Porque todos amamos futebol...


segunda-feira, 13 de junho de 2011


Os bons (ainda) são a maioria


 

 

 

O assunto sobre qual redigirei alguns parágrafos a seguir foi pensado há muito tempo. É resultado de conversas com amigos, declarações de ex-jogadores e uma opinião que tenho já faz quase um ano. O tema principal é o basquete, mas convém a todos os amantes de esportes. Os times envolvidos são o Dallas Mavericks e o Miami Heat, mas não quero falar apenas sobre o título da equipe do Texas, sacramentado após bela vitória na noite de ontem.

 

 

Eu acompanho NBA há 4 anos e não torço para nenhum desses times. Mas, particularmente, não simpatizo com esse atual time do Miami Heat. Por vários motivos: gastar uma fortuna para trazer grandes jogadores é bom? Sim. Porém, desprezar alguns jogadores da cidade de Miami e centralizar as atenções para apenas essas "estrelas" importadas não é certo. Além de querer "comprar" o título com essas contratações (LeBron James e Chris Bosh), o que me deixa irritado é a individualidade da equipe. Esse time do Heat me parece algo artificial, algo comprado. Não existe conjunto.

 

 

No jogo 6 das finais, ficou claro que o time de branco parecia desunido. Eles queriam aparecer, ter seus nomes nos jornais. Isso não é errado, mas eles deveriam ter se concentrado apenas em uma coisa: vencer as finais. Os jogadores preferiram tentar esconder a decepção ao invés de assumir a culpa. Cada um ia para um canto da quadra ao término da partida. Exatamente o oposto dos atletas de azul.

 

 

A diferença principal pode ser notada nos estádios. Em Miami, na maior parte do tempo, a torcida ficou sentada, observando. Posso afirmar que alguns torcedores que foram à American Airlines nesses jogos não são, exclusivamente, fãs do time da Flórida. Eles querem espetáculo, jogadas de efeito, querem jovens milionários ouvindo rappers em seus iPods e trajando roupas de grife. Eles querem LeBron, não o Heat.

 

 

Agora, quem assistiu aos 3 jogos em Dallas não se decepcionou. O ginásio parecia um mar azul. Não importava quem estava vestindo a camisa dos Mavs, mas sim qual time estava na final da NBA.

 

 

O gostoso do esporte é ver uma cidade paralisada por seu time. Uma cidade assistindo aos seus jogadores, que estão há um bom tempo em suas franquias. Qual cidadão de Dallas não se emocionou com Dirk Nowitzki ao final da partida? Quem não vibrou junto com Tyson Chandler ou Jason Kidd? 

 

 

Se Miami fosse campeão, duvido que a reação seria mesmo. Para começar, teríamos "LeBron consegue seu primeiro título" nas manchetes de jornais e revistas, ao invés de "Miami Heat consegue seu segundo título".

 

 

Se Miami fosse campeão, veríamos um LeBron James no altar, fazendo brincadeiras, carregado pelos companheiros (apenas coadjuvantes nesse time) e apontando seu nome atrás da camisa, e não um Dirk humilde, saindo de quadra de fininho, sem nem acreditar no que ele havia feito.

 

 

Antes de começar este parágrafo, que fique claro o seguinte: não considero LeBron o culpado pela derrota. Eu apenas o condeno por certas atitudes. Afinal, como bem definiu Nowitzki, ele e Wade tiveram atitudes infantis. Ao imitar que estavam com febre no intuito de provocar o alemão (que havia jogado o jogo 4 em estado febril), eles se mostraram verdadeiras crianças.

 

 

Muito mais experiente, Dirk relevou. Nem ligou. Jogou todas as partidas das finais com um dedo da mão fraturado, acertou todas as cestas necessárias e jogou com dedicação.

 

 

Quem muito fala, pouco faz. No último quarto, LeBron contribuiu com 6 turnovers (erros), 7 pontos e saiu de quadra rapidamente, sem cumprimentar ninguém.

 

 

Dirk Nowitzki, por sua vez, respondeu as provocações com atuações dignas de MVP (jogador mais valioso da temporada).

 

 

Embora não ache certo a maneira como James deixou Cleveland, o que mais separa o camisa 6 de sua consagração de vez no esporte é o próprio orgulho. Falta humildade a ele. Habilidade ele já mostrou que tem.

 

 

O Miami Heat pode amadurecer e voltar mais forte para a próxima temporada? Sim, não tenho dúvidas. LeBron pode deixar toda a sua marra de lado e ser um pouco mais humilde, jogar um pouco mais para a equipe? Não só pode como deve. Ele precisa amadurecer um pouco mais na vida.

 

 

Não nego, entretanto, que prefiro ver finais como a última. Assim como uma pessoa em Dallas, Cleveland, ou qualquer outro fã de basquetebol.

 

 

A vitória do Dallas representou a força do conjunto, a paixão de milhões de pessoas. Ressaltou, dentre vários elementos negativos, o lado bom do esporte.



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