Twitter: @guicimatti
guilherme483@hotmail.com
Em tempos de curtir, comentar e compartilhar nas redes sociais, o jornal “O Globo” resgatou um velho falecido da internet: o Orkut. Na reportagem é mostrado que o site virou uma cidade fantasma, onde ninguém mais habita, conversa ou cria relacionamentos. No auge, a plataforma criada pelo turco Orkut Büyükkökten chegou a ter 70 milhões de usuários.
Qual foi a sua última postagem? Teste sua memória.
A rede social foi considerada inovadora em janeiro de 2004. Lá, casais se conheceram e amigos se fizeram. Todo o mundo, ou pelo menos o Brasil inteiro, tinha conta. Uns dos chamarizes e elefantes brancos do Orkut eram as comunidades, onde se reuniam pessoas que gostavam de fulano, detestavam beltrano e amavam os finais de semana.
O tempo passou. O Facebook, com programação mais completa, engoliu o bom velhinho de tela e teclado. Mesmo assim, em 2013, já sem usuário ativo, decido entrar na comunidade “quem vive de passado é museu”.
Adriano, outrora considerado imperador, parece não querer jogar pelo Palmeiras porque o clube exigiu o mínimo de forma física e comprometimento do (ex) jogador. Bicudo, o carioca teria então desencanado da ideia de jogar pelo Verdão e ressurgir no cenário do futebol.
O campo evoluiu e quem foi ídolo de uma seleção em 2006 já nem jogar bola quer e consegue. Se naqueles bons anos surgisse a possibilidade do atacante reforçar um gigante brasileiro, certamente as comunidades do time explodiriam de alegria. Tópicos iriam ser criados, discussões feitas, enquetes votadas e esperanças refeitas para um Brasil pouco exportador naqueles meados.
Hoje, no Facebook, se compartilha e curte propositadamente contra o ex-Flamengo, Corinthians e São Paulo, só tratando dos times nacionais. Uma simples foto em um nada elaborado Instagram mostraria aos que querem ter o centroavante que aquele Adriano do Orkut já engordou, não quer mais saber de bola e muito menos de treino e jogos aos domingos. Até a corneteira e morta comunidade palmeirense no Orkut não quer Adriano no Palmeiras.
Ele virou um Orkut em tempos de Instagram, Twitter e Facebook. Sem um misero fã para compartilha-lo e menos de 140 caracteres para justificar a própria contratação.
Os depoimentos, lamentavelmente, são todos contra.
Garrincha, pelo que falam, era liso. Driblava como navalha, que pinta e borda na barba dos beques. Campeão do mundo com a Seleção Brasileira, fez de Elza Soares a sua esposa. Nem ela suportou. Ídolo do meu maior ídolo, Armando Nogueira. O anjo que consolou Garrincha foi o mesmo que reconquistou o menino Dener, em meados do céu. Se bobear até Deus foi driblado pela dupla, em campinhos de nuvem. Garrincha, alcoólatra, preferiu sair da vida para entrar para história.
O mesmo não se pode dizer de Adriano. Ejaculador precoce de talento desperdiçado em cada petardo de perna esquerda que o tempo resolveu sugar. Roubar. Imperador na Itália, quando jogava em Milão, que não quis mais a vida dentro dos gramados. Não só flamenguistas, que muitos deles o chamam de explorador. Virou a cara para o esporte que lhe deu de tudo, que hoje ultrapassa como um piloto veloz.
Mas se Mané foi Mané, com nome de Garrincha, Adriano poderia ter a mesma alcunha. Optou por não entrar para a história como o gênio botafoguense, de dribles curtos e pernas tortas. Adriano de vida torta e cabeça fraca. Uma pena para nós, abandonados por camisas nove aos milhares.
Ele poderia ser melhor que todos juntos, se não fosse Adriano.
O mais flamenguista, meu amigo João, do Lance, certamente não ficará triste com a notícia. Nem a rival de time, irmã de Lance, e amiga minha, Jaque Pedreira, que é mais Flu que Fla. Ninguém perde neste jogo em que todos têm final feliz. Menos o Imperador.
Que fez o rato roer a roupa do rei de Roma, onde Adriano pouco jogou. Queria ser Imperador de lá também.
Pena que um dia ele acreditou que era o dono da vestimenta italiana...
Mais uma vez Adriano não compareceu ao treino do Corinthians
*
Não é de hoje que isso acontece, muito menos de ontem ou do mês passado.
*
O ‘imperador da folia' não quer mais o simples cargo de atleta e profissional do futebol. Com uma cerveja, ou até pinga mesmo, a coisa se desenrola mais.
*
Chamar Adriano de majestade é tão quão injusto que falar que Frizzo, Tirone, Mustafá, Dualib, Eurico e Juvenal são bons dirigentes.
*
O ex craque esqueceu o futebol na Itália, depois fingiu que o reencontrou no Flamengo, e o colocou em baixo da cama outra vez.
*
Outrora, após atirar contra seu nome, ele disparou a mão de uma menina. Ou não foi ele. Provado que não. Sei lá. Não sei. Não me interessa.
*
Mas a mão sangrou, e lá estava ele, presente, como num treino do alvinegro. Ops...
*
E o mundo sabe que o ‘reforço', apenas na folha salarial do timão, não deu as caras.
*
Menos a Luiza, que está no Canadá. E a bola, que não se joga faz tempo.