Estou debaixo de um monte de neve nos EUA, mas não deixo de torcer pelo Palestra! Acho que até estou torcendo mais agora... Espero contar com a participação de todos pra ajudar a matar a saudade do Brasil e torcer pelo Palmeiras! Forza Palestra!


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segunda-feira, 23 de novembro de 2009


O Velório do seu Jarbas e o jogo do Palmeiras


A falta do que fazer é uma coisa impressionante né? Já fazia um tempo que eu queria escrever sobre essa história e agora que estou com tempo sobrando vou tentar pra ver o que acontece...

Meus avós e meu tio tinham mudado pra Águas de São Pedro (quem nunca ouviu falar pode procurar no Google Maps, mas vai ter que procurar bastante...) e assistir futebol tinha perdido metade da graça sem eles, aquele festival de palavrões em português e italiano sempre foi além de divertido muito educativo pra escola...

Meu avô tinha um primo, o "seu" Jarbas que tinha sido nosso vizinho, ele era corinthiano e me lembro até hoje dos dois "brigando" no portão por causa de futebol (coloquei as aspas porque hoje se falar que alguém brigou por causa de bola vão achar que teve paulada ou facada...), o seu Jarbas estava com câncer há algum tempo e infelizmente acabou falecendo. O pessoal veio lá de Águas pro velório, aqui em casa velório sempre era uma festa principalmente quando esfriava, tinha umas tias especialistas em sopa que levavam todos os tipos pra aquecer o povo durante a noite...

Só tinha esquecido que o jogo do Palmeiras era na quarta, meu vô já chegou falando "corinthiano maledetto foi morrer logo no dia do jogo!", levou uma putza bronca da vó e fomos todos pro velório. Aquela coisa de sempre, nossa como você cresceu menino, tá ficando cada dia mais bonito...  O tempo foi passando e a gente ali eu, meu vô e meu tio esperando pra ver se alguém soltava rojão. Nada de rojão, o Palmeiras precisava ganhar por dois gols de diferença do Flamengo pra ir pra final da Copa do Brasil, de repente começou o foguetório, meu vô mandou meu tio ir escutar no carro de quem era o gol, segundos depois ouvimos os gritos de pqp, fdp e daí pra baixo, 1x0 Flamengo! Ele voltou chutando banco e xingando, também levou uma bronca da vó...

Passou mais uma meia hora sei lá de novo foguetório, lá foi ele de novo ouvir no carro, pqp, fdp empatamos! Meu vô disfarçadamente saiu de fininho e foi pro carro também, eu inexperiente nas técnicas do disfarce fui capturado por uma olhada da minha mãe e fiquei lá sentadinho de castigo.

Dali a pouco os dois começaram a gritar antes dos fogos, acho que até mais alto que os fogos, maledettos, desgraciatos, fdp, pqp, Flamengo 2x1! Eu ali sentado pensando agora não dá mais tem que marcar três gols e já deve estar no meio do segundo tempo... No estacionamento os dois já estavam fora de controle, era xingamento com torcida pra todo lado, não sei se era o silêncio do lugar que piorava a situação ou a cara de vergonha da minha mãe e da minha avó, mas os dois estavam piores que nunca esse dia.

De repente parecia que tinha começado a terceira guerra, os dois explodiram, gol, pqp, empatamos! Minha mãe me olhou viu a minha cara de cachorro pidão e falou pra eu ir falar pra eles pararem de gritar tanto (adorei o tanto...). Saí que nem uma bala pro carro, os dois pareciam dois malucos, eu perguntei quanto faltava e meu tio falou uns dez, acho que não vai dar... meu vô colocou a mão no meu ombro e falou senta aí que você vai dar sorte. Já tinha esquecido do seu Jarbas, da minha mãe e de todo o resto, sentei no banco de trás e comecei a ouvir o jogo.

44 do segundo tempo, o Palmeiras marca o terceiro, se o pessoal das redondezas não estivesse mesmo descansando acho que metade levantava pra saber o porquê de tanta gritaria, os dois pulavam no estacionamento do cemitério enquanto eu quase arrancava o banco do motorista da minha frente, vi com o canto do olho quando uma senhora meio gordinha (ela era a definição da palavra fofa, coitado de quem não teve a sorte de dar um abraço nela...) veio vindo apressada, os dois só perceberam tarde demais, minha vó começou a descer a lenha nos dois, vocês são dois malucos, em pleno cemitério, quanta falta de respeito! Eu escondido ouvindo o jogo, 48 minutos escanteio pro Palmeiras, não aguentei e gritei, escanteio vô é agora! Os dois vieram pro carro, a minha vó veio também falando, é podia marcar logo acabava essa bobagem...

Sabe aqueles filmes quando o tempo parece que para e fica tudo em camera lenta? Até hoje tenho a impressão que foi assim que as coisas aconteceram, o José Silvério narrando o bate rebate até que finalmente a bola foi parar dentro do gol! 4x2 pro Palmeiras! Meu tio ajoelhado do lado do carro gritando, meu vô deu um abração na minha vó e um beijo daqueles de cinema nela, depois falou, ganhamos Adelina (nunca tinha visto meu vô daquele jeito parecia um ator de filme antigo...), eu desci do carro gritando e correndo dum lado pro outro, fui parar dentro do velório, achei a minha mãe dei um abraço nela chorando e falei, ganhamos mãe! Ela me olhou rindo e falou, eu percebi Léo, eu percebi...

Tinha gente no velório rindo, tinha umas tias chatas reclamando, tava uma festa, quando meu vô chegou de volta teve gente que aplaudiu! Sentamos os três um do lado do outro acabados, cansados da batalha, mas os três com um sorriso impossível de tirar do rosto!

Foi a primeira vez que fiquei no velório a noite toda, não ia ter jeito de dormir mesmo, tomei sopa, canja, café, dei uma cochilada no ombro do seu Luiz... Até hoje, já se vão 10 anos, eu me lembro desse dia como se fosse ontem, da emoção e da alegira de estar com aqueles dois malucos ouvindo aquele finzinho de jogo! Todo mundo deve ter uma história dessas (se não tem ainda vai ter...) pra contar, tô com os olhos marejados de lembrar dela e escrever e tem gente que não gosta de futebol...


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segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Tragédia! Pode escolher que tem sobrando...


Fiquei uns dias sem comparecer ao blog por motivos de força maior, vou explicá-los primeiro pra depois falar do que interessa (quem não quiser nem saber pode pular pro próximo parágrafo...). Quarta feira tive uma folguinha por aqui e fui fazer o que todo mundo aqui faz na folga, esquiar! Já pratico há uns dois anos e me considerava razoável até esse dia. Tudo ia muito bem até que tentei desafiar a física duas vezes, uma na velocidade da manobra e outra ao tentar atravessar a pedra que estava escondida debaixo da neve... o resultado foi uma concussão, uma perna quebrada (RX abaixo pros que gostam de ver  tragédia!) e uma internação de provavelmente 15 dias.

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O mais irônico é que fui liberado pro quarto faltando uma hora pro jogo da quarta começar... achei que tinha dado sorte, "quase morri mas pelo menos ainda vou conseguir ver o jogo". Ok, vou esperar vocês darem risada por uns minutos... pronto? Continuando a história, liguei o computador, botei no jogo e comecei a assistir... achei que a pancada na cabeça tivesse tido consequências mais graves, chamei a enfermeira (sem brincadeira) e pedi pra ela me confirmar o placar, pqp era isso mesmo! Agradeci entre palavrões em português e voltei a assistir o jogo, nem vi o que o pessoal escreveu ainda (vou visitar os amigos daqui depois), só sei que por alguns momentos desejei ter tido menos sorte na trombada... que coisa hororosa! Quando falei que achava que o time nunca poderia jogar tão mal tantas vezes seguidas não imaginava que eles iam interpretar isso como um desafio! Parecia um bando jogando bola e o pior um bando ruim jogando bola... Quanto nervosismo, quanta falta de controle, quanto amadorismo...

Acabou o primeiro tempo, eu olhei em volta, não podia me mexer com a perna presa, não podia xingar alto por estar no hospital... a enfermeira voltou deve ter se assustado com a minha cara e voltou com um remédio pra dor (deve ter achado que a minha dor era pela perna coitada!), tomei o remédio e começou o segundo tempo, começou também o efeito do remédio... não estou aqui fazendo apologia ao uso de drogas ou essas coisas mas agradeci por estar meio sedado, doeu menos assitir o resto da pelada! No fim ainda aconteceu aquela palhaçada, era melhor ter perdido o jogo duma vez, acabava a palhaçada e os "atletas" já podiam se livrar desse peso enorme de conquistar o campeonato. Gostaria de pedir desculpas publicamente aos jogadores aqui, foi mal torcer a apoiar vocês durante todo o campeonato, não queria que vocês ficassem pressionados, desculpa aí...

Ainda tive que assistir o São Paulo jogar mal e ganhar de novo, o Atlético MG "Rothiar" e o Flamengo nos ultrapassar (pelo menos nesse caso vi um time que está jogando bola ganhar, pra completar vi o jogo aqui no hospital com um residente de ortopedia daqui que é carioca e torce adivinha pra quem...). As boas novas são que provavelmente não vou precisar de cirurgia, mas vou ter que ficar com a perna esticada e sem poder mexer por umas duas semanas... por isso preparem-se, vou ter muuuuuuuuuuito tempo livre pra ficar por aqui...

Aos que tiveram saco pra ler isso mesmo com o saco cheio por esse melancólico fim de campeonato pra nós obrigado! Pra ser sincero vou continuar assistindo os jogos por ser um viciado nesse negócio de torcer pro Palmeiras, eles finalmente conseguiram desestimular toda a parte racional de torcer...

PS: podia ser pior, o ortopedista podia ser são paulino...


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009


o jogo, o campeonato e o filme


Pensei muito antes de escrever... talvez esse seja mais um entre tantos nesse momento complicado que o Palmeiras enfrenta, mas queria me alongar mais e não deixar comentários quilométricos nos posts do pessoal (mesmo assim acho que já fiz isso, desculpa aí...).

 

Ontem tava uma nevasca aqui em Denver, cheguei em casa liguei o laptop e esperei pra ver a tão falada reação do Palmeiras, apregoada por técnico e jogadores nas entrevistas, começou o jogo e eu pensei que era normal um pouco de nervosismo afinal o time estava sob muita pressão, surpreendentemente o Sto. André marca depois de uma falha de posicionamento e uma saída de bola desastrada (talvez nem tão surpreendente assim...), Clayton Xavier saiu machucado e entrou o Marquinhos, pensei com meus botões "porque não entrou o tal de Deyvid? Não seria mais importante melhorar a qualidade no passe do meio de campo? Pensei até no Wendel pra controlar o meio de campo e tentar pressionar...".

Continuei assistindo, me veio outra pergunta: porque eles não conseguem tomar a bola dos jogadores do Sto. André? Eles não conseguem se antecipar e desarmar, a bola só fica com a gente quando eles erram o passe ou terminam o ataque...

E quando o Palmeiras atacava eu pensava: porque eles perdem a bola tão fácil? Porque eles erram os passes desse jeito?

Chegou o intervalo e eu pensei "ah, no vestiário eles devem se acertar e no segundo tempo as coisas mudam", começou o segundo tempo, entrou o Robert no lugar do Obina e eu pensei de novo "ué não seria melhor além de mudar o atacante tentar mudar algo mais no meio de campo, sei lá colocar alguém pra melhorar o desarme e produzir alguma chance?". O jogo continuou, eu falava comigo mesmo: não parece que mudou alguma coisa, tá meio parecido com o primeiro tempo... eles continuam sem conseguir tomar a bola do Sto. André e quando atacam perdem a bola pro Sto. André tão fácil...

Depois de alguns minutos comecei a dar risada sozinho: é, está igualzinho ao primeiro tempo mesmo, eles marcaram de novo com uma jogada que não foi igual mas foi bem parecida. O resto do jogo eu fiquei vendo daqui de longe quando acabou eu percebi que estava sentado no sofá tranquilo e pensei de novo: que estranho, normalmente eu fico na ponta do sofá ou sentado no chão pra ver de perto na tela do laptop...

Desliguei o computador, fiquei pensando: poxa tá acontecendo alguma coisa, tá jogando muito diferente, alguém podia passar a gente logo pra ver se isso provoca alguma coisa, sei lá, pelo menos ALGUMA COISA! Liguei a televisão e tava passando um filme, o herói tava se afogando, a água subindo e ele não fazia nada, eu pensei "já tá batendo no pescoço faz alguma coisa eu senão vai dançar", dali a pouco a água chegou a cobrir o cara que começou a engolir água, aí eu falei: xi, mas o mocinho vai morrer caramba? Não me perguntem como ele deu um jeito e quando eu percebi ele tava fora do buraco com a mocinha do lado (bem bonita por sinal). Desliguei a TV e fui dormir, pensando que talvez eu esteja pensando demais e que talvez a vida pudesse imitar a arte...

 

Desculpa se o texto tá mala mas talvez isso sirva de alento pra alguém como serviu pra mim ao escrever!



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