Corinthians e Cruzeiro faziam um bom jogo no Pacaembu. Poucas surpresas no primeiro tempo, mas nos 45 minutos finais, foram criadas mais chances. O time mineiro bombardeava a zaga corintiana e era melhor. Os visitantes limitavam-se a contra-atacar.
E quando tudo parecia resolvido, Ronaldo se choca com o zagueiro Gil e cai na área. O juiz Sandro Meira Ricci não hesita: marca pênalti. As mais de 39 mil pessoas presentes no estádio comemoram. Enquanto Gil é expulso, uma multidão em azul começa a protestar contra a marcação de Ricci.
A jogada acabou pouco depois. Ronaldo, com uma frieza espetacular, define o placar do jogo. Festa corintiana.
Mas todos sabiam que aquela trombada renderia muita discussão no decorrer da semana. Programas esportivos e outros veículos de mídia discutiram a marcação, analisaram a jogada e decidiram crucificar ou não o árbitro.
É claro que todos têm sua versão. Segue abaixo, a minha.
Ronaldo e Gil projetam-se em direção a bola. O zagueiro cruzeirense, percebendo que o atacante alvinegro receberia a bola do jeito que ele gosta, entra na jogada com uma força excessiva, porém, muito comum nas divididas do futebol brasileiro.
Ronaldo, como está de costas para seu marcador, não espera o choque daquele jeito. Assim que há o encontrão, o camisa 9 cai.
Gil não empurrou o atacante e muito menos o segurou. O que muitos reclamam é o jogador ter tocado Ronaldo com o ombro por trás do atacante. Apenas isso.
Se a jogada acontecesse na Europa, nenhum juiz daria a penalidade. Lance normal. Mas nós estamos no Brasil, e aqui, muitos outros árbitros já marcaram pênaltis em jogadas muito parecidas como a do jogo de sábado.
Eu, particularmente, não daria o pênalti. Mas Sandro usou um critério que é muito comum em nosso futebol e temos de respeitar.
Para mim, essa jogada nem foi a mais escandalosa na partida. O trio de arbitragem do jogo merece uma grande punição não só por causa dessa penalidade, mas sim pelos inúmeros impedimentos assinalados erroneamente e outras marcações duvidosas.
Thiago Ribeiro, por exemplo, pediu pênalti em duas divididas com o goleiro Julio César. Na primeira delas, não foi nada.
Porém, se Sandro tivesse o mesmo critério, ele daria pênalti na segunda jogada. O atacante do time mineiro trombou com Julio César. Repito, no Velho Continente, o juiz da partida também mandaria o jogo seguir.
Infelizmente, em um belo duelo, quem mais chamou a atenção foi a arbitragem, que, novamente, interferiu no resultado.
O Corinthians comemorou o empate do Fluminense no domingo e assumiu a liderança isolada. Dificilmente o título desse ano sairá das mãos do time de Tite.