Gritos em forma de texto. Paixão grafitada em futebol. Crônica para contar e se fazer viver. E uma boa dose de bola na rede


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quarta-feira, 15 de maio de 2013


O goleiro do mexicano Tijuana merecia o cartão amarelo; Bruno deveria ter sido expulso


 

 

@guicimatti

guilherme483@hotmail.com

 

 

 

O sonho era enfrentar o galo na próxima fase. O prato do palmeirense, porém, teve overdose de frango na terça.

 

 

Uma indigestão daquelas!

 

 

Bruno, goleiro, merece as honras: o único homem na história que conseguiu bater em mais de 36 mil pessoas de uma vez só, fora os milhões que de alma estiveram no Pacaembu nesta terça-feira. Um mito. Que seria ainda mais reverenciado se afastado do verdão. Festa mexicana.

 

 

A campanha na primeira fase foi gigante. Ao estilo colosso que sempre marcou o alviverde. Quando ainda tinha Fernando Prass no gol, nem Mauricio Ramos entregava como fez em 2012. Porque o ex-vascaino salvava a pátria e a antiga academia – bons e velhos tempos.

 

 

Academia que deixou os seus professores decepcionados. Imagina Marcos e Velloso, presentes, vendo o substituto. Quando se pensa que Bruno foi moldado desde a base para defender o gol do maior campeão do século passado.

 

 

Sem deixar de frisar o passado, que terminou o último parágrafo e as esperanças palmeirenses na Libertadores 2013. O símbolo do segundo rebaixamento. O escudo da nova queda, agora com o título de continental.

 

 

A bola veio morta, retardada, até matar de desgosto os que acreditavam. Despretensiosa, nem ela queria entrar. Nem a boa e velha redonda acreditava em um goleiro inacreditável. Em passos lentos o caminho da rede. Uma falha imperdoável. Um erro que teve a cara de Arnaldo Tirone, antigo presidente do clube. Uma bobagem que de grão em grão encheu o papo dos rivais e rebaixa mais ainda alguém que não deveria tropeçar tanto nos próprios pés. Nas mãos de Bruno. Milho de frango com gosto de eliminação.

 

 

O Tijuana enrolou, bateu e se apertou. Até merecer o disparate, a estupidez, a tolice ou qualquer outra palavra que traduza – se é que se pode traduzir uma falha assim. Justiça seja feita - ou amenizada - pelos milagres no México. Não adiantaram nada em um chute fácil em São Paulo.

 

 

Saucedo, goleiro do Tijuana, merecia levar o cartão amarelo por retardar o jogo no Pacaembu. Mas Bruno é quem deveria ter sido expulso.

 

 

Todos os times têm um goleiro. Para o palmeirense, só o Palmeiras tem um frangueiro.

 


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quinta-feira, 11 de abril de 2013


Ostentando a nossa fibra


 

 

Twitter: @guicimatti

guilherme483@hotmail.com

 

 

Você pode ter duvidado. Eu também não acreditava. Sim, eu sei. Eu pequei. Por não achar por dois longos segundos que uma finalização deles no final do jogo iria terminar nos pés do ótimo goleiro Fernando Prass. Um dos injustiçados no aeroporto na Argentina após o duelo contra o Tigre.

 

 

E desdenhei muito do meu time. Sim, como jornalista, não me importo em escrever, sem remorso: o meu time. Que desanimou em 2012. Não abaixou. Não repartiu. Sou parte de um Palmeiras que se reconstrói a cada dia. Como tantos e quantos. Critiquei garotos como Vinicius. Que se não craques, esforçados. O suficiente. O Palmeiras. O meu time.

 

 

Foi o Verdão que conheço na adversidade da expulsão infantil de Wesley, de sei lá quantos milhões de reais. Tivemos no Pacaembu a realidade de 35 mil jogadores fora do banco e do campo. Talvez mais importante que os que estiveram de corpo e alma no gramado. Na classificação. Na queda no ano passado. Na volta. Na reviravolta.

 

 

Na saída do desnecessário Barcos. Aí uma boa prova ao hermano. A resposta de um colosso. A história que não nega. O Grêmio, na primeira divisão do Brasileirão, nem classificado está. E corre sérios riscos de não correr mais pela Libertadores. O time onde o argentino foi procurar visibilidade pode se apagar e ficar manco precocemente.

 

 

Mas são nesses erros que se aprende o que é um Palmeiras. São nessas horas que se vê os de fato importantes. Os ídolos. Os grandes. E Barcos, aos 28 anos, só cresceu por causa do alviverde. Que apesar dele caiu.

 

 

Gigantes não se rebaixam. Está aí a prova. Parece que esqueceste que o agora classificado eliminou o teu imortal no ano passado da Copa do Brasil. O tal do soberano. Nós, os tais pequenos, para alguns que não pensam no que falam. E não falam no que pensam.

 

 

Gigantes não podem ser julgados, Barcos. Aprenda.

 

 

Porque todo o dia se ensina e se aprende com o time que defendeste no ano passado. Com a nação que desenhaste para o futebol. Que desdenhaste por uma falsa visibilidade. Em que te fizeste pouco mais conhecido. A Argentina, caro Barcos, será consequência de mais respeito e palavra, já que até outro dia, no clube, o discurso era de que ficaria.

 

 

O “tamo junto”, o seu, soou falso.

 

 

O “estamos juntos”, agora, foi verdadeiro. Foi Palmeiras. Foi paixão. Foi amor. Foi loucura.

 

 

Maravilhoso. Há muito tempo não se via coisas do tipo. A torcida, a parte ruim dela, espero que tenha aprendido que não é batendo que se ganha. Não é na surra que se grita mais alto. E sim jogando. E sim lutando, em campo.

 

 

Tamanho é esse Palmeiras, fazendo de um elenco limitado um prodígio campeão. Ou, pelo menos, não feio fazendo passar a sua torcida. Honrando um hino que prega a lealdade como padrão. A linha e atacante de raça. A defesa, ruim, que ninguém passou nesta última quinta-feira.

 

 

Tamanho é esse Palmeiras. Na furada de Mauricio Ramos afastando a bola por cima do gol. Que se fosse em outros dias, entraria no ângulo. Contra. Contrariando o que faziam Ademir, Evair e Dudu. Mas mesmo assim, Palmeiras.

 

 

Time, é bem verdade, não favorito. Mas ostentando a sua fibra.

 

 


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quarta-feira, 27 de março de 2013


Sonhos e memórias de uma noite de outono


Meus queridos netos.

 


Vocês conhecem de cor. Mauro Beting, há mais de 50 anos o melhor cronista esportivo do Brasil, escreveu em 2012 um texto para os netos dele. O Palmeiras, nosso time, havia acabado de cair para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro naquela época. Por incrível que pareça, nem jogávamos na arena, que vocês tanto vão.

 


E hoje, meus queridos familiares, eu me arrependo de só uma coisa: não ter escrito uma carta para vocês no tal do dia 27 de março de 2013. Não, não foi quando caímos. Mas sim quando ressurgiu o alviverde que hoje vocês tanto conhecem.

 


O Palmeiras perdeu de seis do Mirassol, um time antigo do interior de São Paulo que até já acabou. Ao contrário de gigantes como nós, Corinthians, São Paulo e Santos, eles não tinham tradição nenhuma. Fizemos dois, mas tomamos meia dúzia. Todos os meias-dúzias do elenco saíram. Aquilo foi um basta para o até então campeão do século, que era passado.

 


Gilson Kleina, esse que está na Ponte Preta desde então, saiu do time. Era o treinador. Por acaso, naquela noite fria, fez três substituições: trocou um lateral por outro, um volante por outro e um meio de campo por outro. Claro, até vocês, com cinco e três anos de idade, sabem que nada mudou e o time não reagiu. Até que ele foi trocado horas depois.

 


Um tal de Caio, centroavante, fez um gol e marcou outro em um impedimento errôneo assinalado pelo juiz. Não vingou tanto. Entretanto, meus filhos, um tal de Vinicius nunca mais jogou. Virou a oitava opção do time. Aliás, esse aí só jogava com o tal do Kleina. Até hoje não sei porquê. Ou imagino e prefiro não falar. Mas é página virada.

 


Hoje, vocês sabem, voltamos aos títulos e a lealdade e padrão que nos marcou quando jogavam ainda Evair e Edmundo. Não quero tocar nesse assunto, já que, claro, meus netos, vocês nunca ouviram falar nesses dois. Ainda que craques e inspiradores, se passaram décadas. O futebol é esquecido.

 


Mas os seis serviram sim para tudo que vencemos hoje. Enfim, depois de outra desgraça seguida, aprendemos. Paulo Nobre e Brunoro, competentes, colocaram as rédeas. A Mancha Verde, nossa antiga maior torcida, parou de bater nos jogadores e passou a só apoiar o time. Coisa que sempre marcou, mas, de uns tempos para lá, não foi assim. Até perdemos torcida e o Vasco da Gama, do Rio, havia nos passado. Dizem que é por causa de campeonatos ganhos. Não é verdade. Eles também não ganhavam, embora gigantes, há tempos de forma constante. Foi culpa nossa, em parte, torcedores. Depois explico essa teoria melhor. É meio complexa.

 


Como deve ser quase impossível acreditar que descemos dessa forma. E tudo começou com um tal de Arnaldo Tirone, que foi presidente no rebaixamento. Dele prefiro não escrever. Sabe como é: estou velhinho, posso até não passar bem.

 


Eusei, meus netos, que vocês devem estar de saco cheio de ler tanta boboseira. Tenho conhecimento que já são 21h35 e às 22h o Verdão vai jogar a final da Libertadores. A quinta seguida. Eu sei.  Mas observar isso, saber como tudo aconteceu, é ser Palmeiras. É ser parte dessa massa que canta e vibra mesmo quando não se ganha. Ainda que mais se perca que se vença. Ser Palmeiras, desde ontem, é nunca desistir. É sempre acreditar.

 


Amanhã tem na Série-B o primo daquele atacante, o Vinicius, junto do sobrinho neto daquele zagueiro, o Maurício Ramos, jogando contra a Ponte do Gilson Kleina. Não quero nem ver.

 


Agora vou tomar um suco com a avó de vocês. Para se ter ideia de quanto tempo faz que esse absurdo e as mudanças devidas aconteceram, eu nem conhecia ela. Depois disso, tudo mudou. Foi a mulher certa e o time se acertou.

 


Desde 27 de março de 2013, transformamos a lealdade e a esperteza em padrão. Não se esqueçam. Bom jogo!

 


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