Dizer que o aniversário de 60 anos de Zico não trouxe sorte ao Flamengo é, no mínimo, injustiça. Mas se há superstição, certamente o Galinho afundou junto com o rubro-negro neste domingo. Pelo menos na tristeza, aquilo que era felicidade nas ruas do Rio teve uma luz apagada, como quando chove aqui em São Paulo, no entra e sai de prefeituras. Nada muda. Depois do camisa 10, tudo mudou. Para pior.
O Botafogo não é duas vezes melhor que o Fla, embora tenha vencido por dois a zero no Engenhão. Muito pelo contrário: o time de Armando Nogueira, hoje, é mais fraco. Por mais Patricias e administrações falhas e falhadas no maior time do Brasil no quesito torcida.
A estrela solitária brilhou; o Botafogo é finalista da Taça Guanabara.
Felipe ficou no meio do caminho no segundo gol, o da classificação. Ele correu, para cabecear naquele que seria o último lance e assim como o time dele, o Flamengo, não chegou. Tropeçou na arrancada de um rival. Merecimento.
Quase esqueci. Zico continua fazendo 60 anos em mais um domingo dele.
Um domingo que definitivamente não foi do Flamengo. Assim como o sábado não pertenceu ao Flu.
Em um jogo de cinco gols, o que marcou três deles, o Vasco, é o adversário do Botafogo.
Não há mais vaga para o terceiro lugar. O Fla-Flu não foi escalado na desclassificação do emocionante primeiro turno do Campeonato Carioca.
Sorte e competência dos merecidos Bota e Vasco.
Que vença – continue vencendo – o melhor.
Naturalmente quem nasce em São Paulo torce por um dos quatro grandes da capital. Sendo Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.
Uns preferem times como a Portuguesa, Juventus e mais outros tantos.
No Rio de Janeiro, outro breve exemplo, imperam Fla, Flu, Vasco e Botafogo.
Flamengo, inclusive, time de maior torcida do Brasil. Mas muitos outros estadistas preferem vibrar com gols não só do rubro-negro, e também por outros.
Como é o caso dos demais, claro.
O Nordeste brasileiro é vermelho e preto. É apaixonante de Zico.
Porém quase todos acabam se esquecendo de que há Sport, Náutico, Bahia, Vitória e mais muitos outros.
Não é pecado nenhum. Entretanto é sim pouco caso.
Ser derrotado não justifica. Não ser campeão não desmantela. Perder dá mais fome de vencer.
Está certo que os estádios estão sempre lotados por lá. Que outros são verdadeiros apaixonados por estas instituições. Que há vibração no gol.
Mas o problema é a traição.
O ruim é a amante de pernas bambas, que mora longe de casa. Que faz tudo pelo nome do romance. Mas que também tem outro marido.
Seja paulista ou carioca.
Sentimento este que não deixa de ser de impotência, derrotista ou mais algo que o valha.
Ou não.
Mas do que adianta torcer por duas equipes em uma final de campeonato? Que graça tem?
Nenhuma.
Mesmo assim, graças a Deus, o futebol está voltando a ser feliz. Sem retrancas e estereótipos de futebol retrancado.
O exemplo hoje é o Barcelona.
Barça que eu sou desde pequeno, ainda com Romário, Ronaldo e Ronaldinho.
Xi, acho que a minha teoria caiu.
E de apaixonado amoroso com as terras alheias todo mundo tem um pouco.
É a tal síndrome do amante do jogo do vizinho. Ou da perna da vizinha.
Mas não deixa de ser fome sem vontade de comer.
E acredite: essa, nestas linhas, não é pecado. Nem gula. Nem luxúria.
Abraços
Pouco se viu um circo sem palhaços. Pouco se viu um hospital sem médicos. Pouco se viu futebol sem bola. Pouco se viu amizades sem amigos. Pouco se viu padaria sem pão. Amor sem amor.
Pouco se viu.
E, para rimar também: muito se viu, do melhor goleiro do Brasil.
Frase que se encaixa tanto em Marcos, como em Ceni. Defender um dos dois é mera questão de opinião. Injustiça, quiçá. Tanto de um lado, quanto de outro.
Ambos defendidos de 12 ou 01. Rivais/amigos. Contradição na história da vida. Pois, se há guerra, não existe amorosidade, ou respeito. Se o amor parte de um lado, o ódio não resplandece de outro.
De fato, poucos foram os casos que foram vistos. Quase ninguém foi tão ídolo.
Primeiro, em 2002, o santo do Palestra Itália tornou-se o rei de Yokohama. Deixando o melhor que Dida, Rogério, esquentando o banco no pentacampeonato. Provavelmente mais luminoso que Kahn, melhor jogador daquela Copa, segundo a desmembrada FIFA.
Em 2006 foi a vez de Ceni figurar a lista de Parreira, deixando o palmeirense no Brasil. Muitos aplaudiram. Outros criticaram. Mas cabe perfeitamente a reflexão, até porque o ídolo do Morumbi venceu uma Taça Libertadores da América, em 2005.
Peguei apenas duas lembranças, já que são mais de 1500 delas.
Ninguém é tão alviverde imponente, esperando que a luta o aguarde; ninguém é tão do clube bem amado, que, entre os grandes, é o primeiro.
Pouco se viu, é verdade.
Lesões. Desabafos. Lideranças. Amores fiéis. Estátuas. Bustos. Camisas personalizadas. Admirações. Gritos. Berros. Choros. Risos.
E, claro, milagres.
Gols.
Pouco se viu, amigo. Pouco será visto, meu caro.
Quanto ao clássico deste domingo, nunca esperei que Denis fosse Ceni e nem Bruno, ou Deola, se transformaria em Marcos.
Não chamem arqueiros para duelar em faltas. Ou pênaltis.
Não.
Não esperei uma entrevista sincera após o jogo.
Não esperem verdades no futebol.
Enfim, não exijam tanto dos deuses do futebol.
Nem verde e branco e nem tricolor. O jogo de amanhã está em luto, ainda que ninguém tenha partido desta vida.
O santo foi para o céu da vida fora da bola. Rogério caminha para isso.
Pode até ser que, na bola do mundo, alguns tenham sido tão quão os dois. Embora isso, eu duvido.
E o futebol brasileiro, nesta linha, nada mais tem de lealdade e respeito aos seus clubes. Ou atletas, desgostosos, que saem cada vez mais rapidamente.
Mais desimportantes.
E nós, meros mortais, a mais um jogo.
Que, certamente, não será mais como foi ontem!