Dizem que em amor não se manda. Eventualmente o sangue não pode ser desgarrado e recolhido em diversos potes de alma. E é bem simples saber o que é mesmo para sempre, e distinguir do simples o passageiro e momentâneo.
Nasci no Brasil. Torço pela amarelinha e vibro por ela. Tenho orgulho de ser amante do melhor futebol do mundo, que já teve Ronaldo, Romário e Pelé. Fora outros tantos. Me visto de cinco estrelas, como um hotel de luxo no palco da bola.
Pois bem, como alguns sabem, meus avos maternos são espanhóis. Frequentei as terras dos meus antepassados em meses de 2010, logo no inicio. Vi a chegada do ano, brindei junto. E, se já tinha alguma simpatia, foi a gota para ser meu segundo coração.
Há dois anos, a fúria foi campeã do mundo pela primeira vez. Com um elenco repleto de grandes jogadores que fazem, na maioria, com a bola o que o palhaço faz com o circo, no Barcelona. É um misto de melhor do planeta com o segundo no escalão, o Real Madrid. Só faltando a estrela de Messi, que é bastante considerável na constelação.
Neste ano (2010), chorei duas vezes. A primeira diante da forte Alemanha, uma vitória de gente grande. Nem todos esperavam que as revelações de preto e branco fossem perder. Foram derrotas, e não simplesmente investidas.
Mas foi contra a Holanda que a coisa desandou. Foi para os acréscimos, e me lembrei das frases que ouvi. Cada minuto que não respirei. Das esperanças de um time que era sempre bom, entretanto nunca campeão. O grito preso na garganta saiu como opera dos verdadeiros remanescentes da terra. Eu também vibrei.
Chorei. Não só por mim, mas pelo meu avô (materno), que foi um dos grandes responsáveis pela minha paixão pelo futebol, junto com meu pai e meu avô (paterno). A vida quis leva-lo antes mesmo de reverenciar-se como vencedor do mundo.
Ele mesmo, que tantas vezes torceu pelo Brasil, deve ter visto o titulo de algum lugar. No meu peito, ele continua vivo. Ganhando tudo que disputa em meados do céu, tenho mais que certeza.
E ontem foi o dia dele vibrar dentro de mim. Como se algum familiar tivesse conquistado alguma coisa importante. Se a vida fosse para sempre em 90 minutos. Uma lavada na alma quatro vezes consecutivas, sem nenhum tento de desgosto contrário.
Corintiano que torcia pelo Palmeiras, para agradar o neto. Eu tenho muito que aprender. Não tem mais ninguém que possa me ensinar essa lição. Resta desvendar os segredos do acaso, que nos leva para outros lugares.
Embora seja estranho, no bicampeonato da Eurocopa sequer lagrimei. Já parecia algo normal, esperado. Coisa que crise nenhuma irá afundar.
Guardei dentro de mim como um resto eterno daquilo que é para sempre. Fiz das lembranças do sorriso um grito de gol. Mais precisamente quatro, com um berro de desabafo no final.
Daqueles que agora só eu posso esbravejar.
E a Espanha é a melhor do mundo. Mesmo que em 2014 queira eu que seja a segunda. Tudo bem.
Mas, se o que importa é agora, que seja eterno enquanto dure. Ouso tentar ter dois riscos de infarto, coisas típicas de destino.
E só fica a certeza de que será para todo o sempre o meu sangue. Já que a minha pele é brasileira.