Gritos em forma de texto. Paixão grafitada em futebol. Crônica para contar e se fazer viver. E uma boa dose de bola na rede


6 comentários

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


O pneu de Ganso pode estourar


 

@guicimatti

 

 

Às 13h32 minutos sai do meu trabalho em direção da minha casa nesta terça-feira. Liguei meu carro, tomei rumo. Passei um, dois túneis (que, por coincidência, o último deles havia sido palco de arrastões). Até fica o alerta: atende-se por Túnel Sebastião Camargo, que liga o Morumbi à Avenida Juscelino Kubitschek. Claro, em São Paulo, onde moro.

 

 

Ouvia uma música em bom e alto som. Um homem fez sinal com os dedos, como se pedisse para diminuir o volume. O polegar e o indicador em um encontro mínimo. Diminui. Diminuí. Deu até uma repentina vergonha.

 

 

De repente ele encostou do meu lado e disse: “Seu pneu traseiro esquerdo está baixo, amigo. Pare no posto aqui do lado direito.”

 

 

Sou teimoso. Segui.

 

 

Logo depois, um quilômetro, outro carro buzinou:


“Enche. Você vai ficar na mão.”

 

 

Assumi o risco e continuei trafegando, tranquilamente. Não esperava, mesmo assim, que algum problema mais grave pudesse acontecer. Sabia que o máximo seria ter de parar e trocar o pneu. O que não era, de todo, nenhum desastre histórico. Evitável.

 

 

Quando o terceiro me alertou, parei. Não poderia ser só coincidência. Regularizei a situação do meu carro e consegui chegar em casa.

 

 

Parecia aquela historinha da mãe, que conta até três para o filho não fazer mais bobagem.

 

 

-Um.

 

 

- Dooooooois.

 

 

No terceiro, amigo, o bicho pega. Tive sorte.

 

 

Ganso não é um veículo. É um craque. Um gênio. Uma esperança.

 

 

Mas parece ter seguido os piores conselhos ao deixar o Santos e a torcida que tanto o adorava. Agora, em nova casa, num gigante feito São Paulo. “Mitável” de um gol de Ceni e de um ataque fabuloso.

 

 

Porém ele precisa voltar a jogar bola. Fazer com que ela corra, óbvio. Que o diferenciado também passe pelo campo como passa com chuteiras aos companheiros.

 

 

Ney Franco contou o primeiro. “Uuuuuum”. Paulo Henrique não respondeu.

 

 

O “dooooooois” se refere ao jogo contra o São Caetano, onde ele começará entre os 11 titulares, no próximo duelo. Ganso deveria ser sempre o primeiro de uma lista de camisas 10 do futebol brasileiro.

 

 

Agora, caro Ganso, não espere o “trêêêêêêêês”. Você pode não ter a mesma sorte que eu tive.

 

 

Seu pneu talentoso pode estourar. A mãe bola dificilmente vai te perdoar.


 


79 comentários

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


Quac, quac


@guicimatti

 

Foi estranho. Moedas figuradas e figurativas, vaias e xingamentos. Assim foi Ganso recebido na volta à Vila Belmiro. Agora como vilão e adversário. Tricolor, de coração paulistano. Não mais paulista. Foi estranho.


Foi esperado. Da mesma maneira que a bola esperava que fosse passada por ele poucas vezes de forma errada. Paulo Henrique, na Vila ou no Morumbi, não é de errar passes. Ainda que tenha errado a passada ao fazer de tudo pelos seus empresários e passar a não fazer de nada por quem o revelou.

 

Sorte do São Paulo, tricampeão e forte na briga pelo tetra da Libertadores. Time bem montado e articulado, desde a zaga até Luís Fabiano (que perdeu um gol feito). Os feitos devem ultrapassar mais limites, na briga com o Corinthians. Os investidores.


Do outro lado, foi Neymar. Mas isso não é novidade. É manchete. É craque. É o melhor do Brasil.


Não foi Rogério Ceni. Mas continua sendo um dos melhores arqueiros do país envelhecido com os regressos de corações calientes.


Todavia nada foi mais fervoroso que a festa da torcida corintiana para Alexandre Pato. Prometo aqui não fazer - pelo menos não nessa crônica - qualquer trocadilho com o nome e a ave. O Timão voa, idno de novo ao seu ninho. Ninguém fica sozinho. Voando para viver. Em ritmo de Carnaval.


Lá foi o pato "patar" aqui e acolá.


Desfiz minha promessa. Não aguentei. Perdoa-me.


Anunciado os que foliam e os que choram. Moeda para Ganso. Aplausos para Pato. E dois "quacs" para vocês.

 

 


48 comentários

terça-feira, 13 de novembro de 2012


Boa sorte, Ganso


Que Deus te abençoe, menino Ganso. Proteja-te de teus assessores e arrancadores de promessas. Que arranques outras arrancadas de Lucas, novo parceiro de outros tempos. Pouco tempo, até que o PSG, dos 104 milhões de reais, os separe. E o deixe com um Luís Fabiano para empurrar a bola para a rede.


Até lá, craque Paulo Henrique, não terás tanto tempo assim para mostrar o que foste com Neymar. Já que o que aconteceu nos tempos de Vila Belmiro, era coisa de menino. Criança de vila, que apronta com os colegas. Hoje é temporário. Já tens tuas responsabilidades. Um Morumbi inteiro para criar jogadas.


Fiquei sabendo que tuas coxas andam cantando. Os críticos resmungando. Teus antigos chefes, reclamando. Não ligue. Se possível, não aperte o botão da televisão. Só se for para lembrar como foi aquele 2010 fantástico.


Contra o Náutico, Ganso, será outra oportunidade. Destas que flagraste naquelas. Dos passes maravilhosos de frente e de calcanhar. Dos gols e as centenas de maravilhas que fizeste junto com os outros moleques rebeldes que fizeram um Santos por pouco o Santos de Pelé. Faça das tuas coxas e pernas, rochas. Com os gritos tricolores que vão vir.


Ainda acredito que existem mais uns 10 Gansos espalhados pelo Brasil. Os outros nove eu não conheço. Paulo Henrique Ganso, este sim, é único. Gênio. Genial. 10.


Que agora volte a cabeça e o foco no lugar. E a bola onde nunca deveria ter de sair: na Seleção.


Que Deus e os deuses da bola te abençoem, Ganso.



Arquivo

Blogs Parceiros

Leia também

Tags

Meu perfil


Feeds RSS

Visitantes


TERMOS DE USO | POLÍTICA DE PRIVACIDADE | SOBRE O LANCE ACTIVO 2.0 BETA | DENUNCIE| FALE COM A EQUIPE