Um drible, passe, chapéu, caneta. A praia chega a sua nascente, cresce no seu dia e não morre nunca. Sempre é divina. E parece até que já adotaram seu xodó: o time do Santos de 2011, o tubarão das águas brasileiras.
Um time que aprendeu a defender-se com a chegada de Muricy. Pegou de seu mestre a alma da vitória. Quando as glórias pareciam estar perdidas, fugindo de suas mãos como água, o treinador acertou a zaga. Defendeu a torcida e a sua equipe. Evitou o certo e driblou o destino. O Santos venceu a Libertadores.
A torcida entrou em pandemônio. Vestiu o manto que Pelé tinha como segunda pele. Mostrou todo o orgulho dessa nação que respira sucesso. Time que brota craques. Gerações que não acabam mais, sempre tem um menino da Vila para ser comparado. 'Moleques' que não envelhecem.
A crônica também se perde em meio a tanta euforia. Enaltece a defesa, como se fosse o melhor ataque.
E eu nado contra a maré. Remo sem canoa, na tempestade. Acho maravilhoso ver o 'melhor time da América' jogar, mas me bate uma saudades daquele de 2010. Ainda que fraco defensivamente, o time do Santos era sensacional, em todos os sentidos da palavra. Foi a sensação de quem come futebol. Salvação do saudosismo. Mas futebol é vitória e títulos, só isso. Ainda que bem vencidas Copa do Brasil e Paulista, aquele time não era visto, por muitos, como o favorito do continente. Faltava defender, mas quem defende esquece de atacar.
Manteve-se a base, o distintivo e o mesmo palco. O espetáculo, esqueceu-se. Por vezes, é melhor uma prata endeusada que um ouro na pancada