Gritos em forma de texto. Paixão grafitada em futebol. Crônica para contar e se fazer viver. E uma boa dose de bola na rede


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segunda-feira, 21 de novembro de 2011


Gol de Adriano


Fez-se em uma bela jogada, ‘barcelonistica'. Um gol do Atlético Mineiro em pleno templo paulista. O Pacaembu assistia Leonardo Silva, bueiro palmeirense no lixo verde dos anos 2000, um golaço de jogada envolvente.

 

Só isso.

 

Parecia até demasiado. Mas foi só.

 

Liédson bem que parecia sozinho no mundo de grama. Envolvido por marcadores, que mais queriam tirar a taça corinthiana que vencê-la, matematicamente impossível.

 

 

A torcida do Timão pedia um centroavante.

 

Contorceu o nariz quando Adriano entrou no jogo.

 

Nem o imperador deve acreditar que ainda seja Rei de alguma torcida. Creio que só das imperatrizes, ou nem isso.

 

Entretanto mudou o rumo, ou pelo menos manteve a colocação na tabela, de um time que, se não joga como campeão, vence como o mesmo.

 

Revirou-se novamente a genialidade do centenário.

 

Não só os 100 anos corinthianos, parece que os mais de 100 quilos de Adriano mantiveram-se nas redes. Como uma bola.

 

Como um manjar dos Deuses.

 

Defeitos ou qualidades, o gol pode ter sido decisivo. A rede sacudida, no segundo tento alvinegro paulista, pode mudar o rumo do destino.

 

Como foi em um giro, no último milésimo de vida de um pentacampeão.

 

Vencido.

 

Derrotado.

 

Batido.

 

Não!

 

De perna esquerda, a redonda foi morta na baliza argentina. Nos pênaltis, a garra do imperador, até então italiano, sagrou o uniforme amarelo Campeão da Copa América.

 

Que não amarela.

 

Ontem foi assim. Desta vez, pasmem, com explosão e toque, mais generoso, no canto do goleiro. Quase que sem ângulo. Nem precisa de mira.

 

O gol é gigante para craques. Pequenino para miúdos.

 

A mais corinthiana de todas e jornalista que mais entende de futebol do Brasil, Flavia Elisa, murmurava à beira de sua casa, pintada de Pacaembu:

 

‘Sou jovem demais para ter palpitações'

 

E, ainda que não jogue melhor que o Vasco, o fiel deve mesmo desfalecer de alegria com o título do Brasileirão 2011.

 

 

Prefiro não opinar, apenas mostro dois pontos:

 

Vasco joga melhor; Corinthians é líder e ganha pior.

 

O resto que decidam Juninho, Adriano e a turma toda.

 

E você, que torce como a Flavia Elisa para o Timão, prepare-se para a festa.

 

Ou não.

 

Agora é esperar para ver.


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domingo, 20 de novembro de 2011


O verdadeiro favorito


 A diferença é clara:

 

Um joga e o outro leva o jogo.

 

Ainda que os pontos sejam parecidos.

 

Os três do Vasco, em cada vitória, são redondos. Os do Corinthians, por sua vez, são quadrados.

 

E fica óbvio:

 

A vitória vascaína rola. A corinthiana quica, sem graça, até entrar no gol do adversário.

 

Mesmo assim muitos dizem que o Timão paulista vencerá a guerra do Brasileirão de 2011.

 

Eu não acho.

 

A equipe de São Januário, mesmo sem técnico, parece ter mais comando que o de Parque São Jorge, de Tite.

 

Santo de casa faz milagre?

 

Essa pergunta será respondida quando os times, dentro de suas rivalidades, entrarem contra Palmeiras e Flamengo.

 

Que, até aqui, os cariocas vem jogando mais bola.

 

Felipe que o diga. Juninho que o diga. Prass que o diga.

 

Diego Souza que fale. Dedé que fale. Éder Luis que fale.

 

Enquanto Tite, vulgo ‘fala muito', não diz nada para vencer em sua extensa carreira.

 

E os mudos Liédson e Adriano, antigos tenores da bola, se esqueceram em Portugal e Itália, respectivamente.

 

Assim, com as claras dos ovos, que vença o que melhor fizer o omelete da vitória.

 

Que, eu acho, sem ‘palmeirismo':

 

O troféu deve mesmo ser vascaíno.

 

Ponto final. Ou não.

 

Deixe ela rolar!


sexta-feira, 18 de novembro de 2011


Zidane: o melhor da Europa


 

O garçom chegou à mesa e serviu um bom vinho. Pegou a taça e serviu o belo Beaujolais Nouveau, fresco, quase que intocável.

 

Outro caso.

 

Na chegada de Paris, um homem vestido de terno e gravata colocou-se no saguão do aeroporto. Pediu um charuto cubano, e usufruiu do mesmo. Sem apologias. Sem regalias.

 

Chega.

 

Enrolei demais.

 

Oras, afinal, nem elegante sou.

 

Mas tudo isso é para falar do último gentleman da bola. Dos campos. Dos estádios.

 

Único dos franceses. Mais ninguém.

 

Não precisa contar mais nada.

 

Zidane foi eleito o melhor jogador da Europa nos últimos 20 anos. Como somo 21 de experiência vitalícia, tomo, sem volta, a atitude de dizer que o francês foi o melhor jogador que já vi.

 

Claro que é pouco. Não vi Pelé. Não vi Zico. Não vi Maradona.

 

Todavia assisti Ronaldo, Romário, Rivaldo, Messi, Cristiano Ronaldo, Figo e mais uma leva.

 

Mas ninguém carregava uma seleção como Zidane. Uma pátria de azul, que sagrou-se em 1998. Sem cabeça, embora com cabeçadas, em 2006.

 

Mas a finura não rabiscou-se na história.

 

E a cada bola matada e passada, ainda que simples, era genial.

 

‘No futebol o difícil é fazer o fácil', e Zizou concordou e mostrou para um mundo inteiro como se faz.

 

Derrotou o brasileiro, que, caído, ainda o admira.

 

Duas vezes. 1998 mais 2006 vezes.

 

Assim a escolha foi bem feita pelos deuses da bola. É preciso aprender que nãos e ganha sempre.

 

‘Sem gramas, sem dramas', diria Cazuza. Ainda que o peso tenha sido pesado.

 

E eu digo apenas que deixem ela rolar, como o astro a fazia. E poucos tem feito.


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