São Paulo:
De futebol à cidade.
Não gosto das tuas buzinas, teus carros, teus barulhos.
Repudio teus asfaltos, teus assaltos, tuas ruas.
Detesto tua desigualdade, de vez em quando a falta de lealdade, teu jeito de me querer.
Lamento tua fome, quando a noite some, e tudo fica mais ‘sem ser'.
Pouco me agrada tuas rimas nas avenidas da estrada.
Nada. Nada. Nada.
Tampouco gosto das minhas também.
Ou tua bola, que se enche em Corinthians e se fura em Palmeiras e teu xará, São Paulo.
Nada quero mais de ti, que o conforto meu e de meus entes e amigos.
Tua sujeira, desde esquinas às finas do palanque.
Não gosto. Não gosto. Não gosto.
De não gostar de ti!
Parabéns 483 vezes, São Paulo!
Sem delongas: o remendo na camisa do Palmeiras, assinado pelos estilistas Tirone e Frizzo, ficou ridículo.
Após esta frase, as outras são só contexto.
Entretanto creio que a nova ‘moda' alviverde foi a recriação das calças escolares. Que criancinhas, de sete a nove anos, usam um pedaço de couro no joelho para evitar que o produto rasgue.
Vergonhoso.
Enredou-se a história do clube mais vitorioso do século, que não merece os que lá estão, ao tentar (em falha) apagar o antigo patrocinador do time.
Já que o futebol partiu-se faz tempo.
Na Copinha até ‘vá lá'. Agora no Paulistão é inadmissível.
Ou será que o verdão não tem grana nem para produzir 22 uniformes novos?
O time já é um remendo: Patrick, veio como reserva do juniores do São Caetano; Vinicius pouco jogou na base; Leandro Amaro chega à seu 156465º clube e por aí vai.
Quando acabar o jogo, lava e ‘mete ferro' para o próximo também! A várzea faz isso, e a bola é bem parecida.
Tá com mais cara de verdinho, e, além do mais, sem calções!
Como diz o outro:
Que beleza!
Pelados em Santos. Ops, no caso, Bragança!
Boa piada, Frizzo!
Conta outra?
Querido craque,
Não te conheço e tampouco sou mais velho que ti. Não sou santista e nem um exemplo a se seguir.
Faço um monte de besteiras, como todo mundo. Falo e escrevo um bando de abobrinhas, como a maioria.
Todavia tomo a liberdade de seguir os passos do seu treinador e pedir para que fique na Vila Belmiro. Que é tua casa. Aonde chegas e estendes as chuteiras, sapatos e meias.
Onde fizestes tua vida, depois do maravilhoso Pará, onde nascestes.
E a camisa 10 é tua segunda pele. Viestes ao mundo para ela, e a dita cuja também cai certinho ao teu corpo.
Que, por vezes, pode estar te traindo. E as lesões chegando.
Entretanto és ‘moleque', com o perdão da expressão.
E mesmo assim a água tem pesado tuas pernas, eu bem sei disto.
Os empresários podem estar secando teu futuro, portanto abra os olhos sobre isso também. Seja assessorado como és na boca da baleia mais famosa e forte do mundo.
2010 vezes com Neymar, como foi no ano pródigo. Te achava mais valioso que o menino que sobra talento. Hoje pode ser que assim não seja.
Mas o melhor que vi foi Zidane.
E, sem extravagancias, comparo teu estilo ao francês.
Toda comparação é injusta; toda falta de criatividade é burra.
O Brasil precisa disso, desde a falência de Rivaldo na liderança do passe na amarelinha.
Desde que Pelé deixou a bola.
Desde que o toque deixou de ser de arte.
Sem você, 2014 terá 2014 desilusões.
Não sou profeta. Não sou especialista. Não sou o ‘sabe tudo'.
Contudo sou tupiniquim.
Jogue como jogastes em dois anos atrás, e, com toda e absoluta regalia, o país do futebol será mais forte.
Pois faltam Gansos nesse jardim que tanto teve de sua criada!
Pergunte a Gerson, Sócrates ou Ademir, que saberão te responder com elegância.
E, ainda no ninho da vida, ao galinho Zico e Falcão.
As últimas aves que voaram por aqui!
Chegou tua vez.
O galinheiro é todo teu!
E o país, por assim dizer, também!