O Milan, definitivamente, está perdendo a identidade. Nossos craques parecem não ter a mesma fidelidade de antes por parte dessa diretoria. Contratações inexplicáveis, vendas insubstituíveis. Palavras estúpidas, atitudes infantis. Paolo Maldini, Franco Baresi, Gianni Rivera, entre outros. Onde foi parar o afeto pelos nossos ídolos?
Berlusconi e Galliani parecem estar vivendo num mundo de faz de contas. O presidente se passou por um artista em janeiro ao dizer em rede nacional: “Kaká fica!”. Muito bom, Sr. Berlusconi. Grande presidente. Parecia até que ele era o responsável por tal feito. No fundo todos sabiam que Kaká só não foi para o Manchester City porque não quis.
Galliani ultimamente tem contado mentiras que até o Pinóquio teria vergonha de contar. “Leonardo não será técnico do Milan”. Como assim? “Kaká vai ficar”. Ele ficou? Enquanto todos os torcedores temiam pela venda do craque, a imprensa espanhola divulgava a presença do vice-presidente rossonero em Madrid.
Eis que a Gazzetta dello Sport liga para ele e pergunta: “Está em Madrid mesmo?”. Galliani responde: “Madrid? Estou no mar”. Cinco minutos depois Galliani liga de volta e diz: “Sim, estou em Madrid”. Épico, Sr. Galliani. Belo teatro. Nós rossonero “adoramos” isso – pra não dizer outra coisa.
Mas afinal, que palhaçada essa? Ok, Kaká foi vendido por causa da crise – devemos acreditar? – e não tinha como segurá-lo. Mas Inter e Juventus estão com o caixa equilibrado e não estão precisando se desfazer dos seus craques para equilibrar as contas.
Isso prova que Galliani e Berlusconi estavam completamente despreparados quando viu o time ficar de fora da última Liga dos Campeões. Só tinha uma coisa a fazer: vender Kaká. E ainda por cima perderam Gourcuff para o Bordeaux. Enquanto isso somos obrigados a ver o presidente depositar sua confiança em um jogador – Ronaldinho – que não joga há três anos. Francamente.
Renovar com o fraco Bonera é fácil. Manter as laterais com os decadentes Zambrotta e Jankulovski é mais moleza ainda. O duro vai ser ver Seedorf e Pirlo segurando a bola tentando achar alguma referência para tocar. Com as vendas de Kaká e Gourcuff já são 80 milhões de euros no cofre. Veremos qual será a próxima proeza de Berlusconi e sua turma.

Foram 6 anos no Milan. 95 gols. 2 Liga dos Campeões, 1 Campeonato Italiano, 1 Mundial de Clubes, 2 Supercopas da Europa e 1 Supercopa da Itália. Os títulos dizem por si só. Mas o que mais conta para os torcedores do Milan é a gratidão deixada por Kaká.
Seus gols, suas arrancadas, jogadas, passes, ficarão sempre na memória dos milanistas. A identificação com o craque estará presente em cada partida do Milan. A torcida rossonera aprendeu a cultivar seus ídolos. E Kaká faz parte do hall da fama do clube.
Ah, mas como foi bom ver Kaká jogar com a camisa do Milan. É mais ou menos essa a sensação de nós torcedores. Não importa se irá vestir outra camiseta e não precisa nos dar explicações. O importante é que o bambino vestiu com orgulho o manto rossonero. Muito mais que isso: foi um exemplo de profissionalismo e de amor ao clube.
Ao dizer que sai para ajudar o Milan, o jogador dá a sensação de sacrifício, como no conto de uma história. Leio os depoimentos de torcedores do Milan nos blogs e sites da Itália e impressiona o tamanho do carisma pelo jogador. Muitos indignados com a diretoria, outros dizem nem conseguir dormir.
Kaká deixou um legado. Uma legião de fãs pela Itália. Tanto pelo seu jogo explosivo como pela lealdade. O que mais se vê é simplesmente um ?Grazie, Kaká?. Porque para todos os rossoneri é difícil encontrar palavras para descrever a perda de um campeão. Mas o craque segue o seu rumo e o Milan segue outro.
De todo modo, toda a torcida milanista sabe que perdeu um ídolo. Um jogador único. Parte de Milão vai acordar após uma noite mal dormida. Mas tudo o que ele podia fazer pelo clube já foi feito. Esperamos que um dia ele possa voltar. Ou ficamos no aguardo por novos ídolos ? não é mesmo, Berlusconi e Galliani? Grazie, Kaká.
Siam venuti fin qua per vedere segnare Kaka

São 900 partidas, sete scudetti, cinco Liga dos Campeões, três Mundiais da FIFA, cinco Supercopas da Europa, cinco Supercopas da Itália e uma Copa da Itália. Tudo isso em 40 anos de vida e uma camisa: a do Milan. Este é Paolo Maldini.
Uma carreira única, cheia de marcas e conquistas, como poucos ? ou quase ninguém ? conseguiram. Um gigante, que se prepara para abandonar aquilo e aquele que mais esteve presente em sua vida profissional: o futebol e o Milan.
Profissional? Não, Maldini não trata a bola e o clube como um trabalho. Mas sim como sua vida. Pisa no gramado como uma criança e veste a camisa rossonera com orgulho. Criado no Milan, sua rica história no time começou de fato em 20 de janeiro de 1985, quando entrou em campo pela equipe principal pela primeira vez, num jogo contra a Udinese. Na temporada seguinte, já havia se tornado titular.
Seu primeiro título chegou em 1988, quando o Milan derrubou o então favorito Napoli e conquistou o scudetto, num time que tinha Baresi, Massaro, Donadoni, Gullit e até Carlo Ancelotti. A partir daí, Maldini foi escrevendo sua belíssima história. Em 1989 conquistou sua primeira Liga dos Campeões. No ano seguinte, o bi. Foi tricampeão italiano com o clube nas temporadas 91/92, 92/93 e 93/94.
Jogando como lateral-esquerdo ou como zagueiro, ?Cuore di Drago? (Coração de Dragão) ? como também é conhecido ? sempre se destacou e nunca perdeu espaço no Milan. O rendimento lhe permitiu também fazer história na seleção italiana, onde disputou quatro Copas do Mundo, mas o máximo que conseguiu foi um vice-campeonato em 1994, ?graças? a Roberto Baggio.
Sua vida com o Milan e com a torcida seguiu sempre em lua-de-mel. Na temporada 1997/98, Maldini herdou a faixa de capitão de Franco Baresi, que se aposentou. O comando da equipe dentro de campo nunca esteve tão bem assegurado. Jogador exemplo, de família, de caráter, porte físico invejável e... galã. Sim, o zagueiro chegou até mesmo fazer sucesso nas capas de revista.
Mas o seu negócio era mesmo fazer a festa da torcida rossonera, com vitórias e títulos. Em 2003, Maldini, com a faixa de capitão, teve a incumbência de erguer pela primeira vez a taça de campeão da Uefa Champions League ? vitória nos pênaltis contra a Juventus ?, repetindo o feito do pai, Cesare Maldini, que havia ganhado a competição em 1963, também como capitão. Tudo perfeito para ambos.
Em 2004, ele ganharia seu último scudetto. Mas o sonho de conquistar mais uma Liga dos Campeões veio em 2005. Uma final para esquecer: após estar vencendo o Liverpool por 3 a 0, a equipe italiana sofreu o empate e perdeu nos pênaltis. Um duro choque para o zagueiro. Mas sua carreira é predestinada e em 2007 ele teve a chance da revanche contra os ingleses e não deixou por menos. Vitória por 2 a 1 e lá foi Maldini novamente erguer o troféu de campeão europeu.
No mesmo ano, mais uma conquista: o Mundial de Clubes da FIFA, no Japão, contra o Boca Juniors. O último título. Uma história de paixão e respeito. Nasceu, cresceu e vai terminar sua belíssima carreira no Milan. Uma típica amostra de amor à camisa. Seu número 3 será aposentado (o único que possui esse privilégio é a 6 de Baresi) e só poderá ser vestida novamente pelos filhos do jogador ? Christian tem 13 anos e já joga nas categorias de base do clube.
Hoje o Milan não luta pelo scudetto, mas Maldini estará em campo contra a Roma para jogar e colocar o time de volta na maior competição da Europa. Domingo não será um dia comum para a torcida milanista. O capitão disputará sua última partida oficial com a camisa rossonera no Estádio San Siro.
O local onde dividiu todas as suas emoções com seus companheiros de time e os tifosi. A Editora Panini distribuirá um álbum de figurinhas com as 24 fotos do jogador de toda a sua carreira. Ao longo desses anos, não existem mágoas por derrotas, apenas a gratidão por ter feito de tudo pelo clube. Domingo será o dia em que o San Siro abraçará o gigante e eterno rossonero chamado Paolo Maldini.
Nome: Paolo Maldini
Data de nascimento: 26/06/1968 (40 anos)
Local de nascimento: Milão, Itália
Altura: 1,86 cm
Peso: 85 kg
Clubes que defendeu: Milan
Número de partidas com a camisa do Milan: 900
Os 900 jogos de Maldini:
Campeonato Italiano: 646
Liga dos Campeões: 139
Copa da Uefa: 22
Copa da Itália: 72
Outras competições: 21
Os títulos: 26
Campeonato Italiano: 7
Copa dos Campeões: 5
Copa Intercontinental/Mundial da FIFA: 3
Supercopa da Europa: 5
Supercopa da Itália: 5
Copa da Itália: 1
Isto é Paolo Maldini:
Palavras de Maldini quando completou 20 anos de carreira:
"Se, quando criança, me pedissem para escrever a história mais bela do mundo para mim, escreveria a qual está me acontecendo"
Técnico italiano Fábio Capello sobre o jogador:
"O zagueiro perfeito"
Adriano Galliani, vice-presidente do Milan:
"Ele não é um símbolo do Milan. Ele é o Milan"
Jornal francês L'Équipe sobre o capitão rossonero:
"Em 23 anos de carreira nunca se distanciou do senso da moral, do dever, da lealdade e da ética, que o torna um dos ícones do futebol"
Por Éder Fantoni - www.loucospelocalcio.com - a casa do futebol italiano