
Foto: Lluis Gene/AFP
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Já escrevi muito sobre o Barcelona, classificado para a semifinal da Liga dos Campeões. É fácil como a bola que serve Messi. Parece simples. Parece Barça. Time de pé em pé. Até porque, para os espanhóis, não se atua: se desfila.
Mas esse texto não é sobre o maior do mundo de muitos tempos. Dedico-o a um menino. Uma criança em busca de uma maturidade, uma identidade própria. Que tem lá os seus velhos astros. É jovem, mesmo assim. Pensa como tal e joga como poucos. O Paris Saint Germain.
Nestes últimos seis anos, só dois times acabaram com o Barcelona. Juntamente com o jogo querido da maioria do mundo. Só que Chelsea e Inter de Milão não quiseram. Fizeram assim o planeta inteiro pensar que para vencer um colosso como é o espanhol é necessário ficar com 11 atletas na boca da área de defesa. Com luvas e bombas na linha de gol.
Só assim, de fato, se ganha de um Barcelona. De um Messi. De um Xavi. De um Iniesta. De um Fabregas. De um soberano.
Só que retrancar-se desta maneira é conspirar contra o ludopédio. É trancar-se covardemente diante de um astro rei. É fingir-se de qualquer coisa que não seja o futebol. Não foi o que fez o PSG, time em formação, mas que já dá sinais claros de que tem tudo para ser o mais eficiente de jogadas mais para frente.
Às vezes, amigo leitor, é melhor perder com dignidade que bater com sabedoria. E foi por muito pouco que os franceses não superaram a equipe montada lá atrás, em um planejamento fantástico parecido com o que fez Guardiola nos catalães, jogando em nível supremo. Em igualdade.
Só se conquista respeito quem se respeita. O PSG em nenhum momento fez com que seus atacantes de talento se transformassem em zagueiros carniceiros. Não precisou disso.
Não necessita quando se tem, por coincidência, o melhor beque do planeta. O brasileiro Thiago Silva, que nem tanto trabalho teve em comparação com o que se esperava em um Camp Nou absolutamente lotado de torcedores já acostumados com o que é ser um Barcelona.
Até hoje, não se sabia o que é ser como eles. Ou parecer com o que fazem em campo. Ou lutar com as mesmas armas de um Barcelona.
O Santos de Neymar até que tentou. Sabemos como acabou. E não é por pecado nosso; e sim por excesso de qualidade deles.
Pela primeira vez depois de muito tempo esse jogo apaixonante teve de uma vez só dois Barcelonas em campo.
Nessa nossa fantasia de sempre criar heróis e vilões, na tarde desta quarta-feira, tivemos dois mocinhos. Uma dupla que merecia de mãos levantadas uma taça dividida ao meio.
O PSG por destino terminou a Liga dos Campeões com as mãos atadas. Há muita lenha na fogueira de um moleque, já envelhecido de tradições. Mas criança em brio e brilho no olhar. Um sonho de menino. Dois times de futebol puramente brasileiro. O de antes, é bem verdade, canarinho.
Sem querer, só um sai vitorioso.
Dois campeões. Dois gigantes. Talvez, hoje, os dois mais fortes do mundo. Até que a bola prove o contrário.
E o pontapé não vença novamente a beleza que é a arte.
Não é saudosismo. Juro que não é. Mas o maior adversário do futebol de hoje em dia é o apelo físico. Aqueles verdadeiros canhões de guerra tomaram o lugar da técnica. E não falo - ou escrevo - da época de craques como Pelé, Garrincha, Zico, Tostão e Didi. Simplesmente porque não vi e não vivi aqueles tempos.
Refiro-me do jogo jogado na década de 90. Mais precisamente no final dela. Claro que a potência de disparadas em corrida era levada em conta. Óbvio que sim. Os jogadores já eram atletas. Embora não só isso.
Quem não se lembra do São Paulo de Raí, do Corinthians de Marcelinho Carioca e do Palmeiras de Djalminha tem miopia histórica. O Santos é a única - talvez - exceção dessa regra entre os nacionais, com times como o de 2010 e de 2002. Aqueles meninos que encantam e encantavam em meados de Paulistas, Libertadores, Brasileiros e o que mais viesse.
Deixo claro que não sou anti Muricy e Felipão, este meu grande ídolo como treinador. Nem anti Corinthians eu sou, mesmo sendo pró e só Palmeiras.
Neste salve-se quem puder, quem tem um gênio como Messi é rei. E quem tem Xavi, Iniesta e Fábregas, junto de Lionel, eu nem sei mais o que é.
Messi de extrema preparação física. Sobretudo o talento. Um mito. Único.
Só sei que essa é, mais uma vez, uma marca conquistada pelo melhor jogador do mundo. Ele chegou aos 86 gols em uma temporada, superou Gerd Muller, e se tornou o maior artilheiro do planeta. Jogando como meia.
Nesta terra de atacantes meias bocas, um Messi vale mais que mil craques. Só falta fazer mais de mil gols, como Pelé. O que nós não devemos duvidar.
Sorte do Barça. Sorte do futebol.
Que sirva de lição de casa.
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Já cansei das vezes em que não concordei com as palavras ofensivas ao melhor time do mundo. Aquelas que geralmente saíram das bocas daqueles que chamavam o Barcelona de fantástico, ao golear o forte Santos, no Mundial do ano passado.
Já me cansei das vezes em que o time catalão teve esmagadora posse de bola diante de seu rival, seja quem seja. Envolvente como uma corda atrelada na presa. Atacante como o sonho de uma grande equipe quis ser, mas nunca conseguiu. Salve raras as vezes, daquelas que eu nunca vi. Lamento.
Nomes individuais que fazem uma instituição inteira de grandes talentos. Usina de gênios, fabricante de craques. Sem ter a contratação (até máfia, como alguns) como sua fonte de renda, e de genialidade. Salve raros nomes.
Já me cansei de ver ricos (muitas vezes sujos) comprarem clubes pequenos, e enriquecerem dos novos fanáticos do desfile de moda da bola. O Chelsea é um bom exemplo disso. Ontem nada, hoje muito. Ou quase nada, como foi diante do clube espanhol.
Os russos (ops, ingleses) não viram a cor da bola, que era grená e azul. Isso não é nenhum pecado, uma vez que os deuses da bola pensaram assim. O problema são seus súditos e admiradores, de ontem, que hoje parecem estar cegos.
O Chelsea me lembra um sobrinho, ou filho, mimado. Que precisa dos outros para comprar seus novos brinquedos para pensar em talvez fazer história. Pois bem, nunca venceu uma Liga dos Campeões.
Tá certo, nem todos venceram.
Mas não me esqueço de Drogba, que cavou a saída do pentacampeão Felipão, em meados passados. Do vale de sombras que o vestiário russo envolve. Mesmice, como a MSI, no Corinthians. Que não deu certo, pois o timão é gigante.
O Chelsea é só mais uma criança querendo doce. Esnobando os que tem o jogo envolvente.
Calma, vencer não é nenhum pecado. O duro é a injustiça na qual foi feita. A torcida que vibrou. Os estragos da derrota do Barcelona me preocupam. E o fim do passe pode estar próximo. Espero que por lá fiquem Guardiola, Xavi, Iniesta, Messi e a gangue toda.
Porque se não ficarem, o futebol é quem perde.
E, entre uma criança que nem saiu das fraldas, nem na Inglaterra e nem na Espanha, prefiro o campeão. Mas consola saber que não se ganha sempre, pode ficar sem graça. E estava ficando.
Entre todos os times que vi, sou mais Barça. E olha que nem torço pelo ex time de Cruyff, Romário, Maradona e Ronaldo.
A derrota me incomodou, pois ainda sonho com o jogo bem jogado. E não rebatido em contra ataques.
Enfim,
Sou mais Barcelona!
Já cansei de quantas vezes disse o quanto, mas sou mais, e não nego!