Agora faltam apenas três partidas para a consagração do estilo maradoniano da Argentina nessa medíocre Copa do Mundo. Estilo esse que encanta pelo amor à camisa alviceleste e pela proposta ofensiva que o tão questionado técnico insiste em bancar. Graças a Deus ou a D10s podemos ver qualidade aliada à ousadia. Um espetáculo a parte na parte de fora do campo.
Contra o México a Argentina começou bem e levou sorte em fazer um gol irregular no começo da partida. Já tinha tomado uma bola na trave, mas confirmava a superioridade diante um adversário que jogava sem acreditar que poderia vencer. Mesmo com o erro, venceu o melhor, ou a melhor.
A zaga argentina paga pela aposta de Maradona. Não tem os melhores do mundo e fica exposta quando o ataque perde a bola. A entrega em campo dos defensores pode ser até ser um diferencial, mas se pressionada não garantirá nada. Muito menos o título.
Para compensar essa fragilidade, o ataque hermano é muito envolvente. Higuaín é matador e prova isso a cada partida. Carlitos Tevez é um motor que não desiste de jogada nenhuma e ainda marca como um lateral. Incansável, o apache deixa muita saudade nos corintianos e foi nome do jogo superando Messi.
E por falar em Messi, com apoio que nem o mais apaixonado pai dá ao seu filho, Maradona carrega o camisa 10 nos braços. Está claro que um de seus objetivos é fazer La Puga jogar com o mesmo brilho que ofusca os adversários quando veste o manto do Barcelona. Apesar do carinho, Messi ainda não respondeu como se espera.
O México, por sua vez, ainda não achou a sua identidade no futebol mundial. Não ganhou nenhum título de expressão, não revela muitos talentos e seus clubes disputam a Libertadores apenas para embolar, pois não ganham nada mesmo se forem campeões. Praticamente um São Caetano no meio dos grandes. Novamente foi eliminada nas oitavas de final.
E eu suspeitei desde o principio...
Se foi sem querer querendo que o México conseguiu a classificação na primeira fase, a torcida um dia vai acabar perdendo a paciência e não aceitará mais o atraso do aluguel de uma tradição futebolística da grandeza do país.
Outra fronteira difícil para os amigos mexicanos...
Quando imaginamos um ser divino e superior nós associamos a ele algumas qualidades essenciais para que a nossa crença seja mais intensa, coesa e verdadeira. Perfeição, misericórdia, justiça, bondade, sabedoria, eternidade e amor são as qualidades em questão, indispensáveis em qualquer religião. Porém quando elevamos alguma pessoa ao patamar divino, mesmo que seja apenas no sentido figurado, nós levamos em consideração a sua trajetória ou sua carreira.
No esporte temos vários deuses, reis e príncipes que vendem suas imagens e inflam uma torcida ou até mesmo uma nação inteira. Nessa Copa do mundo a divindade é Diego Armando Maradona.
Maradona não é perfeito. Não tem misericórdia com os adversários e não é eterno, apesar de ter praticamente renascido em 2004. Mas tem sido justo com seus escolhidos, bondoso com a imprensa e sábio em sua conduta.
Ás vezes demoramos a entender toda essa devoção dos argentinos com Gardel, Evita e Maradona. Chegamos perto quando falamos em Airton Senna, talvez. Nem com Pelé nós somos tão insanos quanto eles.

Como jogador el Pibe foi um fora de série. Conduziu a seleção alviceleste ao título de 86, deu status de vencedor ao pequeno Nápoli e divulgou o Boca Juniors pelo mundo. Genial dentro de campo tinha uma habilidade acima do normal. Fora de campo se perdeu quando se envolveu com as drogas.
A belíssima campanha da Argentina no mundial aliada ao futebol ofensivo e diferente dos demais adversários vem trazendo fiéis do mundo todo para Maradona. Seu carisma, jamais imaginado pelos céticos mortais devido as ofensas depois do jogo do Uruguai pelas eliminatórias, o transformou no alvo preferido das câmeras e microfones. Seu estilo elegante surpreendeu tanto quanto a sua calma nas coletivas. A FIFA que o odiava, agora comemora a sua vinda.
Ele passa o jogo todo com o time. Faz caras e bocas e sempre quando tem oportunidade ele pega, chuta ou apenas amansa a Jabulani. É o brilho maior da Copa de Mandela.
A vida de Dieguito é como um tango inacabado. A Copa do Mundo talvez seja a harmonia que falta, pois a letra, melodia e arranjo já estão definidos.
Se os deuses do futebol quiserem o sucesso desta competição, vão proteger a Argentina com a mística das equipes vencedoras. Mas como também são imperfeitos, ciumentos e muitas vezes injustos, talvez Maradona não consiga mais esse milagre...
Caros amigos, juro que eu gostaria de escrever apenas sobre a quase heróica vitória da seleção brasileira que consequentemente garantiu a classificação dos comandados de Dunga para a segunda fase da Copa do Mundo.
Apesar de não ter sido uma apresentação que a tradição da camisa amarela é capaz, o que se viu foi o máximo que pode render os jogadores convocados que executam perfeitamente a proposta de jogo que seu treinador adotou. Mesmo assim o Brasil continua sendo favorito até mesmo pela inoperância dos concorrentes em uma Copa de nível técnico fraco e sonolento.
O leite já foi derramado e não podemos mais chorar a falta de Paulo Henrique Ganso, Ronaldinho Gaúcho, Neymar, Hernanes, Pierre e tantos outros. Para quem acha que torcer pela seleção brasileira sem enxergar os seus conceitos e valores é o mais puro patriotismo, a vida segue.
Porém o que era para ser uma festa se tornou em um lamentável ataque do desequilibrado técnico Carlos Caetano Dunga ao jornalista Alex Escobar e também ao povo brasileiro de um modo geral. Sem contar das ofensas direcionadas ao atleta Drogba após o jogo. Tudo como esperado...
"Se queres saber o verdadeiro caráter de uma pessoa, dê poder a ela"
Dunga ainda não resolveu o seu problema com o Brasil. Não superou o massacre que sofreu após a Copa de 90 e não entende como a seleção de 82 é mais lembrada e festejada do que a de 94, que ganhou o Tetra. Sua limitação intelectual não dá subsídios para tal feito. É o mesmo que explicar para um argentino que Pelé foi sim muito maior que Maradona. É perder tempo.
Sei que meu Blog e meu Twitter são pequenos e nem sempre tenho razão, mas o que fizeram com a instituição seleção brasileira de 1990 pra cá é desesperador. Jogaram fora a nossa ginga e tentam nos convencer que jogar feio é ter mais chances de vencer. E o Dunga, juntamente com o Ricardo Teixeira, eterno ditador, faz parte desse processo.
Resumindo...
Como uma quimioterapia, o sucesso de Dunga terá efeitos colaterais ainda mais devastadores para a seleção que por muito tempo desfilou alegria e magia nos gramados do mundo e era orgulho de um povo que se sentia de primeiro mundo quando calçava as chuteiras.