@guicimatti
Cara e querida única estrela do futebol brasileiro. Há tempos, ao longo desta intensa semana, ensaio um recado para ti. Aos teus críticos. Teus amores. Teus rancores.
Pode até ser inveja. Nem todos os excessos da população podem ser tão midiáticas, bons de bola ou sucessores de outros craques como você é. Risque e rabisque, para que, em 2014, o caderno esteja branco, imitando aquele Santos de 2010, de Dorival, Robinho e André. O Brasil te quer assim. (Brasil, sil, sil, sil...)
Confesso que as minhas palavras talvez a nada vão levar. Mas, mesmo assim, prefiro ensaiar um texto que responda sobre os teus cansaços, teus erros, teus imponderáveis.
Perdeste para o Corinthians. Como se isto fosse algum tipo de pecado, absurdo. Corinthians, aliás, repleto de time, sem grandes craques. Equipe, que não se resume em um só nome.
No caso do Santos, em dois: tu e Ganso. Só.
O povo não tem memória, caro craque. Ele se esquece das coisas muito rapidamente. Desperdiça parte da sua história, elege ladrões e despreparados. Reclama de opções e não faz nada mesmo assim.
Sabe, Neymar. Nem todos são como você. Porque se fossem, o futebol brasileiro seria, no mínimo, 20 vezes campeão do mundo. E ainda bem que não é, assim sempre haverá critica, comemoração e o diferente.
Pouca gente analisa com critério. E não é por isso que teu drible não possa ser feito com os olhos de menino, de bolinha de gude.
As pessoas se esquecem que, enquanto três te marcavam, e outros dois cercavam Ganso, sobravam três santistas livres. Espaço que os limitadíssimos Borges e Kardec não aproveitaram. Sobra para ti. Todavia, se posso te aconselhar, não ligue.
Não cobre deles. Não fale mal. Não reclame. São comuns, como os que te criticam. Quase em volume zero comparado à tua genialidade.
Estes mesmos que escarram sobre tua bola são os mesmos que reclamaram de Ronaldo, chamando-o de bichado. Exatamente aqueles que invejam o sucesso de Pelé. Ou a sabedoria de área de Romário.
Se te consola, não se esqueça. Faça por você e para os que te enxergam.
E tem mais. Nem Zidane, nem Sócrates, nem Ademir, nem ninguém conseguiria salvar o Santos. Nem mesmo Édson, arrisco. Pois assim estava escrito.
Estes que ‘bobageiam' pelas esquinas nada sabem. Assim como, em 1950 Barbosa sofreu, com qualidade infinitamente menor. No gol e de amarelo.
Querido Neymar, as pessoas não pensam. Se raciocinassem, a coisa seria muito melhor.
Não é coisa pessoal. Não se preocupe com isso.
E não se esqueça:
Como a bola que rola; como Neymar que joga.
E o ignorante que vota.
Resta a ti, e a poucos outro, o único orgulho do brasileiro: salvar a Seleção.
Amém.