses do futebol.
Nem verde e branco e nem tricolor. O jogo de amanhã está em luto, ainda que ninguém tenha partido desta vida.
O santo foi para o céu da vida fora da bola. Rogério caminha para isso.
Pode até ser que, na bola do mundo, alguns tenham sido tão quão os dois. Embora isso, eu duvido.
E o futebol brasileiro, nesta linha, nada mais tem de lealdade e respeito aos seus clubes. Ou atletas, desgostosos, que saem cada vez mais rapidamente.
Mais desimportantes.
E nós, meros mortais, a mais um jogo.
Que, certamente, não será mais como foi ontem!