
Claro que para todo e qualquer torcedor vascaíno, torcer pro Vasco é ótimo, nas horas boas e ruins. Mas para aqueles que vivenciaram a década de 90, o significado de torcer pro Vasco tinha um sabor muito melhor. Lembro dos tempos de escola, quando ia sempre com alguma coisa referente ao Vasco ou até mesmo uma camisa na mochila. Nâo só eu, como vários colegas, tínhamos prazer de implicar com os demais torcedores, porque nosso time ganhava todos os títulos importantes que disputava. Não éramos imbatíveis, mas a sequência de conquistas fala por si só.
De uns anos para cá, a tarefa se tornou árdua. As crianças que nasceram nesse período, perguntavam aos pais o porque da escolha "desse time que não ganha nada"? Doía ouvir isso. Mas os cruzmaltinos fiéis sempre acreditaram que a virada chegaria. Enfim, depois de uma queda - 2008, que nenhuma gloriosa conquista apagará, veio a bonança.
O ano de 2011, para muitos, é considerado o ano da redenção. A conquista da Copa do Brasil encheu corações infantis de orgulho e respondeu a todas as perguntas dos pequenos, que conheceram a magia e a alegria de uma torcida que parou o Centro de uma cidade, a pé, para comemorar um título. Após o triunfo, muitos acreditaram que o clube levaria "com a barriga" o restante do ano, ignorando as demais competições que disputaria.
Veio o Campeonato Brasileiro e o time começou bem, contrariando todos os prognósticos. Terminou o primeiro turno e o time continuou bem, nunca se afastando da ponta de cima da tabela. Hoje, faltam sete rodadas para o término da competição e o time está na liderança.
Junto a isso, na Copa Sulamericana, o Gigante da Colina é o único time brasileiro que continua na disputa da taça. Contra o Aurora, em São Januário, precisava ganhar por dois gols de diferença, um 2 a 0 simples. O Vasco abriu o placar, com Bernardo, mas o Aurora empatou, com Andaveris. Com isso, seriam necessários mais três gols para os cariocas garantirem a vaga direta. Alecsandro, muito questionado pelos torcedores, fez o segundo e o terceiro gols cruzmaltinos. No início do segundo tempo, Leandro fez o quarto gol, que garantia a classificação. De pênalti, Juninho Pernambucano ampliou a vantagem do time da casa e fez a torcida delirar nas arquibancadas. O Aurora ainda tentou atrapalhar os planos do Vasco, diminuindo o marcador, novamente com Peña, também de pênalti. Bernardo, Douglas e Allan marcaram os outros gols do Vasco, respectivamente e Segovia fez o terceiro gol boliviano, que de nada valeu.
Oito gols. Para os que menosprezam, a fala é de que "o time era de aleijado", mas não foi bem assim. O Vasco fez valer sua superioridade, jogou bem e convenceu. Outros times brasileiros jogaram com adversários tão frágeis quanto e não conseguiram êxito. A verdade é que, mais uma vez, o Vasco volta a ser exemplo de que há, sim, como conciliar duas competições. Foi assim no ano 2000, quando disputou ao mesmo tempo a Mercosul e a Copa João Havelange e conquistou ambas. A fase está boa e a torcida sente isso. Os vascaínos dominam as redes sociais com piadinhas que tiram todo o argumento dos rivais, porque as campanhas do time respondem tudo. Ser vascaíno voltou a ser um bom negócio. Aliás, nunca deixou de ser. Mas agora o sabor voltou a ser especial.
Tenho certeza de que todos os vascaínos que acompanharam o jogo de domingo, contra o Corinthians, em São Januário – e até os que não acompanharam, não agüentam nem olhar para a cara do Márcio Careca, lateral-esquerdo do time.

Márcio Careca conseguiu mobilizar a torcida em campanha no Facebook
Ao perguntar a vascaínos de vários lugares, homens e mulheres, todos são unânimes em pedir a saída do atleta. Ele vacilou claramente no primeiro gol paulista e em dois tempos de bola rolando, muito mal chegou à linha de fundo. Quando o fez, o destino da bola era o corte do adversário, a lateral do campo ou qualquer outro lugar que não fosse a área – que deveria ser o objetivo. Como pode um lateral não ia até a linha de fundo ou não saber cruzar? Isso é fundamento básico do futebol e se aprende na escolinha.
Mas não sei até que ponto Márcio Careca tem culpa da sua limitação. Ele foi contratado pelo clube, logo, culpado foi quem o indicou para o Vasco. E se me disserem que algum dia viram futebol nele, vou duvidar bastante...
Na rede social Facebook já foi criado um evento chamado de “Seqüestro do Márcio Careca”, onde torcedores sugerem que ele seja raptado para, enfim, ser tirado do time. Brincadeiras à parte, a verdade é que cada jogo do Vasco tem sido um sofrimento em jogadas naquela faixa de campo. Pior do que isso é ver que Márcio Careca não tem uma “sombra” dentro da equipe.
Amanhã o Vasco enfrenta o Aurora, da Bolívia, em Cochabamba, recheado de reservas. Mas advinhem? Márcio Careca está nesse grupo que vai para campo. Ou seja, nem amanhã a Nação Cruzmaltina vai se ver livre do “possante” jogador.
Com tudo, volto a pergunta inicial: quem banca Márcio Careca no Vasco?
A semana inteira, eu ouvi comentários sobre o duelo entre Neymar e a dupla de zaga do Vasco. Mais especificamente, Dedé. Se voltarmos alguns dias no calendário, lembraremos de Santos e Flamengo, na Vila Belmiro – jogo em que o Flamengo ganhou de virada e Neymar, ainda assim, jogou muita bola e fez um golaço.
Diante dessa atuação, o que esperar de Neymar? Sempre boas atuações, claro. Mas quem esteve em São Januário, ontem, ou assistiu ao jogo pela TV, quase não percebeu a presença do santista no campo de jogo. O atrevido jogador ficou guardado em algum lugar que nem ele sabia bem onde era. Neymar não foi sombra daquele craque do jogão de dias atrás. Neymar, na verdade, lembrou o jogador da Seleção Brasileira na Copa América. Sem atitude e sem conseguir se criar.
Contra o Flamengo, Ronaldo Angelim e Welinton não deram conta do arisco atacante. Já contra o Vasco, Dedé e Anderson Martins, melhor dupla de zaga do Brasil, hoje, na minha opinião, não deram refresco. Neymar foi marcado de perto e não teve espaço para fazer gracinhas, fossem elas produtivas, ou não.

Dedé comemora seu gol: o zagueiro marcou e anulou Neymar
O jogo foi bom para o Vasco e só fui me lembrar que Neymar estava em campo quando, na metade do segundo tempo, a torcida cruzmaltina fez alguns “elogios” a ele. Ah, e no confronto Neymar versus Dedé, o zagueiro ainda marcou um gol na partida e ganhou com léguas de distância.
Ficou evidente que com boa marcação, o serelepe menino da Vila ainda tem dificuldade. Imaginem só quando ele bater de frente com a zaga do Barcelona...
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