'Chuta pra fora que é final de campeonato'. 'Beque de fazenda'. 'É jogo que vale taça'. Alguns bordões são clichês no futebol. Por vezes, tudo que envolve chute na bola não precisa ser bonito, ou elegante. Necessita vencer. Isso, para quem torce ou comanda o vitorioso, é o que basta.
O futebol atual é mais ou menos assim: o feio torna-se bonito. Saudosismo à parte, quando aparece um Barcelona, vestido de grená (como sempre fez), é o preciso para encher os olhos. Ressurreição do bom de bola, do craque. Craque, este, que muda de categoria. As vezes nem categoria tem, e já é considerado craque.
O certo é que o time não precisa jogar como o atual Barcelona, ou o Santos de 2010, para ser campeão. Para vencer, puro e simplesmente, precisa-se montar um esquema e jogar com raça. Essa é a receita de Felipão, o grande 'milagreiro' do esporte nacional.
O treinador gaúcho é mestre em fazer seu time jogar com garra. Em 1999, no mesmo Palmeiras, o time patrocinado pela Parmalat montou um grupo aguerrido. Era diferente dos 100 gols de 1996, liderado por Djalminha. Jogava com a alma. Não importava-se em ser agradável ou feio. Era campeão. Só isso. Ou muito disso.
O time palmeirense de 2011 não chega nem aos pés daquele de 12 anos atrás. Como disse antes, sem saudosismo. Acontece que: Marcos, Arce, Cléber, Junior Baiano e Júnior; Rogério, César Sampaio, Zinho, Alex; Paulo Nunes e Oséas; é muito mais brilhante que: Marcos, Cicinho, Gabriel Silva, Thiago Heleno, Maurício Ramos; Marcio Araújo, Assunção, Valdívia; Kléber, Maikon Leite e Luan. Acontece que, de brilhantismo ou não, Felipão vai vivendo e escrevendo histórias vencedoras.
Em 2002, na Seleção Brasileira, também foi assim que o destino caminhou. A canarinho era vestida com três volantes (Edmílson fazia o papel de terceiro zagueiro e volante), como nunca havia acontecido. E, mesmo sem o 'feeling' de defensivo, o Brasil, maior campeão do mundo sagrou-se novamente, desta vez pela quinta vez. Há de se dizer que Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho jogavam por alí.
Agora, em 2011, quem sou eu para duvidar que o Palmeiras será campeão brasileiro? Se vierem Henrique e Martinuccio, fica ainda mais perto. E, se puder apontar o favorito, não tenho dúvidas: com o Felipão, eu sou mais Palmeiras.