
Foto: Lucas Uebel/TXT Assessoria
@guicimatti
Está na mesa. Arnaldo Tirone, até então presidente do Palmeiras, recebe uma proposta concreta do Flamengo por Kleber Gladiador. O montante chega a 5,5 milhões de euros. O mandatário aceita. Nem pensa.
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No dia seguinte, com a indecisão que marcou toda a sua gestão, dá para trás. Kleber continuaria no Palmeiras.
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Felipão chega a declarar que o Fla só teria condições de contratar o jogador se vendesse a Gávea inteira.
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O Gladiador, como qualquer outro empregado, quer um salário maior após ter sondagens maiores. Ele ganhava até então 180 mil reais mensais. Quantia menor comparada aos vencimentos de jogadores como Lincoln e Valdívia, que pouco atuavam.
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Kleber, descontente, coloca a cara para fora e continua jogando bola. Bola que construiu com capotão a alcunha de Gladiador. Inclusive contra o mesmo rubro-negro carioca, completando o sétimo jogo e o impedindo de jogar por outro time brasileiro em 2011.
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Mas a situação vai ficando insustentável.
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Antiga aliada do até então capitão do Palmeiras, membros da torcida organizada Mancha Verde desorganizam a vida do maior campeão do século passado e espancam o volante João Vítor na rua.
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Para Kleber, foi a gota d’água.
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Segundo apuração, o jogador quase abriu uma ação de 143 milhões de reais contra o Verdão. Ele iria de graça para o arquirrival Corinthians. Clube anteriormente de coração e de credos de Kleber, ainda criança.
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Ele não quer colocar o alviverde no pau, como se diz no dito popular.
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Porque foi o Palmeiras que recolocou o atleta em alta. Foi no Palmeiras que ele foi campeão paulista em 2008, em um ambiente totalmente diferente do vivido naquele momento. Não havia elenco rachado e nem jogadores descontentes e brigados com Luxemburgo.
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Foi o Palmeiras. Aquilo não era mais o Palmeiras.
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Felipão não era unanimidade: a maioria do elenco não gostava dele.
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Em outra lambança que marcou o reinado de uma negação, Arnaldo Tirone, pouco tempo depois, voltou atrás – para variar - e acertou a venda ao Grêmio. Um milhão de dólares.
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Menos de um quinto da proposta anterior. Poucos meses depois.
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A Gávea inflacionou. O Olímpico nunca foi tão barato.
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Nada nos rivais precisou ser vendido. E lá estava Kleber, saindo.
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Kleber, para alguns palmeirenses, virou Judas ali.
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Tirone, para o mundo, já não sabemos o que virou depois de ver o time ser rebaixado.
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Agora, no início de 2013, o Palmeiras pensa em repatriar o atacante por empréstimo. Parte da torcida reparte o nariz. Outra parcela aceitaria tranquilamente.
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O Gladiador tem seus vencimentos mensais aos 650 mil reais.
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O Grêmio ofereceu pagar 50% dos salários.
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Ainda segundo fontes, Kleber não esqueceu da versão aqui relatada. Não virá se tiver a reprovação da maioria. A ideia de traição contra o Verdão deixa o centroavante ainda inconformado. Incomodado. Se quiser, o Palmeiras terá, de fato, de convencer seu antigo camisa 30 a voltar.
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Retornar de onde, se não tivessem ocorrido tantas desavenças, ele nunca queria ter saído.
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O Palmeiras está mais empolgado com a negociação que o atacante, que não acha que perderá espaço com a vinda de Barcos.
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No Palmeiras, houve atrito com Felipão, Piraci Oliveira, Roberto Frizzo, Tirone e Galeano.
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Todos vilões nesse jogo interminável palestrino contra ele mesmo.
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Em 2013, anos depois, fica uma boa pergunta: quem será - serão – o (s) Judas daquela história?
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Foto: site oficial do Flamengo
Na selva, o urubu sobrevoa os matos em busca de carne. Aproveitador, o animal mira frequentemente os outros animais do bairro. Papa a maioria, e é tido como vítima, quando é caçado. A ave acha que é mais esperta que o restante do rebanho. Que pode acabar com eventuais espécies, sem amores ou rancores.
Em julho do ano passado, o Flamengo buscava na carniça de Kléber um possível novo ídolo. Queria trazer o Gladiador para a Gávea, nem que isso custasse muito para o clima dentro do Palmeiras, seu clube, até então. E o verdão, que vinha bem no Campeonato Brasileiro, começou a descambar. Caiu na classificação como a chuva em vidro de carro.
Mesmo assim, a excelentíssima presidente do rubro-negro, Patrícia Amorim, bancou a investida. Deu uma banana ao alviverde e aos bons costumes. A novela acabou com Kléber no Grêmio, e o Palmeiras chupando o dedo.
É fácil criticar os outros clubes por supostamente cometer uma postura antiética na relação com os possíveis novos reforços. O Flamengo cobra, mas não faz. Parece com aquele político que promete milhões, e cumpre centavos.
O Palmeiras chama hoje o Gladiador de Judas, por ter faltado com a palavra e forçado a saída do time paulista. Não muito longe, no ano passado, Amorim disse que o Gladiador tinha a ‘cara do Flamengo'. Tirone, hoje em dia, concorda e assina embaixo.
Outro caso envolvendo as duas instituições foi a ida de Vágner Love à Gávea. Não tem jeito, o brasileiro carece de boa memória. O mesmo Flamengo encostou e incorporou o atual ídolo. Os paulistas lá estavam na mão outra vez.
Oras, será que o time carioca é tão bonzinho assim? Será mesmo que nessa história os vingadores são mesmo os vilões?
Não sei. Mas agora vir com a ladainha de querer cobrar R$ 325 milhões me parece uma utopia de alguém que não soube administrar sua própria mulher, ou esposo, no caso de Patrícia. Todavia querer lua de mel depois da separação é demais.
O Flamengo parece o fiscal de trânsito que quer multar quando para o carro da companhia na faixa de pedestres. A criança que soca o amiguinho nos corredores da escola, e pede carinho. O político brasileiro que rouba, e mesmo assim pede voto. O ex-ministro da Justiça que defende um bicheiro e contraventor, e mesmo assim é da ‘justiça'. As CPIs que fazem barulho e acabam em nada.
E agora, Patrícia, vai cobrar indenização do Atlético Mineiro também, que cointratou R10? Como diria Cazuza, ‘sem gramas, sem dramas'.
Enfim,
Flamenguice nos olhos dos outros é refresco.
Abraços!
O casamento entre Palmeiras e Kleber parece que está para acabar. Sem divisões de patrimônio. Sem regalias e amores.
Só de pensar que tudo parecia paraíso. De linha verde. De 2008 até o sempre.
E essa história mais parece a que Renato Russo, no alto do palco da música, cantou em protesto do Brasil.
Convenhamos que mais se assemelha a canção 'Faroeste Caboclo' essa ladainha toda. Que de tão falada, está muito mal contada.
Então vamos aos personagens:
Kleber, ou João de Santo Cristo, é o garoto que vinha de outro estado matrimonial. Chegou ao Palmeiras afim de conquistar a torcida. Conseguiu. Casou-se.
Alguns membros da Mancha Verde, por sua vez, representam Jeremias. Traficante de renome, que chegou à cidade para acabar com os planos de João.
No caso do Kleber, a vontade sempre foi ser ídolo. Foi. É.
Chegou e conquistou um Paulista em 2008. Saiu logo no fim do ano, pois o Palmeiras, ou Brasília na historinha, não quis renovar seu contrato.
A Capital Federal representa o Verdão, que é pessimamente administrado.
E o menino Jão de Santo Cristo visitava a Mancha, que o apoiava e queria bem. Entretanto passou a não adorar mais, quando o Gladiador voltou ao Palestra Itália.
E Pablo, ou Felipão, trouxe a arma 'Manchester 99' para acabar com o sonho de Kleber.
Há de se ressaltar que Felipão, ídolo palmeirense, está fazendo muito com as armas que tem. Ou não tem.
Mas a 'Manchester 99' funciona.
E o medo é que os dois, torcida e Gladiador, Jeremias e João de Santo Cristo, se matem em campo de batalha.
Duelo que chamou a imprensa toda para o local, assim como aconteceu na voz da Legião Urbana.
E a bola, ou Maria Lucia, fica dividida entre Palmeiras e Kleber. Não tem saído do lugar. Não rolou mais.
E o que ninguém conta é que, João de Santo Cristo, ex-corinthiano de menino, não é mais fiel ao Timão.
Quero só ver quem vai ser santo porque aprendeu a morrer para o clube.
E que, quando chegou a capital verde tão mal administrada quanto Brasília, o Gladiador só queria era falar com o presidente para ajudar toda essa torcida que só faz sofrer.
Confira o que eu acho sobre o Itaquerão na minha coluna de rádio: http://guilhermecimatti.blogspot.com/2011/10/sobre-o-itaquerao.html